A China, uma miragem

Geral


  • Mão de ferro, dada a sopapos

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Cá, na banda ociden
tal do mundo, a Chi
na é só uma miragem. Os jornais fornecem todos os dados acessíveis sobre a nova potência industrial, governada com mão de ferro, dada a sopapos, sob os desígnios um tanto confusos do tal capitalismo de Estado. O leitor, no entanto, acha tudo muito abstrato. Para ele, a China inteira - a Cultura milenar, o sangue inocente derramado pelas Revoluções - tem a feição exata do vendedor de Yakissoba que fornece refeições por preços módicos nas esquinas sujas de toda cidade.
Como São Tomé, o homem médio só crê realmente no que pode ver. Para ele, o universo é simples como o contorno limpo e bem definido das caricaturas mais engraçadas. A guerra do Vietnã será sempre citada, um exemplo clássico: Só teve fim quando entrou na sala de estar das famílias americanas. A televisão usou soldados mutilados para vender anúncios em horário nobre. Até hoje, alguns minutos nas grandes redes de TV custam os olhos da cara.
Quando a razão falha, o preconceito abunda. Em post no Twitter, o ministro Weintraub pretendeu fazer graça com o português dos chineses residentes no Brasil. Assim, reafirmaria a sua filiação à ala mais delirante do governo Bolsonaro. De fato, há uma disputa comercial em curso, travada entre Estados Unidos e China, matéria prima das teorias da conspiração mais alucinadas. Segundo a última, o coronavírus foi criado em um laboratório chinês, a fim de sabotar a economia mundial.
É triste, mas o ministro  Weintraub é apenas mais um. Muita gente é capaz de acreditar, sim, em um vírus de olhos puxados. O sujeito pensa na China e evoca a imagem de milhões de cidadãos com o mesmo rosto. Ignorante todo, eu desconfio que, bem de perto, eles não são tão parecidos assim. Apesar de Mao Tsé-Tung e de todos os pesares.

Rian Santos

Cá, na banda ocidental do mundo, a Chi na é só uma miragem. Os jornais fornecem todos os dados acessíveis sobre a nova potência industrial, governada com mão de ferro, dada a sopapos, sob os desígnios um tanto confusos do tal capitalismo de Estado. O leitor, no entanto, acha tudo muito abstrato. Para ele, a China inteira - a Cultura milenar, o sangue inocente derramado pelas Revoluções - tem a feição exata do vendedor de Yakissoba que fornece refeições por preços módicos nas esquinas sujas de toda cidade.
Como São Tomé, o homem médio só crê realmente no que pode ver. Para ele, o universo é simples como o contorno limpo e bem definido das caricaturas mais engraçadas. A guerra do Vietnã será sempre citada, um exemplo clássico: Só teve fim quando entrou na sala de estar das famílias americanas. A televisão usou soldados mutilados para vender anúncios em horário nobre. Até hoje, alguns minutos nas grandes redes de TV custam os olhos da cara.
Quando a razão falha, o preconceito abunda. Em post no Twitter, o ministro Weintraub pretendeu fazer graça com o português dos chineses residentes no Brasil. Assim, reafirmaria a sua filiação à ala mais delirante do governo Bolsonaro. De fato, há uma disputa comercial em curso, travada entre Estados Unidos e China, matéria prima das teorias da conspiração mais alucinadas. Segundo a última, o coronavírus foi criado em um laboratório chinês, a fim de sabotar a economia mundial.
É triste, mas o ministro  Weintraub é apenas mais um. Muita gente é capaz de acreditar, sim, em um vírus de olhos puxados. O sujeito pensa na China e evoca a imagem de milhões de cidadãos com o mesmo rosto. Ignorante todo, eu desconfio que, bem de perto, eles não são tão parecidos assim. Apesar de Mao Tsé-Tung e de todos os pesares.

 


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