As portas fechadas do CCA

Rian Santos


  • O Centro Cultural de Aracaju já foi um chamariz de gente

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Quando a pandemia passar, alguém terá de perguntar pelo projeto guardado na gaveta de Luciano Correia, a fim de reanimar o Centro Cultural de Aracaju. Desde o fim do ano passado, o prédio assumiu de novo o aspecto de uma casa mal assombrada, a feição lúgubre e austera dos anos de triste memória,quando a cidade foi administrada por João Alves Filho. A cobrança demora.
A criação de uma agenda, tendo em vista a ocupação criativa do casarão restaurado no Centro Histórico, marco zero da capital sergipana, foi o primeiro e único grande feito no campo da Cultura com o dedo do prefeito Edvaldo Nogueira. Desde o rompimento com o Partido dos Trabalhadores, contudo, tudo ali é silêncio. A troca de comando na Funcaju redundou em uma paralisia aparente.
O centro histórico de Aracaju esteve mergulhado em sombras durante muito tempo, entregue a tudo o quanto não presta. Ainda é assim em quase todo o quadrado de Pirro. Tão logo baixa a coisa fria também chamada noite, para lembrar Drummond, as ruas ficam desertas. 
Eu falo com conhecimento de causa. Morei durante dois anos no trecho mais feio da Rua Propriá, aos pés da Catedral Metropolitana, a maior aventura dos meus vinte e poucos anos. Nas noites sem dinheiro, um aparelho como o Centro Cultural de Aracaju, com as portas abertas para todo tipo de gente, palco dos projetos Quinta Instrumental e Ocupe a Praça, me fez uma falta danada.
Ao contrário do que pode parecer, a revitalização dos centros históricos, em pauta mundo afora, não se dá apenas com a reforma e manutenção de prédios vacilantes. Neste particular, não faltam exemplos lamentáveis aqui mesmo na capital de Sergipe. Basta observar o que foi feito do saudoso Cacique Chá. Sem função cultural e a necessária injeção de vida, o palco dos maiores debates já travados na aldeia serve hoje uma refeição meia boca, foi transformado em mero restaurante. Do passado glorioso, resta apenas a arquitetura curiosa, em formato de oca.

Rian Santos

Quando a pandemia passar, alguém terá de perguntar pelo projeto guardado na gaveta de Luciano Correia, a fim de reanimar o Centro Cultural de Aracaju. Desde o fim do ano passado, o prédio assumiu de novo o aspecto de uma casa mal assombrada, a feição lúgubre e austera dos anos de triste memória,quando a cidade foi administrada por João Alves Filho. A cobrança demora.
A criação de uma agenda, tendo em vista a ocupação criativa do casarão restaurado no Centro Histórico, marco zero da capital sergipana, foi o primeiro e único grande feito no campo da Cultura com o dedo do prefeito Edvaldo Nogueira. Desde o rompimento com o Partido dos Trabalhadores, contudo, tudo ali é silêncio. A troca de comando na Funcaju redundou em uma paralisia aparente.O centro histórico de Aracaju esteve mergulhado em sombras durante muito tempo, entregue a tudo o quanto não presta. Ainda é assim em quase todo o quadrado de Pirro. Tão logo baixa a coisa fria também chamada noite, para lembrar Drummond, as ruas ficam desertas. 
Eu falo com conhecimento de causa. Morei durante dois anos no trecho mais feio da Rua Propriá, aos pés da Catedral Metropolitana, a maior aventura dos meus vinte e poucos anos. Nas noites sem dinheiro, um aparelho como o Centro Cultural de Aracaju, com as portas abertas para todo tipo de gente, palco dos projetos Quinta Instrumental e Ocupe a Praça, me fez uma falta danada.
Ao contrário do que pode parecer, a revitalização dos centros históricos, em pauta mundo afora, não se dá apenas com a reforma e manutenção de prédios vacilantes. Neste particular, não faltam exemplos lamentáveis aqui mesmo na capital de Sergipe. Basta observar o que foi feito do saudoso Cacique Chá. Sem função cultural e a necessária injeção de vida, o palco dos maiores debates já travados na aldeia serve hoje uma refeição meia boca, foi transformado em mero restaurante. Do passado glorioso, resta apenas a arquitetura curiosa, em formato de oca.

 


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