No meu tempo era assim

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O disco mais noizado da Snooze
O disco mais noizado da Snooze

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Publicada em 21/06/2012 às 14:43:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

A cabeça pendurada na janela do carro era minha, mas podia pertencer a qualquer punheteiro daquela geração. Avenida Francisco Porto abaixo, a gente gastava a madrugada como podia. O dinheiro curto de estudantes já tinha virado um bocado de garrafas vazias embaixo dos bancos. O barato, no entanto, atendia por outro nome. Volume no talo, apesar da resistência de Diego Oliveira (motorista relutante, baixista da saudosa Vitais, o roqueiro mais sossegado que eu conheço), a obra prima da Snooze fritava o nosso juízo. "Come upstairs/ Come up staaaars...".
Let my head blow up não é apenas o disco mais noizado da banda. Além de alçar a produção musical da terrinha a um patamar até então ignorado pelas nossas fraldas fedorentas de mijo, as guitarras mais espertas da cidade (então a cargo de Mauro Spaceboy e Clínio Jr) ainda atendiam ao propósito catártico sugerido pelo batismo da bolacha. Parece a letra de uma música ruim, mas quem frequentava os shows da Snooze queria se libertar.
Alguns anos mais tarde, a banda gravaria o quarto disco - sempre estruturada em torno do núcleo formado pelos irmãos Fabinho (baixo) e Rafael Jr (bateria); sempre com a colaboração de guitarristas escolhidos a dedo (Luiz Oliva, detentor do posto, não me deixa mentir). O seu legado, contudo, já havia sido transmitido. Cada faixa de LMHBU carrega a comunhão perfeita entre barulho e espontaneidade com a urgência do fim do mundo. No meu tempo era assim.
Bateu saudade da banda? Aparece no Tio Maneco hoje à noite. Tal e qual o filho pródigo, Clínio Jr deu o ar da graça e ofereceu o pretexto que os caras precisavam pra acordar a vizinhança com um bocado de noise e experimentação.