Petrobras paralisa a produção de plataformas em Sergipe

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  • Risco de coronavírus e queda de preços levaram a Petrobras a desativar produção em Sergipe

 

Gabriel Damásio
A Petrobras confirmou 
ontem que ordenou 
a paralisação da produção nas plataformas de exploração de petróleo e gás natural em águas rasas, nos estados de Sergipe, Ceará e Rio Grande do Norte, além do Polo Garoupa, na Bacia de Campos (RJ). A decisão de hibernar as plataformas foi comunicada ao mercado na última quinta-feira e aos funcionários da estatal no dia seguinte. Segundo nota oficial da Petrobras, tal medida foi tomada por causa dos impactos econômicos da pandemia do Covid-19 (coronavírus) e da crise na produção de petróleo, que provocou uma "redução abrupta dos preços e da demanda de petróleo e combustíveis".
Em Sergipe, a companhia tem 27 plataformas marítimas de óleo e gás, sendo 26 em águas rasas. O principal é o Campo de Guaricema, descoberto em 1968 e que foi a primeira exploração feita pela Petrobras no mar. Atualmente, Guaricema tem oito plataformas. As outras se estendem no litoral sergipano, pelos campos de Caioba (três), Camorim (10), Dourado (três), e Robalo (um). A produção atual de óleo desses campos não foi divulgada pela companhia, que citou apenas a quantidade total, de todos os estados afetados: 23 mil barris por dia. A decisão deve afetar ainda o Tecarmo, terminal de processamento que está montado há mais de 40 anos na Atalaia (zona sul de Aracaju) e que recebe todo o petróleo e gás extraído das plataformas. Com a paralisação das plataformas, as atividades da unidade também poderão ser suspensas temporariamente.
A estatal afirma que "adotou ações para redução de custos e preservação do seu caixa, além das medidas para preservar a saúde dos colaboradores e apoiar na prevenção da doença nas áreas operacionais e administrativas", com o objetivo de reduzir a sobreoferta no mercado externo e diminuir a exposição dos funcionários e da empresa às dificuldades atuais. 
No caso da exploração de petróleo no oceano, sobretudo em campos de águas rasas, a Petrobras alega que esta modalidade tem um "custo de extração por barril mais elevado, que, em virtude da queda dos preços do petróleo, passaram a ter fluxo de caixa negativo". Disse também que "os desinvestimentos nesses ativos continuam em andamento", com a venda e o repasse das concessões de exploração a outras empresas. 
"A companhia avaliará as condições do mercado e, em caso de necessidade, realizará novos ajustes na produção de petróleo, sempre garantindo as condições de segurança para as pessoas, operações e processos. A companhia continua a explorar oportunidades para cortes adicionais de custos administrativos e operacionais. Dado o alto grau de incerteza prevalecente na economia global, entendemos ser prematuro fazer revisões do cenário base e projeções de preços de petróleo. Tais revisões serão feitas quando as incertezas e a consequente volatilidade de preços diminuírem", diz a estatal, em seu comunicado ao mercado.
Sindipetro - A decisão foi muito mal recebida pelo Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas (Sindipetro), que enxerga na hibernação das plataformas um erro estratégico da companhia e uma nova etapa em um processo de desmonte da Petrobras, visando uma futura privatização. "A gente vem denunciando desde 2018 que a Petrobras está sendo fatiada e paralisada para ser entregue ao capital estrangeiro essa atitude de hibernar o Tecarmo e a UPGN é justamente para isso. Ao invés de estarmos produzindo e processando o gás e o petróleo, estamos parando a nossa produção", critica o representante do Sindipetro, Edvaldo Leandro, em entrevista à TV Atalaia.
O sindicalista prevê ainda que a hibernação das plataformas e do Tecarmo vai gerar uma alta do desemprego, com a demissão de 500 funcionários diretos e outros 1.500 de empresas terceirizadas contratadas pela estatal. O prejuízo para Sergipe começa com o aumento do desemprego. Menos divisas, menos impostos, menos desenvolvimento e menos tecnologia, mas mais empobrecimento para Sergipe. Privatizar faz mal ao Brasil e a Sergipe", afirmou Leandro. 
Estado - O governo do Estado informou em nota que tomou conhecimento das medidas adotadas pela Petrobras por informação prestada ao mercado e atribuiu essas medidas às "fortes mudanças do mercado", decorrentes da pandemia do Coronavírus da forte queda do preço do petróleo e da alta do dólar. Para o governo, as medidas da Petrobras são "naturais e necessárias", para contornar a "maior crise de todos os tempos" na indústria do petróleo. 
Na nota, o estado diz que está concentrado em enfrentar a crise do coronavírus e espera que, passada a pandemia, o cenário econômico tenha uma melhoria. "Precisamos esperar que a pandemia seja controlada em todo o mundo para que, com a volta das atividades normais da população e o início da recuperação da economia mundial, possa ser avaliado o novo patamar de consumo de petróleo e derivados, preço de mercado e taxa de câmbio. Acreditamos que a Petrobras a partir da leitura desse novo cenário deverá reavaliar mais uma vez os seus planos de investimento e definir aqueles prioritários, que sejam rentáveis no contexto do novo mercado". 
O governo afirma ainda que Teste de Longa Duração em águas ultraprofundas na área de FARFAN, iniciado pela Petrobras em 22 de fevereiro deste ano no litoral sergipano, está tendo continuidade e os seus resultados serão decisivos para a sequência dos investimentos para a sua produção comercial. "Temos consciência que a turbulência atual será passageira e, muito em breve, após a conclusão do TLD, a Petrobras deverá declarar a comercialidade dos campos,  iniciando os investimentos de infraestrutura para produção de volumes expressivos de petróleo e gás no litoral de Sergipe", conclui a nota.

