Iran vai disputar vaga para Câmara Federal

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
O vereador Iran Barbosa
O vereador Iran Barbosa

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 23/03/2013 às 02:48:00

Chico Freire
chicofreire@jornaldodiase.com.br

Em entrevista ao Jornal do Dia, o vereador Iran Barbosa (PT), que já foi deputado federal, diz que é pré-candidato a deputado federal pela tendência Articulação de Esquerda, nas eleições de 2014 e que terá também a deputada estadual Ana Lúcia, concorrendo a reeleição.

Iran também deixa claro sua posição contraria a uma possível aliança PT/DEM para as eleições de 2014 e reage duramente quando é questionado sobre o silêncio da bancada de oposição na Câmara de Aracaju e na Assembleia Legislativa, devido uma possível aliança PT/DEM para 2014.
Leia a integra da entrevista do vereador Iran Barbosa.

Jornal do Dia - O senhor é candidato a deputado federal nas eleições de 2014 pela Tendência Articulação de Esquerda?
Iran Barbosa - A Articulação de Esquerda já definiu que terá nomes a apresentar ao Partido dos Trabalhadores para a disputa eleitoral de 2014 para concorrer a deputado federal e estadual. Eu sou pré-candidato a deputado federal e a companheira Ana Lúcia, pré-candidata a deputada estadual. Essa foi uma das decisões da nossa última plenária estadual, realizada na quarta-feira, dia 20 de março.

JD - Como é que o senhor está acompanhando essa movimentação de uma possível aliança PT/DEM?
Iran - Primeiro é preciso identificar de onde parte essa movimentação e quem a está fazendo. Até o momento o Partido dos Trabalhadores de Sergipe, nem em suas instâncias estaduais nem nas instâncias municipais, pautou esse tipo de discussão. A minha opinião quanto a esse debate é que ele não tem a mínima condição de prosperar entre os petistas. Não sinto nenhum clima ou condição política para instalar esse tipo de aliança dentro do Partido dos Trabalhadores. Nós acabamos de sair de um processo eleitoral em que o PT e o DEM estiveram em campos opostos. Nada mudou neste curto espaço de tempo.

Historicamente, as posições eleitorais dos dois partidos são de oposição entre si. Ideologicamente, os programas, as pautas e as bandeiras das duas siglas partidárias apontam para a construção de projetos distintos e antagônicos entre si. As últimas decisões das instâncias deliberativas do PT, tanto em âmbito nacional como em nível local, em Aracaju, foram no sentido de reafirmar que o DEM se constitui em um adversário histórico do Partido dos Trabalhadores. Não vejo nenhuma possibilidade de qualquer aliança estratégica e/ou tática com os Democratas. De minha parte, defendo que o Partido dos Trabalhadores precisa reafirmar, fortalecer e estimular a aliança com os movimentos sociais e com o povo de luta. Qualquer um que olhar para a realidade de Sergipe verá que há uma ebulição social quer seja na grita por transporte público de qualidade; na luta pelo direito à moradia; na defesa da democratização dos meios de comunicação e da liberdade de imprensa; na ampliação dos direitos dos trabalhadores, inclusive os domésticos; na luta pelos direitos humanos... É com esses setores, é com essas bandeiras e lutas que o PT tem que se aliar. Nunca com partidos que sempre estiveram na contramão dessas pautas sociais.

JD - É essa movimentação que tem calado a bancada de oposição ao prefeito João Alves Filho na Câmara e a bancada de situação na AL?
Iran - Considero essa pergunta uma afronta à minha posição na Câmara Municipal de Aracaju. Eu integro a oposição na Câmara Municipal! Não votei na chapa que dirige a Mesa Diretora da Câmara, que é presidida por um Democrata; fiz um intenso debate sobre a forma e o conteúdo da realização da convocação extraordinária do parlamento municipal da capital provocada pelo prefeito; debati intensamente as propostas apresentadas por ele, propondo emendas e votando contra aquilo que entendia ser prejudicial ao povo de Aracaju; ocupei os meios de comunicação que abriram espaço para defender minhas posições e criticar o modo autoritário como se revogou a gestão democrática na rede de ensino municipal, por iniciativa de João Alves; tenho cobrado sistematicamente, do prefeito, o reajuste dos servidores municipais e a revisão do Piso Salarial do Magistério; votei contra a retirada do Plano Diretor e dos Códigos a ele ligados, solicitada pelo prefeito; disputei vagas nas comissões temáticas permanentes da Câmara Municipal, na condição de vereador de oposição e não calei em nenhum momento frente ao papel que me foi delegado pelo povo de Aracaju. Se essa movimentação existe, quem tem que falar por ela é quem a está fazendo. Se há silêncio de qualquer setor que integra a oposição frente ao atual governo municipal, ele que responda pelo seu silêncio. Eu sigo afirmando: Não defendo nem a mais remota possibilidade de aliança entre o PT e o DEM e sou um vereador de oposição na capital. Isto não é apenas uma declaração. É uma convicção! Considero que a minha história, os meus posicionamentos e a minha prática como homem público são completamente coerentes com esta convicção. Ninguém que acompanha os fatos da minha atuação política pode dizer o contrário. Se disser, mente e não pode provar.

JD - Sendo definida a aliança PT/DEM para as eleições de 2014 como vai se comportar o seu grupo?
Iran - O meu grupo se comporta desde sempre contrário a essa aliança. Fomos contrários a outras alianças e fomos derrotados. A história provou que estávamos certos. Quando se discutiu, dentro do PT, a aliança com o grupo dos Amorins nós tivemos posicionamento interno e público contra aquela aliança. Fomos derrotados dentro do partido. Mas o tempo nos garantiu a vitória no desfecho histórico. Hoje ficam mais do que evidenciadas as posições opostas. Somos contrários a qualquer aliança com o DEM!

JD - Por que os professores municipais calaram com a reforma na Educação aprovada pela Câmara?
Iran - Eu sou professor municipal e não me calei! Participei de plenárias, de assembleias. Discuti com a categoria e informei que não apresentaria emendas ao Projeto, pois não havia como salvá-lo. Debati intensamente o seu conteúdo nos meios de comunicação e na tribuna da Câmara, demarcando posição bem definida contra o mesmo. Elaborei material de análise comparativa entre o modelo atualmente vigente de gestão e o proposto pela atual administração, mostrando o retrocesso que esse último representa.

Apresentei dados que colocaram a atual secretária de educação numa posição desconfortável para debater os resultados do IDEB, em função de seus antecedentes administrativos. Votei contra o citado projeto. Propus e consegui a aprovação de moções repudiando essa iniciativa e continuo enfrentando essa perversa atitude do início do governo João Alves Filho em Aracaju. Se há alguém que não pode ser acusado de ter ficado em silêncio frente a tamanho desrespeito a essa conquista histórica dos aracajuanos, sou eu... E eu sou professor municipal. Se alguém silenciou é preciso direcionar essa pergunta para quem cometeu esse ato de omissão.

JD - O senhor defende a candidatura de Jackson Barreto (PMDB) ao governo do Estado?
Iran - Eu defendo que o Partido dos Trabalhadores discuta internamente os caminhos para a próxima eleição. Reconheço legitimidade no atual vice-governador para se posicionar nessa disputa. Mas quero ver o meu partido se posicionando de forma ativa frente a esse debate.