O Rei dos animais

Rian Santos


  • Nem um minuto de paz

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Num pedaço civiliza-
do do mundo, o 
cantor e compositor Caetano Veloso seria só um velhinho simpático, com remela nos olhos embaçados e lembranças coloridas na cabeça coroada por cabelos brancos, cheio de histórias para contar. De vez em quando, alguém mencionaria a Tropicália, o violão moderno de João Gilberto, a amizade com Gilberto Gil. Caetano, como fazem os velhos, se danaria a falar.
No Brasil de Bolsonaro, contudo, os reaças não dão um minuto de paz. Vira e mexe, alguém perturba o cantor baiano sob o pretexto de acusar a corrupção dos valores mais caros a uma ideia torta de ordem e moral. O ressentimento salta à vista. O conforto de um artista septuagenário, após uma vida inteira de trabalho, lhes parece imperdoável.
Felizmente, Caetano não se furta a cobrar as devidas reparações na Justiça. O língua de trapo Olavo de Carvalho já foi condenado por acusar o músico de pedofilia. O mesmo deve ocorrer a uma tal Nayat Jordan, conhecida por postagens de apoio ao governo, defesa da cloroquina e combate ao distanciamento social.
A sujeitinha publicou um vídeo em que Caetano e a esposa Paula Lavigne recebem convidados para uma festa de réveillon. Nayat afirmava que a gravação é recente, de poucos dias, chamando atenção para a ausência de máscaras. Na verdade, a confraternização ocorreu há mais de um ano, na virada para 2020.
A fulana se retratou em seu perfil, alegando que não fez nada demais ao reproduzir "informação" sem checar a fonte. Mas vai ser processada mesmo assim. Quem se dispõe a participar do debate público tem a obrigação de saber: Disseminação de notícia falsa é crime.
Em tais episódios, um único alento: A guerra cultural promovida pelo moralismo odiento que elegeu Bolsonaro jamais será vencida pelos arauros do atraso. A direita raivosa jamais vai parir algo como um verso de Caetano. No fim das contas, para desespero dos fedelhos da nova política, o homem velho é mesmo o Rei dos animais.

Rian Santos

Num pedaço civiliza- do do mundo, o  cantor e compositor Caetano Veloso seria só um velhinho simpático, com remela nos olhos embaçados e lembranças coloridas na cabeça coroada por cabelos brancos, cheio de histórias para contar. De vez em quando, alguém mencionaria a Tropicália, o violão moderno de João Gilberto, a amizade com Gilberto Gil. Caetano, como fazem os velhos, se danaria a falar.
No Brasil de Bolsonaro, contudo, os reaças não dão um minuto de paz. Vira e mexe, alguém perturba o cantor baiano sob o pretexto de acusar a corrupção dos valores mais caros a uma ideia torta de ordem e moral. O ressentimento salta à vista. O conforto de um artista septuagenário, após uma vida inteira de trabalho, lhes parece imperdoável.
Felizmente, Caetano não se furta a cobrar as devidas reparações na Justiça. O língua de trapo Olavo de Carvalho já foi condenado por acusar o músico de pedofilia. O mesmo deve ocorrer a uma tal Nayat Jordan, conhecida por postagens de apoio ao governo, defesa da cloroquina e combate ao distanciamento social.
A sujeitinha publicou um vídeo em que Caetano e a esposa Paula Lavigne recebem convidados para uma festa de réveillon. Nayat afirmava que a gravação é recente, de poucos dias, chamando atenção para a ausência de máscaras. Na verdade, a confraternização ocorreu há mais de um ano, na virada para 2020.
A fulana se retratou em seu perfil, alegando que não fez nada demais ao reproduzir "informação" sem checar a fonte. Mas vai ser processada mesmo assim. Quem se dispõe a participar do debate público tem a obrigação de saber: Disseminação de notícia falsa é crime.
Em tais episódios, um único alento: A guerra cultural promovida pelo moralismo odiento que elegeu Bolsonaro jamais será vencida pelos arauros do atraso. A direita raivosa jamais vai parir algo como um verso de Caetano. No fim das contas, para desespero dos fedelhos da nova política, o homem velho é mesmo o Rei dos animais.

 


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