Valadares Filho: de líder político a cabo eleitoral de delegada

Gilvan Manoel


  • Escultura em cerâmica do artista Beto Pesão

 

O ex-deputado federal Valadares Fi
lho (PSB) jogou a toalha. Desistiu 
da sua carreira política. Ao aceitar a condição de pré-candidato a vice-prefeito na chapa da delegada Danielle Garcia (Cidadania), o ex-deputado dá sinais de que não almeja mais nada na política sergipana.
De protagonista passou a mero coadjuvante. Foi uma demonstração clara de que não aposta mais no seu cacife político, depois de três derrotas seguidas para cargos majoritários e a aposentadoria forçada do seu pai, o ex-senador Valadares, após 24 anos seguidos de mandato.
Valadares Filho foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2006, com apenas 26 anos, com mais de 85 mil votos, sendo reeleito em 2010 e 2014, sempre com votações expressivas. Concluiu o curso de bacharel em Administração de Empresas enquanto exercia o mandato e nunca exerceu a sua formação. Sua profissão sempre foi 'deputado'.
Apesar de parecer um gesto de desprendimento, a condição de pré-candidato a vice-prefeito é na verdade uma confissão de fracasso. Perdeu as eleições de 2012 para João Alves Filho, tendo em seu palanque o então governador Marcelo Déda, Jackson Barreto e o prefeito Edvaldo Nogueira; em 2016 rompeu com o grupo para disputar mais uma vez a eleição da PMA contra Edvaldo, o escolhido pelo então governador JB e surpreendeu, quando venceu o primeiro turno, sendo derrotado por 12 mil votos no segundo turno. Até então, as derrotas não abalavam tanto, porque continuava com mandato de deputado federal.
Em 2018, Valadares Filho levou o pai ao maior erro político de sua longa carreira, com mandato sucessivos desde 1966 quando foi eleito prefeito de Simão Dias. Como o seu antigo grupo político havia escolhido o ex-pupilo Belivaldo Chagas para disputar o governo, o PSB decidiu bater de frente e lançou candidato próprio.
Valadares Filho disputou o governo tendo o pai como candidato ao quarto mandato de senador. A dobradinha pai e filho como candidatos majoritários não foi aceita pelo eleitorado e os dois perderam a eleição, praticamente implodindo o PSB sergipano. Ao contrário das derrotas para a PMA, ao perder o governo nas eleições gerais, Valadares Filho também perdeu o mandato de deputado federal.
Os Valadares sempre cuidaram do PSB como se fosse uma propriedade familiar. O deputado estadual Luciano Pimentel aguarda apenas a janela partidária para trocar de legenda e o vereador de Aracaju Lucas Aribé aproveitou essa oportunidade em abril e deixou o PSB. O partido mantém apenas o vereador Élber Batalha Filho, aliado histórico da família. Mesmo assim o seu pai Élber Batalha, que foi suplente de senador, rompeu com os Valadares em 2018.
Valadares Filho não tinha a obrigação de disputar a prefeitura de Aracaju este ano. Poderia simplesmente levar o PSB para uma aliança preparando o caminho para as eleições de 2022, quando poderia voltar a disputar vaga para a Câmara Federal ou mesmo o governo do estado, desta vez sem o incomodo de ter o próprio pai na chapa como candidato a senador.
Ao optar pela condição de pré-candidato a vice-prefeito da delegada Danielle, Valadares Filho fica refém do grupo do senador Alessandro Vieira, que derrotou o seu pai em 2018. Com mais quatro anos de mandato garantido, em 2022 Alessandro é candidato a governador independente do desempenho eleitoral da chapa de Danielle. Para Valadares Filho, no entanto, nem a vitória como vice-prefeito fará com que ele se sinta de fato vencedor.
A exemplo da eleição de vereador neste ano, em 2022 os partidos não poderão firmar coligações proporcionais - para deputado estadual e deputado federal - e terão que apresentar chapas próprias. Uma das explicações de Valadares Filho para justificar a condição de candidato a vice-prefeito era a formação de um novo grupo político visando as eleições gerais, quando tem o objetivo de tentar novo mandato de deputado federal.
Sem a possibilidade de coligação proporcional, Valadares Filho teria é que começar desde já um trabalho para fortalecer o PSB para 2022. A opção de ser coadjuvante no processo eleitoral da capital liquida todo o seu cacife político e ele não terá tempo de percorrer o estado tentando ajudar os candidatos do seu partido.
A eleição de Danielle Garcia representará a vitória do Cidadania e do senador Alessandro Vieira. Valadares Filho poderá até ter o emprego de vice-prefeito, mas perderá a condição de liderança política e terá que continuar a reboque do partido dos delegados. E pode até perder o comando do PSB sergipano.

