Política e imaginação

Geral


  • A palavra bem dita transforma

 

* Rian Santos
Quem ouve um sin-
dicalista tupini-
quim gritando palavras de ordem cedo ou tarde é vencido pelo enfado. Trios elétricos, camisetas baratas e bandeiras encardidas encerram o repertório da resistência made in Brasil. É assim desde a geração Cara Pintada. Muito barulho, nenhum pensamento. A esquerda de hoje acredita que pode impor a sua visão de mundo no grito.
Não deixa de ser uma manifestação de pobreza estética e intelectual, um fenômeno com fim estritamente midiático e transmissão em tempo real, via streaming. Importa levar milhares às ruas, gerar imagens vazias e grandezas de números. A mobilização em torno de causas legítimas já não ultrapassa o espetáculo.
Sem o lastro de uma formulação humanística, as lutas que interessam às classes trabalhadoras, em curso no Brasil de agora, já começam perdidas, fadadas ao fracasso. O maio de 68 francês não ensinou nada às esquerdas da banda de cá. Ninguém reclama a imaginação no poder. A única exceção, talvez, tenha ficado por conta da rechaçada miseènscene Black Block. Havia a consciência de um teatro no rosto coberto, no gesto inofensivo de quebrar uma vidraça. Na violência inútil dos vestidos de preto, um pronunciamento carregado de subjetividade. 
A esquerda Serigy, sindicalistas e que tais, precisa encerrar a conta no Facebook e frequentar o Cine Vitória, assim que a sala de cinema abrir as portas. Em filmes como o documentário 'Eu não sou seu negro', do qual recordei por ocasião do Dia da Consciência Negra, um convite à reflexão. As pregações de Martin Luther King provam que a palavra bem dita emociona, mobiliza e, finalmente, transforma.
Eu não sou seu negro - Narrado por Samuel L. Jackson, o documentário realiza uma reflexão sobre a realidade do povo negro nos Estados Unidos. A retórica poderosa de um dos maiores escritores já nascidos, sob uma perspectiva histórica das mais acuradas.
Em 1979, James Baldwin iniciou seu último livro, 'RememberThisHouse', relatando as vidas e assassinatos dos lideres ativistas que marcaram a história social e politica americana: MedgarEvers, Malcolm X e Martin Luther King Jr.
Infelizmente, vencido por um cancro, o escritor não teve tempo de completar o trabalho. Mas o manuscrito inacabado foi confiado ao diretor Raoul Peck, que combina esse material com um rico arquivo de imagens dos movimentos Direitos Civis e Black Power, conectando essas lutas históricas por justiça e igualdade com os movimentos atuais que ainda clamam os mesmos direitos, sem negligenciar a emoção.
Resultado: uma obra prima!
* Rian Santosé jornalista.

* Rian Santos

Quem ouve um sin- dicalista tupini- quim gritando palavras de ordem cedo ou tarde é vencido pelo enfado. Trios elétricos, camisetas baratas e bandeiras encardidas encerram o repertório da resistência made in Brasil. É assim desde a geração Cara Pintada. Muito barulho, nenhum pensamento. A esquerda de hoje acredita que pode impor a sua visão de mundo no grito.
Não deixa de ser uma manifestação de pobreza estética e intelectual, um fenômeno com fim estritamente midiático e transmissão em tempo real, via streaming. Importa levar milhares às ruas, gerar imagens vazias e grandezas de números. A mobilização em torno de causas legítimas já não ultrapassa o espetáculo.
Sem o lastro de uma formulação humanística, as lutas que interessam às classes trabalhadoras, em curso no Brasil de agora, já começam perdidas, fadadas ao fracasso. O maio de 68 francês não ensinou nada às esquerdas da banda de cá. Ninguém reclama a imaginação no poder. A única exceção, talvez, tenha ficado por conta da rechaçada miseènscene Black Block. Havia a consciência de um teatro no rosto coberto, no gesto inofensivo de quebrar uma vidraça. Na violência inútil dos vestidos de preto, um pronunciamento carregado de subjetividade. 
A esquerda Serigy, sindicalistas e que tais, precisa encerrar a conta no Facebook e frequentar o Cine Vitória, assim que a sala de cinema abrir as portas. Em filmes como o documentário 'Eu não sou seu negro', do qual recordei por ocasião do Dia da Consciência Negra, um convite à reflexão. As pregações de Martin Luther King provam que a palavra bem dita emociona, mobiliza e, finalmente, transforma.

Eu não sou seu negro - Narrado por Samuel L. Jackson, o documentário realiza uma reflexão sobre a realidade do povo negro nos Estados Unidos. A retórica poderosa de um dos maiores escritores já nascidos, sob uma perspectiva histórica das mais acuradas.
Em 1979, James Baldwin iniciou seu último livro, 'RememberThisHouse', relatando as vidas e assassinatos dos lideres ativistas que marcaram a história social e politica americana: MedgarEvers, Malcolm X e Martin Luther King Jr.
Infelizmente, vencido por um cancro, o escritor não teve tempo de completar o trabalho. Mas o manuscrito inacabado foi confiado ao diretor Raoul Peck, que combina esse material com um rico arquivo de imagens dos movimentos Direitos Civis e Black Power, conectando essas lutas históricas por justiça e igualdade com os movimentos atuais que ainda clamam os mesmos direitos, sem negligenciar a emoção.
Resultado: uma obra prima!

* Rian Santosé jornalista.

 


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