Aracaju, 165 anos

Gilvan Manoel


  • Desenho do artista plástico João Valdenio

 

A partir da redemocratização do Brasil 
em 1984 do século passado quando 
foram restabelecidas as eleições diretas nas capitais, Aracaju enfrenta altos e baixos com os seus prefeitos, mas a exceção dos quatro anos de João Alves Filho, a cidade consegue manter serviços básicos em funcionamento e apresenta avanços.
Até então, os prefeitos das capitais eram indicados pelo governador do Estado. Quando se elegeu governador pela primeira vez, em 1982, João Alves Filho pelo então PDS, sucedâneo da Arena que mantinha o regime militar, indicou Heráclito Rollemberg como prefeito de Aracaju, que fez uma administração elitista e sem preocupações sociais.
Com a eleição de Tancredo Neves através da chamada "Aliança Democrática", uma junção de dissidentes do regime e oportunistas com o PMDB, João Alves, e os então deputados federais Jackson Barreto e José Carlos Teixeira iniciaram as negociações para repetição da aliança em Sergipe, culminando com a demissão de Heráclito e a indicação de José Carlos para a PMA, cujo mandato foi de 30/05/1985 a 31/12/1985. A partir daí, a prefeitura passou a ser voltada para as áreas periféricas da cidade, que viviam literalmente na lama.
No mesmo ano, Jackson foi eleito o prefeito mais votado do país e a prefeitura fez a opção pelos mais pobres. Foi o maior volume de obras já executado até então na capital, não interrompido nem mesmo com a intervenção decretada pelo governador Antonio Carlos Valadares, em 1987. Depois da passagem do interventor, JB renunciou e Viana de Assis deu sequência as obras de infraestrutura.
Em 1988, Jackson elegeu Wellington Paixão contra a máquina do governo usada escancaradamente por Valadares. Paixão teve altos e baixos e concluiu a gestão de forma melancólica, a partir do rompimento com JB, que acabou voltando ao comando da PMA em 1992. Com a renúncia de Jackson em 1994 para disputar o governo do Estado, assumiu o vice Almeida Lima, mas JB voltou a ser decisivo no pleito de 1996 quando elegeu João Augusto Gama. Em sua gestão foi construído o moderno mercado de Aracaju e o centro histórico foi restaurado.
A partir do ano 2000 com a eleição de Marcelo Déda, aos 40 anos, tendo Edvaldo Nogueira como vice, uma nova geração passou a comandar os destinos de Aracaju. Déda fez uma gestão impecável tanto no aspecto moral quanto administrativo e foi reeleito sem qualquer dificuldade em 2004; em 2006 renunciou para disputar e vencer o governo do Estado, cedendo o cargo para Edvaldo, que manteve a mesma estrutura administrativa e foi reeleito no primeiro turno em 2008. Edvaldo enfrentou problemas no final de sua gestão e acabou permitindo a ressurreição de João Alves Filho, derrotado por Déda em 2006 para o governo.
A volta de João Alves significou o fim do ciclo progressista na PMA, a desorganização administrativa e financeira, retrocedendo ao patamar da época de Heráclito. A prefeitura literalmente parou, não pagava salários de funcionários, empreiteiros, fornecedores e prestadores de serviço, a coleta de lixo foi suspensa diversas vezes, e só conseguiu concluir o mandato porque os órgãos de controle de Sergipe não atuaram.
Na disputada eleição de 2016, Edvaldo enfrentou um renhido segundo turno e derrotou Valadares Filho, o seu protegido em 2012, com pouco mais de 12 mil votos. Assumiu com o discurso de reconstrução da cidade, atualizou os salários dos servidores, retomou os serviços, estabeleceu um gigantesco cronograma de obras, que atende todas as regiões da cidade, investimento de R$ 800 milhões. A falta de atualização do plano diretor, no entanto, dificulta a organização da cidade. A lei em vigor, ainda de 2000, foi feita com base em levantamentos de 1995.
Ao completar 165 anos, Aracaju deverá ter em outubro uma das eleições mais disputadas dos últimos anos, com candidatos para todos os gostos. A exemplo do que ocorreu em 1996 e 2016, é provável que o prefeito eleito só seja definido no segundo turno.
Independente de quem for o eleito, Aracaju vai continuar precisando de muita dedicação e responsabilidade por parte de seus administradores.