Gabriel Damásio

A Petrobras confirmou  ontem que ordenou  a paralisação da produção nas plataformas de exploração de petróleo e gás natural em águas rasas, nos estados de Sergipe, Ceará e Rio Grande do Norte, além do Polo Garoupa, na Bacia de Campos (RJ). A decisão de hibernar as plataformas foi comunicada ao mercado na última quinta-feira e aos funcionários da estatal no dia seguinte. Segundo nota oficial da Petrobras, tal medida foi tomada por causa dos impactos econômicos da pandemia do Covid-19 (coronavírus) e da crise na produção de petróleo, que provocou uma "redução abrupta dos preços e da demanda de petróleo e combustíveis".
Em Sergipe, a companhia tem 27 plataformas marítimas de óleo e gás, sendo 26 em águas rasas. O principal é o Campo de Guaricema, descoberto em 1968 e que foi a primeira exploração feita pela Petrobras no mar. Atualmente, Guaricema tem oito plataformas. As outras se estendem no litoral sergipano, pelos campos de Caioba (três), Camorim (10), Dourado (três), e Robalo (um). A produção atual de óleo desses campos não foi divulgada pela companhia, que citou apenas a quantidade total, de todos os estados afetados: 23 mil barris por dia. A decisão deve afetar ainda o Tecarmo, terminal de processamento que está montado há mais de 40 anos na Atalaia (zona sul de Aracaju) e que recebe todo o petróleo e gás extraído das plataformas. Com a paralisação das plataformas, as atividades da unidade também poderão ser suspensas temporariamente.
A estatal afirma que "adotou ações para redução de custos e preservação do seu caixa, além das medidas para preservar a saúde dos colaboradores e apoiar na prevenção da doença nas áreas operacionais e administrativas", com o objetivo de reduzir a sobreoferta no mercado externo e diminuir a exposição dos funcionários e da empresa às dificuldades atuais. 
No caso da exploração de petróleo no oceano, sobretudo em campos de águas rasas, a Petrobras alega que esta modalidade tem um "custo de extração por barril mais elevado, que, em virtude da queda dos preços do petróleo, passaram a ter fluxo de caixa negativo". Disse também que "os desinvestimentos nesses ativos continuam em andamento", com a venda e o repasse das concessões de exploração a outras empresas. 
"A companhia avaliará as condições do mercado e, em caso de necessidade, realizará novos ajustes na produção de petróleo, sempre garantindo as condições de segurança para as pessoas, operações e processos. A companhia continua a explorar oportunidades para cortes adicionais de custos administrativos e operacionais. Dado o alto grau de incerteza prevalecente na economia global, entendemos ser prematuro fazer revisões do cenário base e projeções de preços de petróleo. Tais revisões serão feitas quando as incertezas e a consequente volatilidade de preços diminuírem", diz a estatal, em seu comunicado ao mercado.

Sindipetro - A decisão foi muito mal recebida pelo Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas (Sindipetro), que enxerga na hibernação das plataformas um erro estratégico da companhia e uma nova etapa em um processo de desmonte da Petrobras, visando uma futura privatização. "A gente vem denunciando desde 2018 que a Petrobras está sendo fatiada e paralisada para ser entregue ao capital estrangeiro essa atitude de hibernar o Tecarmo e a UPGN é justamente para isso. Ao invés de estarmos produzindo e processando o gás e o petróleo, estamos parando a nossa produção", critica o representante do Sindipetro, Edvaldo Leandro, em entrevista à TV Atalaia.
O sindicalista prevê ainda que a hibernação das plataformas e do Tecarmo vai gerar uma alta do desemprego, com a demissão de 500 funcionários diretos e outros 1.500 de empresas terceirizadas contratadas pela estatal. O prejuízo para Sergipe começa com o aumento do desemprego. Menos divisas, menos impostos, menos desenvolvimento e menos tecnologia, mas mais empobrecimento para Sergipe. Privatizar faz mal ao Brasil e a Sergipe", afirmou Leandro. 

Estado - O governo do Estado informou em nota que tomou conhecimento das medidas adotadas pela Petrobras por informação prestada ao mercado e atribuiu essas medidas às "fortes mudanças do mercado", decorrentes da pandemia do Coronavírus da forte queda do preço do petróleo e da alta do dólar. Para o governo, as medidas da Petrobras são "naturais e necessárias", para contornar a "maior crise de todos os tempos" na indústria do petróleo. 
Na nota, o estado diz que está concentrado em enfrentar a crise do coronavírus e espera que, passada a pandemia, o cenário econômico tenha uma melhoria. "Precisamos esperar que a pandemia seja controlada em todo o mundo para que, com a volta das atividades normais da população e o início da recuperação da economia mundial, possa ser avaliado o novo patamar de consumo de petróleo e derivados, preço de mercado e taxa de câmbio. Acreditamos que a Petrobras a partir da leitura desse novo cenário deverá reavaliar mais uma vez os seus planos de investimento e definir aqueles prioritários, que sejam rentáveis no contexto do novo mercado". 
O governo afirma ainda que Teste de Longa Duração em águas ultraprofundas na área de FARFAN, iniciado pela Petrobras em 22 de fevereiro deste ano no litoral sergipano, está tendo continuidade e os seus resultados serão decisivos para a sequência dos investimentos para a sua produção comercial. "Temos consciência que a turbulência atual será passageira e, muito em breve, após a conclusão do TLD, a Petrobras deverá declarar a comercialidade dos campos,  iniciando os investimentos de infraestrutura para produção de volumes expressivos de petróleo e gás no litoral de Sergipe", conclui a nota.

 


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