Fragmentos de um discurso amoroso

Rian Santos


  • Paisagens na janela

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Lugar comum, a com
paração surrada en
tre criar e brincar de Deus. Equivocada. Sugere domínio mágico sobre todas as circunstâncias de um processo que, ao fim e ao cabo, não passa de um tiro no escuro, roleta russa, tende à alucinação.
O fotógrafo vai à sacada do apartamento, doente de tédio. Dá com o vizinho gordo, num esforço cômico de estica e puxa. O coitado transpira baldes, apertado numa malha de ginástica, no prédio em frente. Põe a língua pra fora, sem saber que inspira um verso comovido, digno das melhores coletâneas de poemas inéditos para sempre.
Isso porque o fotógrafo não é um macho branco, apodrecido de privilégios, como este jornalista que vos escreve. Mas uma mulher de sensibilidade aguda, profissional tarimbada, capaz de desenhar com as palavras e escrever com a luz. 
Janela indiscreta - Maria Luiza Foz não sai mais da varanda, onde os olhos famintos procuram personagens, histórias novas, feito um salva vidas com a nobre obrigação de socorrer os náufragos arrastados pela solidariedade ou pelo mar até a beira da praia. Há dias ruins, quando todas as cortinas permanecem cerradas, alheias aos apelos do mundo. Vira e mexe, no entanto, alguém procura paisagens na janela. Iza aproveita a sorte, não se faz de rogada. 
Não se trata aqui do voyeurismo vulgar, armada de tarados, um capítulo de Pedro Juan Gutiérrez subtraído ao próprio contexto. Mas de emoldurar o cotidiano, apreender a humanidade em fragmentos de um discurso amoroso. Os personagens são os dados à lente intrometida de Iza, num teatro de miudezas sem sobressaltos. O enredo, ao contrário, ela mesmo tece, por artes de imaginação.
Está tudo lá, no Instagram da fotógrafa, quase sempre em preto e branco, para quem quiser ver. Eu mesmo me farto. As fotografias de Iza são lindas. E as legendas, redigidas de próprio punho, divertidas, comoventes, não ficam atrás.

Rian Santos

Lugar comum, a com paração surrada en tre criar e brincar de Deus. Equivocada. Sugere domínio mágico sobre todas as circunstâncias de um processo que, ao fim e ao cabo, não passa de um tiro no escuro, roleta russa, tende à alucinação.
O fotógrafo vai à sacada do apartamento, doente de tédio. Dá com o vizinho gordo, num esforço cômico de estica e puxa. O coitado transpira baldes, apertado numa malha de ginástica, no prédio em frente. Põe a língua pra fora, sem saber que inspira um verso comovido, digno das melhores coletâneas de poemas inéditos para sempre.
Isso porque o fotógrafo não é um macho branco, apodrecido de privilégios, como este jornalista que vos escreve. Mas uma mulher de sensibilidade aguda, profissional tarimbada, capaz de desenhar com as palavras e escrever com a luz. 

Janela indiscreta - Maria Luiza Foz não sai mais da varanda, onde os olhos famintos procuram personagens, histórias novas, feito um salva vidas com a nobre obrigação de socorrer os náufragos arrastados pela solidariedade ou pelo mar até a beira da praia. Há dias ruins, quando todas as cortinas permanecem cerradas, alheias aos apelos do mundo. Vira e mexe, no entanto, alguém procura paisagens na janela. Iza aproveita a sorte, não se faz de rogada. 
Não se trata aqui do voyeurismo vulgar, armada de tarados, um capítulo de Pedro Juan Gutiérrez subtraído ao próprio contexto. Mas de emoldurar o cotidiano, apreender a humanidade em fragmentos de um discurso amoroso. Os personagens são os dados à lente intrometida de Iza, num teatro de miudezas sem sobressaltos. O enredo, ao contrário, ela mesmo tece, por artes de imaginação.
Está tudo lá, no Instagram da fotógrafa, quase sempre em preto e branco, para quem quiser ver. Eu mesmo me farto. As fotografias de Iza são lindas. E as legendas, redigidas de próprio punho, divertidas, comoventes, não ficam atrás.

 


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