A partir da redemocratização do Brasil  em 1984 do século passado quando  foram restabelecidas as eleições diretas nas capitais, Aracaju enfrenta altos e baixos com os seus prefeitos, mas a exceção dos quatro anos de João Alves Filho, a cidade consegue manter serviços básicos em funcionamento e apresenta avanços.
Até então, os prefeitos das capitais eram indicados pelo governador do Estado. Quando se elegeu governador pela primeira vez, em 1982, João Alves Filho pelo então PDS, sucedâneo da Arena que mantinha o regime militar, indicou Heráclito Rollemberg como prefeito de Aracaju, que fez uma administração elitista e sem preocupações sociais.
Com a eleição de Tancredo Neves através da chamada "Aliança Democrática", uma junção de dissidentes do regime e oportunistas com o PMDB, João Alves, e os então deputados federais Jackson Barreto e José Carlos Teixeira iniciaram as negociações para repetição da aliança em Sergipe, culminando com a demissão de Heráclito e a indicação de José Carlos para a PMA, cujo mandato foi de 30/05/1985 a 31/12/1985. A partir daí, a prefeitura passou a ser voltada para as áreas periféricas da cidade, que viviam literalmente na lama.
No mesmo ano, Jackson foi eleito o prefeito mais votado do país e a prefeitura fez a opção pelos mais pobres. Foi o maior volume de obras já executado até então na capital, não interrompido nem mesmo com a intervenção decretada pelo governador Antonio Carlos Valadares, em 1987. Depois da passagem do interventor, JB renunciou e Viana de Assis deu sequência as obras de infraestrutura.
Em 1988, Jackson elegeu Wellington Paixão contra a máquina do governo usada escancaradamente por Valadares. Paixão teve altos e baixos e concluiu a gestão de forma melancólica, a partir do rompimento com JB, que acabou voltando ao comando da PMA em 1992. Com a renúncia de Jackson em 1994 para disputar o governo do Estado, assumiu o vice Almeida Lima, mas JB voltou a ser decisivo no pleito de 1996 quando elegeu João Augusto Gama. Em sua gestão foi construído o moderno mercado de Aracaju e o centro histórico foi restaurado.
A partir do ano 2000 com a eleição de Marcelo Déda, aos 40 anos, tendo Edvaldo Nogueira como vice, uma nova geração passou a comandar os destinos de Aracaju. Déda fez uma gestão impecável tanto no aspecto moral quanto administrativo e foi reeleito sem qualquer dificuldade em 2004; em 2006 renunciou para disputar e vencer o governo do Estado, cedendo o cargo para Edvaldo, que manteve a mesma estrutura administrativa e foi reeleito no primeiro turno em 2008. Edvaldo enfrentou problemas no final de sua gestão e acabou permitindo a ressurreição de João Alves Filho, derrotado por Déda em 2006 para o governo.
A volta de João Alves significou o fim do ciclo progressista na PMA, a desorganização administrativa e financeira, retrocedendo ao patamar da época de Heráclito. A prefeitura literalmente parou, não pagava salários de funcionários, empreiteiros, fornecedores e prestadores de serviço, a coleta de lixo foi suspensa diversas vezes, e só conseguiu concluir o mandato porque os órgãos de controle de Sergipe não atuaram.
Na disputada eleição de 2016, Edvaldo enfrentou um renhido segundo turno e derrotou Valadares Filho, o seu protegido em 2012, com pouco mais de 12 mil votos. Assumiu com o discurso de reconstrução da cidade, atualizou os salários dos servidores, retomou os serviços, estabeleceu um gigantesco cronograma de obras, que atende todas as regiões da cidade, investimento de R$ 800 milhões. A falta de atualização do plano diretor, no entanto, dificulta a organização da cidade. A lei em vigor, ainda de 2000, foi feita com base em levantamentos de 1995.
Ao completar 165 anos, Aracaju deverá ter em outubro uma das eleições mais disputadas dos últimos anos, com candidatos para todos os gostos. A exemplo do que ocorreu em 1996 e 2016, é provável que o prefeito eleito só seja definido no segundo turno.
Independente de quem for o eleito, Aracaju vai continuar precisando de muita dedicação e responsabilidade por parte de seus administradores.

A morte de Bebiano

O ex-secretário geral da Presidência e pré-candidato a prefeito do Rio, Gustavo Bebianno, morreu ontem de manhã após um infarto fulminante, aos 56 anos. 

Bebianno estava em seu sítio em Teresópolis junto com um caseiro e seu filho. Por volta de 4h30 ele comunicou ao filho que estava passando mal e se dirigiu ao banheiro para ingerir um remédio. Minutos depois, sofreu uma queda e teve ferimentos na cabeça. 

Bebianno foi levado para uma unidade hospital da cidade, mas não resistiu.

De coordenador da campanha do presidente Jair Bolsonaro em 2018, Bebiano se transformou num inimigo da família Bolsonaro.

Auxílio para pescadores

A comissão mista responsável pela análise da medida provisória que cria auxílio emergencial para pescadores afetados por mancha de óleo (MP 908/19) tem reunião marcada para a terça-feira (17). Na pauta, está a votação do relatório apresentado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE).

