Quase 500 famílias vivem em lonas à beira de rodovia

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Publicada em 12/06/2012 às 21:48:00

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Muitas lonas estão abrigando 457 famílias na ocupação Vitória da Ilha, na Barra dos Coqueiros. As famílias ligadas ao Movimento Organizado de Trabalhadores Urbanos (Motu) desde a última quarta-feira, dia 6, estão concentradas em uma área pública.
A ocupação ocorreu após uma decisão judicial liberar o despejo das famílias de uma área particular localizada no litoral do mesmo município, onde estavam há dois meses. Sem ter para onde ir, as famílias decidiram transferir o acampamento para um outro terreno localizado às margens da SE 100, bem próximo ao acesso da Atalaia Nova, na Barra dos Coqueiros. Em todo o estado, o Motu acredita que há 1.800 famílias mobilizadas na luta por acesso à moradia.
De acordo com um dos organizadores do Motu, Luiz Mário de Santana Santos, todas as 457 famílias são da Barra dos Coqueiros. Desse total, 190 são crianças de zero a 14 anos. "São crianças, jovens, adultos, idosos e até pessoas com algum tipo de deficiência. Famílias que moravam com algum parente, de aluguel e até em barracos. Todos com um único objetivo de  lutar pela sua moradia", contou.

Contato - Até o final da tarde de ontem, segunda-feira, o movimento não havia sido procurado pela Prefeitura da Barra dos Coqueiros. "Procuramos pautar o que é de direito das famílias e moradia urbana é um direito de todo cidadão, diz a constituição. Mas a prefeitura não dialoga conosco, nem sequer apareceu ainda", relata ele.
Segundo Luiz Mário, a nova área ocupada já foi declarada de interesse público para fins de construção de moradias populares. Só estaria faltando  a iniciativa da Prefeitura da Barra dos Coqueiros em efetuar o pagamento ao antigo proprietário. Ele contou ainda que a área daria para atender todas as famílias, desde que fossem construídos apartamentos.
Ele ainda denuncia que já identificou uma área onde serão construídas 28 casas. "Elas não devem ser para atender quem de fato precisa, pois o déficit habitacional da cidade é muito maior. Essas casas devem ser para beneficiar outras pessoas, geralmente que já possuem casa própria", denunciou Luiz.

Prefeitura - A assessoria de comunicação da Prefeitura da Barra dos Coqueiros nega o procedimento. A prefeitura reconhece que o processo para desapropriação com o objetivo de construção de 560 moradias populares foi iniciado, mas que não teve continuidade por se tratar de uma área pequena, insuficiente para erguer aquele quantitativo de imóveis.
Foi informado ainda que a prefeitura não permitirá invasões de áreas públicas e que as 560 unidades habitacionais que serão erguidas pela prefeitura com a parceria do Governo Federal contemplarão apenas famílias que residiam nas invasões da Portelinha, da Atalainha e do Canal do Guaxinim, que já estão devidamente cadastradas pela prefeitura. Essas famílias que estão atualmente no terreno nunca residiram na Barra", informou a nota enviada pela assessoria.