Medo do desemprego é crescente entre os brasileiros, aponta CNI

Gilvan Manoel


  • Rogério Carvalho, sobre votações \'alinhadas\' com o governo Bolsonaro: \"Estamos na luta por medidas que beneficiem o povo brasileiro, independentemente de governo\"
O medo de perder o emprego é cres-
cente entre os brasileiros. A preo-
cupação é ainda mais intensa entre mulheres, jovens com idade entre 16 e 24 anos, profissionais com baixa escolaridade e moradores de periferias. É o que aponta a pesquisa Índice do Medo do Desemprego, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o estudo, o índice ficou em 57,1 pontos, na medição feita em dezembro de 2020 - número que se encontra acima da média histórica de 50,2 pontos. "No trimestre, o indicador subiu 2,1 pontos na comparação com setembro do ano passado e está um ponto acima do registrado em dezembro de 2019", disse a CNI.
Quando o recorte abrange o público feminino, o indicador (que mede o medo de perder o emprego) fica ainda maior, chegando a 64,2 pontos. Entre os homens, o índice está em 49,4 pontos. Nos dois casos a CNI identificou aumento do medo do desemprego, na comparação com setembro.
Levando em conta o grau de instrução dos entrevistados, o perfil que apresentou nível maior de medo é o de pessoas com grau de instrução inferior ao ensino médio completo, ficando em 59,1 pontos entre os que estudaram até a 4ª série da educação fundamental, e em 59,2 pontos entre os com instrução entre a 5ª e a 8ª série.
"O temor também cresceu entre os entrevistados com educação superior", afirma a CNI. Nesse caso, o índice passou de 50,1 pontos em setembro para 54,7 pontos em dezembro. "Ainda assim, esse grupo da população [é o que] apresenta o menor índice de medo do desemprego entre os estratos por grau de instrução", explica a entidade.
Moradores das periferias também estão entre os que apresentaram maior crescimento no Índice do Medo do Desemprego, passando dos 55,9 pontos de setembro para 65,5 pontos em dezembro. Tendo como recorte os residentes nas capitais, o índice ficou em 57,5 pontos . Já os moradores das cidades do interior registraram um índice de 55,2 pontos.
O levantamento apresentado pela CNI mede também o Índice de Satisfação com a Vida (ISV). Este índice alcançou 70,2 pontos em dezembro de 2020, ficando acima da sua média histórica de 69,6 pontos. De acordo com a CNI, isso não ocorria desde 2014. 
Para o gerente-executivo de Economia da CNI, Renato da Fonseca, essa melhora pode estar relacionada "tanto à percepção, no início de dezembro, de melhora da crise sanitária e econômica, como ao auxílio emergencial que proveu maior segurança econômica às famílias de baixa renda".
Na avaliação da CNI, o aumento deste índice foi maior entre os entrevistados com renda familiar até dois salários mínimos. "Mas, mesmo assim, esse grupo apresenta o menor índice", complementa a CNI, ressaltando que a satisfação "cresce na medida em que aumentam a renda familiar e o grau de instrução do entrevistado".
Para fazer esse levantamento, a CNI entrevistou duas mil pessoas em 126 municípios, entre 5 e 8 de dezembro. As entrevistas foram feitas pelo Ibope Inteligência.