Publicada em novembro do ano passado, a MP 908 liberou o pagamento de R$ 1.996 (em duas parcelas de um salário mínimo cada) aos pescadores afetados pelo recente derramamento de óleo no litoral brasileiro. O episódio atingiu 126 municípios, em mais de 803 localidades.

Pelos cálculos do governo, o benefício aos pescadores terá um custo de R$ 115,5 milhões à União, com o dinheiro saindo do orçamento do Ministério da Cidadania.

Rogério Carvalho recebeu, de deputados e senadores, 178 sugestões mudanças no texto. Entre elas, a emenda que inclui no benefício as profissionais marisqueiras; uma que amplia a cobertura para além dos municípios em que apareceram as manchas; e outra que aumenta o auxílio para R$ 3.992. O relator pode acatá-las ou não.

A reunião está prevista para as 14h30, no plenário 9 da ala Alexandre Costa, no Senado. A comissão mista é presidida pelo deputado Raimundo Costa (PL-BA).

Carta de Lula 

Na última quarta-feira (11), data em que o ex-governador Marcelo Déda faria 60 anos, o ex-presidente Lula, padrinho de um de seus filhos, encaminhou a seguinte carta para a família:

"Ele faz uma falta imensa para o Brasil, para Sergipe e para o Partido dos Trabalhadores. Queríamos, estaríamos mais felizes, precisávamos muito dele aqui conosco. Déda era um político comprometido com interesse público, dedicado, inteligente e generoso.

Um grande homem. Era meu amigo querido, de décadas de tantos encontros pelo país, em especial nas minhas visitas em Sergipe acompanhando sua trajetória brilhante até virar governador.

É difícil acreditar que tive tanta solidariedade dele quando sofri com um câncer e conseguir me curar, e meses depois o perdíamos para essa terrível doença.

Déda deixou uma marca imensa em Sergipe, mudou a história do estado, e se não tivesse partido tão cedo, certamente deixaria uma marca muito maior por todo o Brasil.

Fico muito feliz em saber que está sendo criado um espaço para preservar a memória da vida e permitir que mais jovens se inspirem e exerçam a vocação política, a dedicação à democracia, que estamos precisando tanto nesses dias difíceis pelos quais o Brasil passa.

Déda segue presente em nossos corações.

Meu abraço para Eliane e seus filhos, aos parentes, amigos, companheiros e admiradores do grande Dedinha."

Semana difícil

Na quarta-feira, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) foi chamado de "hipócrita", "covarde" e "frouxo" pela senadora Kátia Abreu (PDT-TO) após acusar de "agirem por dinheiro" os parlamentares favoráveis ao Projeto de Lei 04/20 encaminhado pelo governo Jair Bolsonaro, que destina R$ 15 bilhões ao Orçamento da União para livre aplicação pelo Congresso Nacional. Kátia, que é presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ainda sugeriu que Alessandro estudasse para melhorar argumentação.

Chegou a declarar a senadora ao criticar o comportamento de "vestais da honestidade": "Qual é o problema de um parlamentar levar recursos para o seu Estado? Ele (Alessandro Vieira) aprovou aqui um PLN, com o apoio de todos nós, e levou 50 milhões para o Estado dele. Eu vou dizer que não apoio? Vou apoiar sempre, porque eu também quero o apoio dele para levar 100, 200 para o meu Tocantins".

No dia seguinte foi o deputado estadual Rodrigo Valadares (PTB), num grupo de whatsapp, quem atacou o senador, seu antigo líder: "Alessandro Vieira deve a cabeça e o mandato ao RenovaBR e Itaú. Um farsa. Durante sua campanha, o RenovaBR gastou por ele em disparos em massa.Tudo isso fora da contabilidade oficial. Até quando vamos aceitar esse falso moralista?".

Segundo o deputado, "o senador delegado deveria explicar toda a tecnologia que o grande sistema financeiro gastou com ele, por que não tem fidelidade com seu partido (mudou assim que eleito), com seu estado (nunca fez nada por Sergipe ou com seu eleitorado). É fiel apenas ao RenovaBR. Ele e meio mundo de desconhecidos que se elegeram com ilegalidades tecnológicas. Se estivesse sob a legislação europeia já estaria preso. Tenho tudo documentado e as máscaras irão cair. Só digo isso".

E concluiu: "Alguém se elege à toa? Tudo do Alessandro foi calculado. É um produto do marketing. Marchou com a esquerda, teve votos nela e agora se bolsonarisou. Ele fala em CPI da Lava Toga. Vamos fazer uma CPI da Tecnologia em Sergipe. Tenho tudo documentado e estou ansioso para que seja homem e venha discutir comigo".

O senador promete responder na justiça.

Com Agências

 


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