Queixas de empresários pressionam por abertura do comércio

Geral


  • Calçadão da João Pessoa fechado: empresários pressionam o governo

  • NA SEXTA-FEIRA, DURANTE VIDEOCONFERÊNCIA COM OS GOVERNADORES NORDESTINOS, BELIVALDO CHAGAS DISSE QUE NÃO VAI tomar medidas que possam expor as pessoas a aglomerações; ISOLAMENTO DEVE CONTINUAR NO ESTADO

 

Gabriel Damásio
A crise do coronaví
rus tem gerado nos 
últimos dias um debate inédito, que acirrou ainda mais a polarização política e gerou conflitos acalorados nas redes sociais. De um lado, apoiado por médicos, especialistas, o Ministério da Saúde e a maioria dos governos estaduais e municipais (incluindo o governador Belivaldo Chagas e o prefeito Edvaldo Nogueira), os que defendem o isolamento total da população e a paralisação das atividades, para evitar uma maior contaminação da doença. Do outro, defendido por empresários, comerciantes e principalmente pelo presidente Jair Bolsonaro, os que defendem a retomada da rotina normal de trabalho e o isolamento vertical, apenas para idosos e grupos mais vulneráveis à doença, alegando que a falta de atividade está agravando a crise econômica e gerando desemprego. 
A maior pressão está sendo feita pelos empresários, que após o pronunciamento de Bolsonaro em cadeia de rádio e TV, na semana passada, minimizando o crescimento dos casos de coronavírus, passaram a reclamar mais dos prejuízos econômicos e pedir uma flexibilização dos decretos estaduais e municipais que instituem o isolamento social. Nesta sexta-feira, as entidades oficiais do setor elaboraram e entregaram uma carta aberta ao governador, sugerindo a criação de um Comitê de Crise para avaliar uma possível abertura do comércio antes do dia 17 de abril, data de validade do decreto estadual de emergência contra o coronavírus. Os empresários, liderados pela Fecomércio, propõem uma reabertura lenta, gradual e com horários reduzidos, com mais rigor no cumprimento das regras de segurança e higiene determinadas pelo Ministério da Saúde". Belivaldo vai receber uma comissão dos empresários nesta segunda-feira, às 16h30, em reunião no Palácio de Despachos. 
Turismo - Um dos setores mais afetados pela paralisia é o do turismo, que engloba hotéis, bares e restaurantes. Os decretos de emergência proibiram o ingresso de novos hóspedes nos hotéis, mas, mesmo sem as proibições, as viagens de pessoas para outros estados ou cidade praticamente pararam. Os cancelamentos de reservas variaram entre 60% e até 100%. A Associação Brasileira de Indústrias de Hotéis (ABIH) em Sergipeconta que muitas empresas ficaram praticamente sem receitas para honrar os compromissos, o que as obrigou a dar férias coletivas para os empregados. Bem antes do início desse debate, mas já com o agravamento da paralisia no setor, a associação apresentou ao governador e ao prefeito sugestões de medidas para amenizar os efeitos negativos das ações de prevenção ao coronavírus, o que inclui a prorrogação de prazos para pagamento de impostos, como ISS e ICMS, e a abertura de linhas especiais de crédito. 
Outro setor impactado é o agropecuário, já que as feiras livres de todo o estado, com exceção do Município de Aracaju, podem funcionar exclusivamente para a venda de alimentos e produtos agrícolas, observadas as restrições das autoridades. Em uma carta aberta, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (Faese) pediu apoio dos prefeitos e do Estado para que os serviços essenciais da agricultura e pecuária para a alimentação da população não sejam interrompidos, ressaltando que o setor não pode parar de produzir e distribuir insumos para a produção de alimentos para a população, além da realização das feiras livres.
Outro destaque foi o funcionamento das feiras livres no estado, além dos produtos das agroindústrias domésticas rurais, principalmente a farinha de mandioca, queijos, requeijão e temperos. A Faese defende que as feiras sejam realizadas adotando todas as medidas preventivas para evitar o contágio do coronavírus. "Apoiamos as autoridades nas medidas de combate ao vírus, mas também nos preocupamos com eventuais impactos que uma eventual suspensão ou redução da atividade do comércio de alimentos poderia causar em nossa tão complexa cadeia produtiva, impactando diretamente o fornecimento de alimentos para toda a população sergipana", afirma o presidente da Faese, Ivan Sobral.
Lojistas - Os mesmos apelos estão sendo feitos por pequenos e médios lojistas que ficaram impedidos de abrir por conta dos decretos de emergência. De acordo com as regras, a paralisação é para os serviços considerados não-essenciais, como academias, shoppings, boutiques, clubes, boates, casas de espetáculos, salões de beleza e clínicas (com exceção das que dispõem de atendimento de urgência e emergência). É atribuída a alguns destes comerciantes, baseados no centro da cidade, a iniciativa de organizar as manifestações que aconteceram nesta sexta-feira no Centro e no Distrito Industrial pedindo a suspensão do decreto - e que foram consideradas ilegais pela Justiça. 
Uma das que se apresentaram como organizadoras do movimento foi a ex-vereadora Daniela Fortes, filha do pastor evangélico Daniel Fortes, cuja família é proprietária de uma rede de óticas. "O comércio está fechado há sete dias, mas já tem 15 dias atrás que estávamos vendendo pouco, porque as pessoas já estavam com medo de sair de casa, e ainda estão. E sei que se o comércio voltar amanhã ou na semana que vem, vamos vender pouco, mas vamos vender pelo menos o suficiente pra pagar algumas contas, pagar um funcionário, pagar o aluguel que vai vencer. De portas fechadas, nós não vamos conseguir fazer nada", argumentou ela, em entrevista à rádio CBN, frisando ainda que a manifestação não teve o objetivo de afrontar ou criticar o governo e as medidas contra o coronavírus, mas buscar que o governador flexibilize as regras.
Camelô s- Os autônomos e vendedores ambulantes também aumentam o coro das queixas, pois ficaram também impedidos de ir às ruas e, mesmo os que vão, praticamente não têm mais clientes. A categoria teve uma atenção maior na última semana, após uma polêmica abordagem de fiscais da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) a um vendedor de frutas na Praça João XXIII, ao lado da Rodoviária Velha. Imagens mostraram os fiscais jogando o carrinho e as mercadorias do vendedor em uma caçamba, e o imobilizando. A ação dos fiscais foi gravada e viralizou nas redes sociais, sendo replicada pela deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) para criticar as medidas de contenção dos estados e municípios. O prefeito Edvaldo Nogueira repudiou o uso político do episódio, mas mandou afastar os fiscais e devolver as mercadorias ao vendedor, além de lhe pagar uma indenização de R$ 700.