O ex-deputado federal Valadares Fi lho (PSB) jogou a toalha. Desistiu  da sua carreira política. Ao aceitar a condição de pré-candidato a vice-prefeito na chapa da delegada Danielle Garcia (Cidadania), o ex-deputado dá sinais de que não almeja mais nada na política sergipana.
De protagonista passou a mero coadjuvante. Foi uma demonstração clara de que não aposta mais no seu cacife político, depois de três derrotas seguidas para cargos majoritários e a aposentadoria forçada do seu pai, o ex-senador Valadares, após 24 anos seguidos de mandato.
Valadares Filho foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2006, com apenas 26 anos, com mais de 85 mil votos, sendo reeleito em 2010 e 2014, sempre com votações expressivas. Concluiu o curso de bacharel em Administração de Empresas enquanto exercia o mandato e nunca exerceu a sua formação. Sua profissão sempre foi 'deputado'.
Apesar de parecer um gesto de desprendimento, a condição de pré-candidato a vice-prefeito é na verdade uma confissão de fracasso. Perdeu as eleições de 2012 para João Alves Filho, tendo em seu palanque o então governador Marcelo Déda, Jackson Barreto e o prefeito Edvaldo Nogueira; em 2016 rompeu com o grupo para disputar mais uma vez a eleição da PMA contra Edvaldo, o escolhido pelo então governador JB e surpreendeu, quando venceu o primeiro turno, sendo derrotado por 12 mil votos no segundo turno. Até então, as derrotas não abalavam tanto, porque continuava com mandato de deputado federal.
Em 2018, Valadares Filho levou o pai ao maior erro político de sua longa carreira, com mandato sucessivos desde 1966 quando foi eleito prefeito de Simão Dias. Como o seu antigo grupo político havia escolhido o ex-pupilo Belivaldo Chagas para disputar o governo, o PSB decidiu bater de frente e lançou candidato próprio.
Valadares Filho disputou o governo tendo o pai como candidato ao quarto mandato de senador. A dobradinha pai e filho como candidatos majoritários não foi aceita pelo eleitorado e os dois perderam a eleição, praticamente implodindo o PSB sergipano. Ao contrário das derrotas para a PMA, ao perder o governo nas eleições gerais, Valadares Filho também perdeu o mandato de deputado federal.
Os Valadares sempre cuidaram do PSB como se fosse uma propriedade familiar. O deputado estadual Luciano Pimentel aguarda apenas a janela partidária para trocar de legenda e o vereador de Aracaju Lucas Aribé aproveitou essa oportunidade em abril e deixou o PSB. O partido mantém apenas o vereador Élber Batalha Filho, aliado histórico da família. Mesmo assim o seu pai Élber Batalha, que foi suplente de senador, rompeu com os Valadares em 2018.
Valadares Filho não tinha a obrigação de disputar a prefeitura de Aracaju este ano. Poderia simplesmente levar o PSB para uma aliança preparando o caminho para as eleições de 2022, quando poderia voltar a disputar vaga para a Câmara Federal ou mesmo o governo do estado, desta vez sem o incomodo de ter o próprio pai na chapa como candidato a senador.
Ao optar pela condição de pré-candidato a vice-prefeito da delegada Danielle, Valadares Filho fica refém do grupo do senador Alessandro Vieira, que derrotou o seu pai em 2018. Com mais quatro anos de mandato garantido, em 2022 Alessandro é candidato a governador independente do desempenho eleitoral da chapa de Danielle. Para Valadares Filho, no entanto, nem a vitória como vice-prefeito fará com que ele se sinta de fato vencedor.
A exemplo da eleição de vereador neste ano, em 2022 os partidos não poderão firmar coligações proporcionais - para deputado estadual e deputado federal - e terão que apresentar chapas próprias. Uma das explicações de Valadares Filho para justificar a condição de candidato a vice-prefeito era a formação de um novo grupo político visando as eleições gerais, quando tem o objetivo de tentar novo mandato de deputado federal.
Sem a possibilidade de coligação proporcional, Valadares Filho teria é que começar desde já um trabalho para fortalecer o PSB para 2022. A opção de ser coadjuvante no processo eleitoral da capital liquida todo o seu cacife político e ele não terá tempo de percorrer o estado tentando ajudar os candidatos do seu partido.
A eleição de Danielle Garcia representará a vitória do Cidadania e do senador Alessandro Vieira. Valadares Filho poderá até ter o emprego de vice-prefeito, mas perderá a condição de liderança política e terá que continuar a reboque do partido dos delegados. E pode até perder o comando do PSB sergipano.

Edvan Amorim com Danielle

Ao ser questionada por receber o apoio de políticos tradicionais no dia em que anunciou Valadares Filho como candidato a vice-prefeito, semana passada, a delegada Danielle Garcia disse que não está preocupada com uma nova política, "mas com a boa política, formada por pessoas ficha limpa, por pessoas de bem e bem intencionadas". Um dos partidos que já confirmou aliança com o Cidadania é o PL, liderado no estado por Edvan Amorim, sem necessidade de apresentação.