O medo de perder o emprego é cres- cente entre os brasileiros. A preo- cupação é ainda mais intensa entre mulheres, jovens com idade entre 16 e 24 anos, profissionais com baixa escolaridade e moradores de periferias. É o que aponta a pesquisa Índice do Medo do Desemprego, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o estudo, o índice ficou em 57,1 pontos, na medição feita em dezembro de 2020 - número que se encontra acima da média histórica de 50,2 pontos. "No trimestre, o indicador subiu 2,1 pontos na comparação com setembro do ano passado e está um ponto acima do registrado em dezembro de 2019", disse a CNI.
Quando o recorte abrange o público feminino, o indicador (que mede o medo de perder o emprego) fica ainda maior, chegando a 64,2 pontos. Entre os homens, o índice está em 49,4 pontos. Nos dois casos a CNI identificou aumento do medo do desemprego, na comparação com setembro.
Levando em conta o grau de instrução dos entrevistados, o perfil que apresentou nível maior de medo é o de pessoas com grau de instrução inferior ao ensino médio completo, ficando em 59,1 pontos entre os que estudaram até a 4ª série da educação fundamental, e em 59,2 pontos entre os com instrução entre a 5ª e a 8ª série.
"O temor também cresceu entre os entrevistados com educação superior", afirma a CNI. Nesse caso, o índice passou de 50,1 pontos em setembro para 54,7 pontos em dezembro. "Ainda assim, esse grupo da população [é o que] apresenta o menor índice de medo do desemprego entre os estratos por grau de instrução", explica a entidade.
Moradores das periferias também estão entre os que apresentaram maior crescimento no Índice do Medo do Desemprego, passando dos 55,9 pontos de setembro para 65,5 pontos em dezembro. Tendo como recorte os residentes nas capitais, o índice ficou em 57,5 pontos . Já os moradores das cidades do interior registraram um índice de 55,2 pontos.
O levantamento apresentado pela CNI mede também o Índice de Satisfação com a Vida (ISV). Este índice alcançou 70,2 pontos em dezembro de 2020, ficando acima da sua média histórica de 69,6 pontos. De acordo com a CNI, isso não ocorria desde 2014. 
Para o gerente-executivo de Economia da CNI, Renato da Fonseca, essa melhora pode estar relacionada "tanto à percepção, no início de dezembro, de melhora da crise sanitária e econômica, como ao auxílio emergencial que proveu maior segurança econômica às famílias de baixa renda".
Na avaliação da CNI, o aumento deste índice foi maior entre os entrevistados com renda familiar até dois salários mínimos. "Mas, mesmo assim, esse grupo apresenta o menor índice", complementa a CNI, ressaltando que a satisfação "cresce na medida em que aumentam a renda familiar e o grau de instrução do entrevistado".
Para fazer esse levantamento, a CNI entrevistou duas mil pessoas em 126 municípios, entre 5 e 8 de dezembro. As entrevistas foram feitas pelo Ibope Inteligência.

Alinhamento

O Radar do Congresso (Congresso em Foco) fez levantamento sobre parlamentares com maior e menor alinhamento ao Governo Bolsonaro. Deputados de Sergipe com maior alinhamento: Valdevan Noventa (PL) 74%, Fábio Mitidieri (PSD) 76%, Fábio Reis (MDB) 88%, Gustinho Ribeiro (SD) 91%, Laércio Oliveira (PP) 96% e Bosco Costa (PL) 97%. Deputados com menor alinhamento: Fábio Henrique (PDT) 42% e João Daniel (PT) 22%. Senadores com alinhamento: Maria do Carmo (DEM) 92%, Alessandro Vieira (Cidadania) 82% e Rogério Carvalho (PT) 72%.

Esclarecimento

O senador Rogério Carvalho, líder do PT, não gostou de ser considerado alinhado ao governo Bolsonaro. "O levantamento feito pelo Congresso em Foco se constitui uma ferramenta que não leva em consideração o conteúdo das votações. Por isso, o resultado proposto nesta enquete não representa a realidade dos nossos posicionamentos", explicou.

Pandemia

Rogério ressalta que "num momento de pandemia, em que o Congresso assumiu um protagonismo na elaboração e aprovação de ações de amparo à população, que precisava cumprir medidas de isolamento, e que o governo pressionado, se viu obrigado a recuar das propostas originais repletas de desigualdades e fez uso de projetos de autoria do PT como a prorrogação do Auxílio Emergencial, a criação do Programa de Proteção ao Emprego, o novo Fundeb e a Lei Aldir Blanc, fica difícil não haver uma concentração de votações nestas medidas".

Benefícios

Por fim, o senador garante que isso não quer dizer que "estejamos alinhados com as propostas do Bolsonaro. Estamos na luta por medidas que beneficiem o povo brasileiro, independentemente de governo. Nos manteremos na resistência e no combate às ações insensatas do atual presidente. E na luta pela preservação de direitos dos brasileiros".

Capitólio

A invasão do Capitólio, local de reunião do Congresso americano, por apoiadores do ainda presidente americano Donald Trump, na quarta-feira (6), em Washington, gerou uma série de condenações por parte dos senadores brasileiros em seus perfis nas redes sociais. Em sua maioria, eles definiram o ato como extremista e antidemocrático e alertaram para o risco de outras nações estarem sujeitas a esse tipo de agressão. Os três senadores sergipanos se posicionaram, através da Agência Senado.