Gabriel Damásio

A crise do coronaví rus tem gerado nos  últimos dias um debate inédito, que acirrou ainda mais a polarização política e gerou conflitos acalorados nas redes sociais. De um lado, apoiado por médicos, especialistas, o Ministério da Saúde e a maioria dos governos estaduais e municipais (incluindo o governador Belivaldo Chagas e o prefeito Edvaldo Nogueira), os que defendem o isolamento total da população e a paralisação das atividades, para evitar uma maior contaminação da doença. Do outro, defendido por empresários, comerciantes e principalmente pelo presidente Jair Bolsonaro, os que defendem a retomada da rotina normal de trabalho e o isolamento vertical, apenas para idosos e grupos mais vulneráveis à doença, alegando que a falta de atividade está agravando a crise econômica e gerando desemprego. 
A maior pressão está sendo feita pelos empresários, que após o pronunciamento de Bolsonaro em cadeia de rádio e TV, na semana passada, minimizando o crescimento dos casos de coronavírus, passaram a reclamar mais dos prejuízos econômicos e pedir uma flexibilização dos decretos estaduais e municipais que instituem o isolamento social. Nesta sexta-feira, as entidades oficiais do setor elaboraram e entregaram uma carta aberta ao governador, sugerindo a criação de um Comitê de Crise para avaliar uma possível abertura do comércio antes do dia 17 de abril, data de validade do decreto estadual de emergência contra o coronavírus. Os empresários, liderados pela Fecomércio, propõem uma reabertura lenta, gradual e com horários reduzidos, com mais rigor no cumprimento das regras de segurança e higiene determinadas pelo Ministério da Saúde". Belivaldo vai receber uma comissão dos empresários nesta segunda-feira, às 16h30, em reunião no Palácio de Despachos. 