Danielle e Valadares Filho lançaram o documento "União e compromisso por Aracaju", onde apresentam propósitos durante a aliança: "Combater incansavelmente a corrupção; não admitir a presença de fichas sujas nas equipes da gestão; montar um time de profissionais altamente capacitados e qualificados; não lotear nenhuma secretaria ou órgão a nenhum partido político; não direcionar contratação de serviços aos interesses políticos; atuar com ética e zelo pelo bem público; ser pautado exclusivamente pelo interesses da sociedade; fazer uma gestão eficiente e com políticas públicas voltadas ao bem estar do nosso povo e ao desenvolvimento sustentável da cidade; e executar uma gestão transparente, com a implementação de regras claras de compliance e auditoria interna permanente".

Bolsonaro em Sergipe

A informação é do deputado federal Laércio Oliveira: o presidente Jair Bolsonaro deverá cumprir agenda em Sergipe no próximo dia 17 de agosto. Os detalhes para a visita teriam sido acertados pelo deputado com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

O presidente participaria da inauguração da termoelétrica Porto de Sergipe da Celse e do primeiro terminal de GNL privado do País.

Eleitorado

Dados divulgados na quarta-feira (5) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 147.918.483 eleitores brasileiros estão aptos a votar nas Eleições 2020. Esses eleitores vão eleger novos prefeitos e vereadores em 5.569 municípios espalhados pelo país no pleito marcado para o dia 15 de novembro. Apenas o Distrito Federal e Fernando de Noronha não participam das eleições municipais. Os eleitores brasileiros que estão registrados para votar no exterior também não participam desse pleito, uma vez que o voto em trânsito só ocorre nas eleições gerais.

O estado de Sergipe tem 1.610.407 eleitores aptos a votar nas eleições municipais, ou 1.09% do eleitorado brasileiro. Aracaju possui 404.901 eleitores e é o único município do estado onde poderá haver segundo turno - mais de 200 mil eleitores. O segundo município com maior número de eleitores é Nossa Senhora do Socorro, com 109.118 eleitores registrados.

O eleitorado com deficiência duplicou no país: enquanto em 2016 os eleitores com deficiência eram 598.314, neste ano, 1.158.234 declararam necessitar de algum tipo de atendimento especial. Houve, portanto, uma evolução de 93,58% de eleitores com deficiência que pretendem votar este ano. Importante destacar que os dados consideram a declaração do cidadão no momento em que se registrou como eleitor, ou seja, não significa que houve um aumento de pessoas com deficiência.

Sem amarras com a Educação

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) apresentou sexta-feira (7) ao ministro da Economia, Paulo Guedes, uma pauta de reivindicações que inclui a possibilidade de flexibilização na aplicação do mínimo constitucional em educação em 2020. Pela Constituição Federal, estados e municípios devem investir, no mínimo, 25% das receitas provenientes de impostos e transferências a cada ano no setor. Como a crise econômica decorrente da pandemia de covid-19 derrubou a arrecadação tributária, os gestores municipais alegam dificuldades para cumprir com os pagamentos. 

"Defendemos uma legislação, de forma excepcional, que considere os gastos em educação tudo aquilo que foi empenhado, e não somente o que foi pago, como a lei determina", disse o prefeito de Teresina (PI), Firmino Filho, vice-presidente da FNP, em entrevista a jornalistas após a reunião com o ministro. "A gente não quer que os municípios deixem de investir [em educação]. Aquilo que for empenhado em 2020 vai ser cumprido no exercício financeiro dos anos seguintes, incluídos em restos a pagar".

Segundo o prefeito, uma cláusula transitória poderia ser incluída na discussão sobre o novo pacto federativo, em tramitação no Congresso Nacional. A FNP representa as capitais dos estados e as cidades com mais de 80 mil habitantes, cerca de 400 municípios (no universo de 5.570) que concentram 60% da população e 75% da atividade econômica.

Além de prorrogar os pagamentos na área de educação, os prefeitos também querem suspender o pagamento dos precatórios (dívidas determinadas em processos judiciais). "Levantamos a necessidade de debatermos a suspensão de pagamentos de precatórios, que estão empossados nos Tribunais de Justiça, por causa da debilidade financeira das prefeituras. O objetivo é que os municípios médios possam ter novo prazo para cumprir esses precatórios de 2020", argumentou o prefeito.

Durante a reunião com Guedes, os representantes da FNP defenderam que o Imposto sobre Serviços (ISS), que é um tributo municipal, fique de fora da reforma tributária em andamento no Legislativo. O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, também participou da reunião virtual com o ministro.

Com agências


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