Posições

Alessandro Vieira (Cidadania-SE): "É um bom recado para os brasileiros, uma vez que vivemos hoje numa nação que se divide politicamente e que tem, continuamente, ataques à democracia por parte de alguns dos seus representantes. A lei tem que se impor";  Maria do Carmo Alves (DEM-SE): "Assisti cenas inimagináveis para todos nós que temos convicções democráticas profundas: a invasão do Congresso americano por seguidores do presidente Trump. Essa violência se deu no dia em que os congressistas se reuniram para certificar a vitória do presidente Joe Biden, causando a morte de uma pessoa. Repugnante!"; Rogério Carvalho (PT-SE): "O Trump, assim como o Bolsonaro, não se submete a nada além da própria vontade. Eles ameaçam a democracia e o processo civilizatório da humanidade. São populistas e autoritários. O mundo já sabia e sabe do que eles são capazes."

Fraudes

Durante reunião com apoiadores na saída do Palácio do Alvorada, Jair Bolsonaro voltou a dizer que houve fraude nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, ratificando a campanha golpista do presidente derrotado Donald Trump. Ao comentar o episódio dos Estados Unidos, Bolsonaro acusou a Justiça Eleitoral sem provas e deu a senha para o que pode ser um golpe contra as eleições brasileiras de 2022. "E aqui no Brasil, se tivermos o voto eletrônico em 2022, vai ser a mesma coisa. A fraude existe. A imprensa vai dizer 'sem provas, ele diz que a fraude existe'. Eu não vou responder esses canalhas da imprensa mais. Eu só fui eleito porque tive muito voto em 2018", afirmou.

Gravíssimas

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), classificou como "gravíssimas" as declarações de Jair Bolsonaro, de que há fraudes no sistema eletrônico de eleição no Brasil. "A frase do presidente Bolsonaro é um ataque direto e gravíssimo ao TSE e seus juízes. Os partidos políticos deveriam acionar a Justiça para que o presidente se explique. Bolsonaro consegue superar os delírios e os devaneios de Trump", disse Maia pelo Twitter.

Convocação

O senador Alessandro Vieira (Cidadania - SE) apresentou, nesta quarta-feira (6), requerimento solicitando convocação imediata de sessão legislativa extraordinária semipresencial do Congresso Nacional para debater o estado de calamidade pública, o auxílio emergencial e o processo de vacinação no país. Para Vieira, "o Parlamento não pode ficar de recesso em um momento tão difícil para os brasileiros". 

Crise

Alessandro Vieira justifica que a Constituição Federal permite a convocação de sessão legislativa extraordinária, ou seja, fora do período regulamentar da sessão legislativa ordinária, que acontece até 22 de dezembro. "Infelizmente, a crise decorrente da Covid-19 não parece estar próxima do fim. É essencial que o Parlamento, assim como no início da pandemia, se posicione de maneira altiva para garantir condições de enfrentamento à crise e proteção social mínima à parcela da população que se encontra mais vulnerável", explica. 

Relevante

Para o senador sergipano, "é urgente e de relevante interesse público a deliberação de matérias que tratam da prorrogação do estado de calamidade pública, bem como do auxílio emergencial. Além, é claro, a definição de universalização das vacinas contra a Covid-19, bem como os critérios para sua distribuição".  Vieira destaca que a pandemia não acabou e a imunização completa da população tende a demorar alguns meses, especialmente se não forem estabelecidos os critérios adequados para isso. "Não podemos aceitar o fim formal do estado de calamidade se a calamidade continua. Não podemos nos abster sobre um tema fundamental como a imunização da população", afirma. 

Resposta

Alessandro classifica a aprovação do auxílio emergencial como "um passo correto e essencial de primeira resposta à crise que a pandemia acarretou, mas, para combater os prejuízos econômicos que se estendem, é necessário prorrogar o prazo inicialmente previsto para o auxílio. Não podemos cogitar subitamente retirar das famílias a renda que garantimos".  A intenção, segundo o senador,  "não é de encerrar a discussão sobre valores ou prazos". Vieira acredita que "a decisão deve ser tomada conjuntamente pelas duas Casas do Congresso Nacional, sem disputa por protagonismo, em discussão urgente e necessária".

Previdência

O deputado estadual Gilmar Carvalho pediu oficialmente à seccional sergipana da OAB que ajuíze Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a cobrança previdenciária feita pelo Estado de Sergipe mensalmente aos aposentados. A cobrança, chamada de contribuição, foi aprovada no bojo da reforma da Previdência, aprovada no final de 2019 pela Assembleia Legislativa. Na OAB/SE, o relator votou pela inconstitucionalidade. Houve pedido de vista e a representação do parlamentar vai ser votada em fevereiro. A OAB deverá impetrar ação judicial.

Com agências


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