Fome e sede dominam o sertão sergipano

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Publicada em 10/04/2013 às 11:48:00

Monique Oliveira
moniqueoliveira@jornaldodiase.com.br

"Os sertanejos entraram em desespero por ver suas vaquinhas morrendo de fome e sede. Vendo a única fonte de sustento de sua família acabar sem poder fazer nada". O desabafo é de Gilvan Alves de Melo, presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Barra da Onça, em Poço Redondo, distante 170 quilômetros da capital sergipana. De acordo com o trabalhador, já são três anos sem inverno e sem conseguir lucro com a safra do milho, do feijão e da mandioca.

"Os sertanejos estão vendo seus filhos passarem fome. Não conseguimos acessar o crédito de emergência, junto ao Banco do Nordeste por causa do Programa da Terra. Até o milho da Conab que o Governo prometeu não chegou ao pequeno produtor, mais uma vez, por causa da burocracia. Estamos cansados e desacreditados de tantas promessas que não se cumprem", afirmou Gilvan Melo.

Ele disse ainda que onde os sertanejos deveriam comprar o milho da Conab por R$ 18,12 tem que comprar a R$ 55 ao atravessador ou no comércio local. "Se o produtor tiver como, tem que comprar ao atravessador ou no comércio. Isso é vergonhoso e há muito tempo venho denunciando a falta de compromisso do gestor com o pequeno produtor, o Governo liberou R$ 6 milhões para a compra de ração para os animais e até agora nada. Para completar, um técnico da Emdagro passou 40 dias fazendo um levantamento sem fundamento, pois diz que os municípios atingidos pela seca têm rolão de milho e palma forrageira , e isso não é verdade porque até o xique-xique, única fonte de renda, está se acabando no Sertão", relatou.
O presidente da associação contou ainda que os comerciantes estão fechando as portas e os sertanejos migrando a outras cidades à procura de emprego. "Só agora perceberam que a maior economia desse estado é a vaca leiteira. É com muito sofrimento que relato a triste situação de ver meus irmãos sertanejos passando fome. O gado acabou. Aqui, mais de 80% do rebanho morreu. Eu mesmo tinha 79 cabeças de gado e hoje tenho apenas sete. Estamos sendo obrigados a vender tudo porque não temos a ajuda necessária do Governo", lamentou o agricultor.

O presidente da associação voltou a afirmar que as cestas de alimentos e a água distribuída pelo Exército e Defesa Civil não estão sendo suficientes para atender as necessidades dos sertanejos. "Só em Poço Redondo temos mais de oito mil famílias passando fome e sede. Essas 3600 cestas não são suficientes nem para amenizar o sofrimento dos sertanejos", afirmou o trabalhador.
Gilvan Alves relatou que essa é a pior seca dos últimos tempos, onde a pessoas de Poço Redondo e de assentamentos como Barra da Onça, Queimada Grande, Rancho Velho, Risada, Monte Alegre Velho, Novo Paraíso, Areias e todos que ficam às margens do rio São Francisco estão sobrevivendo em situações desumanas.