Servidor acusado de pedofilia ficará preso na BA

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Publicada em 22/06/2012 às 11:23:00

O funcionário comissionado da Assembleia Legislativa Osmar Santos Lisboa, 39 anos, acusado de abuso sexual contra cinco garotos menores de 14 anos, vai ficar preso na Delegacia Regional de Alagoinhas (BA), onde responderá ao processo aberto contra ele na comarca de Acajutiba (BA), cidade próxima à divisa com Sergipe. Ele foi detido nesta terça-feira no bairro Santos Dumont (zona norte de Aracaju) por policiais civis do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), cumprindo ordem de prisão temporária expedida pela Justiça baiana.
Ontem, policiais de Alagoinhas estiveram na sede do Cope para transferir o acusado e recolher os computadores, fotos e documentos apreendidos na casa do acusado, que mora na Barra dos Coqueiros, e na sede da "Associação Esportiva Onze Estrelas", localizada no Santos Dumont, onde Osmar foi preso. Além da "Onze Estrelas, criada em 2008, o acusado implantou a ONG "Projeto São Caetano da Bahia" em Acajutiba, desde março deste ano. Ambas mantinham escolhinhas de futebol voltadas para crianças e adolescentes das duas cidades.
A prisão foi pedida pelo Ministério Público local, que investigou as denúncias sobre as ONGs do servidor da Assembléia. O promotor da comarca de Acajutiba, Pablo Antônio Cordeiro de Almeida, disse ao JORNAL DO DIA que as denúncias de pedofilia chegaram de forma anônima ao Conselho Tutelar da cidade baiana, por meio de pessoas que diziam estranhar o comportamento do acusado. "As autoridades estavam acompanhando o projeto desde quando ele entrou na cidade e em maio, quando o Conselho Tutelar recebeu a denúncia anônima, ele passou a entrar em contato com os jovens atendidos pelo projeto e eles fizeram relatos de abuso sexual", disse Pablo.
O inquérito do MP foi aberto em 11 de julho deste ano a partir do relatório do Conselho Tutelar de Acajutiba. A partir daí, três adolescentes foram ouvidos e confirmaram ao promotor, durante depoimentos, que foram molestados pelo líder das ONGs. Chegou-se também a outros dois adolescentes de Aracaju que foram, segundo o promotor, violentados na sede da "Onze Estrelas", uma casa alugada no Santos Dumont. Após a confirmação das provas, Pablo pediu a prisão temporária dele. "Nós entendemos que seria necessária a prisão do senhor Osmar para aprofundar as investigações e avaliamos que a permanência dele em liberdade as atrapalharia", afirmou o promotor.
Almeida acredita que outras crianças já atendidas pelas duas ONGs também podem ter sido violentadas pelo acusado, e que outras denúncias podem ser feitas nesse sentido, a partir da divulgação do caso na imprensa sergipana. "Nosso objetivo não é execrar publicamente a imagem do senhor Osmar. Não é isso que o Ministério Público quer, mas avaliamos que ele pode ter cometido outros abusos por ter atuado em Aracaju desde 2008. Pedimos até que os pais conversem com seus filhos que passaram por esse projeto para que eles perguntem a respeito do comportamento do 'professor Osmar' e se sintam estimulados a denunciar", alertou o promotor da Bahia.
Osmar Lisboa já foi candidato a vereador na Barra dos Coqueiros e tinha um cargo comissionado há cerca de 10 anos na Assembléia. Atualmente, ele prestava serviço na Diretoria de Imprensa e Divulgação, onde fazia o cerimonial do Espaço Cultural da Alese. Ontem, em entrevista ao Portal Infonet, a presidente da Alese, deputada Angélica Guimarães, disse que a situação do acusado está sendo avaliada. "Até que se prove o contrário, não se pode dizer que a pessoa está condenada", disse, classificando o fato como "uma surpresa muito grande, porque ele vivia aqui entre nós". (Gabriel Damásio)