Feliz ano novo

Rian Santos


  • Dedos cruzados

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A turma do dedo 
duro sentou o oti
mismo dos ingênuos no banco dos réus. Segundo a acusação na boca de uns e outros, a esperança em dias melhores ignora o mapa da fome; duzentos mil mortos pelo Covid-19;14 milhões desempregados abandonados à própria sorte. A fé dos mais crédulos atestaria um déficit de empatia crônico, em vias de dizimar populações.
Por raciocínios de tal monta, Fernando Pessoa chamou os filósofos de homens doentes. A alegria feroz dos negacionistas esclarecidos - gente que se recusa a manter o distanciamento social, mas jura cumprir todos os protocolos de segurança -, é mesmo completamente irresponsável. Quem cruza os dedos, acende velas, realiza preces e acredita piamente em votos de prosperidade, ao contrário, pode até quebrar a cara, mas não faz mal a ninguém.
Deus está vendo. O todo poderoso tem o nome e o CPF de quem foi à praia festejar o réveillon. Uma procissão de almas penadas. Mesmo sem queima de fogos, 39 toneladas de lixo foram recolhidas em Copacabana. Uma poeira, comparadas às 762 toneladas recolhidas no iníciode 2020.Um cataclismo de plástico e descartáveis,considerado o contexto de pandemia.
Copacabana, Praia Grande, Porto Seguro, Atalaia... Não se trata aqui de ir à praia, cumprir um ritual de ano novo. A questão de fundo está relacionada com a ostentação assassina de um privilégio. Quem duvida pode aguardar o Carnaval chegar.
Eu não espero muito deste ano. A vacina não chegará para todos. É certo que a vacina não chegará para mim. De todo modo, já estou no lucro. Neste janeiro insólito, após nove meses de conversas ao telefone, a minha família finalmente assumiu o risco de se abraçar.

Rian Santos

riansantos@jornaldodiase.com.br

A turma do dedo  duro sentou o oti mismo dos ingênuos no banco dos réus. Segundo a acusação na boca de uns e outros, a esperança em dias melhores ignora o mapa da fome; duzentos mil mortos pelo Covid-19;14 milhões desempregados abandonados à própria sorte. A fé dos mais crédulos atestaria um déficit de empatia crônico, em vias de dizimar populações.
Por raciocínios de tal monta, Fernando Pessoa chamou os filósofos de homens doentes. A alegria feroz dos negacionistas esclarecidos - gente que se recusa a manter o distanciamento social, mas jura cumprir todos os protocolos de segurança -, é mesmo completamente irresponsável. Quem cruza os dedos, acende velas, realiza preces e acredita piamente em votos de prosperidade, ao contrário, pode até quebrar a cara, mas não faz mal a ninguém.
Deus está vendo. O todo poderoso tem o nome e o CPF de quem foi à praia festejar o réveillon. Uma procissão de almas penadas. Mesmo sem queima de fogos, 39 toneladas de lixo foram recolhidas em Copacabana. Uma poeira, comparadas às 762 toneladas recolhidas no iníciode 2020.Um cataclismo de plástico e descartáveis,considerado o contexto de pandemia.
Copacabana, Praia Grande, Porto Seguro, Atalaia... Não se trata aqui de ir à praia, cumprir um ritual de ano novo. A questão de fundo está relacionada com a ostentação assassina de um privilégio. Quem duvida pode aguardar o Carnaval chegar.
Eu não espero muito deste ano. A vacina não chegará para todos. É certo que a vacina não chegará para mim. De todo modo, já estou no lucro. Neste janeiro insólito, após nove meses de conversas ao telefone, a minha família finalmente assumiu o risco de se abraçar.

 


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