Rodoviários rejeitam proposta do Setransp e defendem reajuste de tarifa

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Publicada em 10/04/2013 às 11:49:00

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Motoristas e cobradores que operam o sistema público de transporte de Aracaju rejeitaram ontem a proposta de reajuste salarial feita por donos de empresas de ônibus. Na próxima sexta-feira, 12, a categoria volta a se reunir para discutir indicativo de greve, que deve ocorrer na semana que vem, caso não haja avanços no processo de negociação.

Os encaminhamentos foram feitos ontem durante assembleia geral realizada na manhã e à tarde na loja Maçônica no bairro Leite Neto. A proposta de reajuste salarial foi apresentada pelos empresários na última segunda-feira, 8, quando houve mais uma rodada de negociação entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Aracaju (Sinttra) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp).
"Marcamos uma assembleia extraordinária para a próxima sexta-feira na Praça da Bandeira, às 9h e às 15h, tendo como principal pauta o indicativo de greve. Tomamos esta medida para que a classe empresarial reveja a proposta. Caso não chegue ao índice que os trabalhadores estão reivindicando sobre ofertas de salários e vantagens, entramos com indicativo de greve. Se isso acontecer, os ônibus param de circular a 00h de segunda-feira, dia 15 de abril", informou o presidente do Sinttra, Miguel Belarmínio da Paixão.

Na primeira rodada de negociação no mês de março, o Setransp apresentou a proposta de reajuste de 3,6% para o piso salarial e para o ticket alimentação. O valor foi rejeitado pela categoria que reivindicava pelo reajuste de 22% para o piso salarial e 32% para o ticket alimentação.

Em audiência realizada também na última segunda-feira, na Superintendência Regional do Trabalho (SRT), o Setransp ofereceu uma nova proposta no valor de 8% para o piso salarial e 10% para o ticket alimentação.
Durante audiência, a categoria baixou o reajuste salarial de 22% para 15% e 20% para o ticket alimentação. Além dos novos reajustes, o Setransp se comprometeu a retirar da próxima Convenção Coletiva a ser firmada, a cláusula que suspende o tíquete alimentação dos trabalhadores quando os mesmos apresentarem atestado médico.

Segundo Belarmino, os empresários estão sentindo dificuldades de reajustar os salários da categoria por causa de dificuldades com o congelamento da passagem. Ele disse que até a nova assembleia, quando a Câmara Municipal de Vereadores concluir a análise da planilha de custos da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTT) para aumento do preço da passagem, a classe empresarial poderá ter mais condições de definir um percentual maior de reajuste salarial, o que torna este espaço de tempo favorável ao debate entre patrões e empregados.     
"Reconhecemos que o momento é difícil, já que a tarifa é atrelada à mão-de-obra. Acreditamos no bom senso de todos para resolver este problema", disse, ao ressaltar que a conquista das reivindicações está diretamente relacionada ao aumento tarifário.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, algumas empresas beiram a falência, devido ao congelamento de dois anos da passagem de ônibus. Na avaliação de Belarmino, o aumento do valor da passagem facilitará as negociações, porque o pagamento do salário é feito por ela.
Ele também disse que o poder público tem todo o direito e dever de exigir um serviço melhor no transporte coletivo, mas que o aumento deve ser dado para garantir um novo fôlego financeiro às empresas.