Turismo - Um dos setores mais afetados pela paralisia é o do turismo, que engloba hotéis, bares e restaurantes. Os decretos de emergência proibiram o ingresso de novos hóspedes nos hotéis, mas, mesmo sem as proibições, as viagens de pessoas para outros estados ou cidade praticamente pararam. Os cancelamentos de reservas variaram entre 60% e até 100%. A Associação Brasileira de Indústrias de Hotéis (ABIH) em Sergipeconta que muitas empresas ficaram praticamente sem receitas para honrar os compromissos, o que as obrigou a dar férias coletivas para os empregados. Bem antes do início desse debate, mas já com o agravamento da paralisia no setor, a associação apresentou ao governador e ao prefeito sugestões de medidas para amenizar os efeitos negativos das ações de prevenção ao coronavírus, o que inclui a prorrogação de prazos para pagamento de impostos, como ISS e ICMS, e a abertura de linhas especiais de crédito. 
Outro setor impactado é o agropecuário, já que as feiras livres de todo o estado, com exceção do Município de Aracaju, podem funcionar exclusivamente para a venda de alimentos e produtos agrícolas, observadas as restrições das autoridades. Em uma carta aberta, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (Faese) pediu apoio dos prefeitos e do Estado para que os serviços essenciais da agricultura e pecuária para a alimentação da população não sejam interrompidos, ressaltando que o setor não pode parar de produzir e distribuir insumos para a produção de alimentos para a população, além da realização das feiras livres.
Outro destaque foi o funcionamento das feiras livres no estado, além dos produtos das agroindústrias domésticas rurais, principalmente a farinha de mandioca, queijos, requeijão e temperos. A Faese defende que as feiras sejam realizadas adotando todas as medidas preventivas para evitar o contágio do coronavírus. "Apoiamos as autoridades nas medidas de combate ao vírus, mas também nos preocupamos com eventuais impactos que uma eventual suspensão ou redução da atividade do comércio de alimentos poderia causar em nossa tão complexa cadeia produtiva, impactando diretamente o fornecimento de alimentos para toda a população sergipana", afirma o presidente da Faese, Ivan Sobral.

Lojistas - Os mesmos apelos estão sendo feitos por pequenos e médios lojistas que ficaram impedidos de abrir por conta dos decretos de emergência. De acordo com as regras, a paralisação é para os serviços considerados não-essenciais, como academias, shoppings, boutiques, clubes, boates, casas de espetáculos, salões de beleza e clínicas (com exceção das que dispõem de atendimento de urgência e emergência). É atribuída a alguns destes comerciantes, baseados no centro da cidade, a iniciativa de organizar as manifestações que aconteceram nesta sexta-feira no Centro e no Distrito Industrial pedindo a suspensão do decreto - e que foram consideradas ilegais pela Justiça. 
Uma das que se apresentaram como organizadoras do movimento foi a ex-vereadora Daniela Fortes, filha do pastor evangélico Daniel Fortes, cuja família é proprietária de uma rede de óticas. "O comércio está fechado há sete dias, mas já tem 15 dias atrás que estávamos vendendo pouco, porque as pessoas já estavam com medo de sair de casa, e ainda estão. E sei que se o comércio voltar amanhã ou na semana que vem, vamos vender pouco, mas vamos vender pelo menos o suficiente pra pagar algumas contas, pagar um funcionário, pagar o aluguel que vai vencer. De portas fechadas, nós não vamos conseguir fazer nada", argumentou ela, em entrevista à rádio CBN, frisando ainda que a manifestação não teve o objetivo de afrontar ou criticar o governo e as medidas contra o coronavírus, mas buscar que o governador flexibilize as regras.

Camelô s- Os autônomos e vendedores ambulantes também aumentam o coro das queixas, pois ficaram também impedidos de ir às ruas e, mesmo os que vão, praticamente não têm mais clientes. A categoria teve uma atenção maior na última semana, após uma polêmica abordagem de fiscais da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) a um vendedor de frutas na Praça João XXIII, ao lado da Rodoviária Velha. Imagens mostraram os fiscais jogando o carrinho e as mercadorias do vendedor em uma caçamba, e o imobilizando. A ação dos fiscais foi gravada e viralizou nas redes sociais, sendo replicada pela deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) para criticar as medidas de contenção dos estados e municípios. O prefeito Edvaldo Nogueira repudiou o uso político do episódio, mas mandou afastar os fiscais e devolver as mercadorias ao vendedor, além de lhe pagar uma indenização de R$ 700.

 


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