De Maidan ao Capitólio: Corvos criados espetam os olhos de Biden

Opinião

 

Quando vejo a violenta invasão do Capitólio, não consigo deixar de lembrar de Maidan. As mesmas forças atuaram nos mesmos cenários
* Eugênio Aragão
Recentemente, o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, deu uma entrevista em que apontou para o desejo das forças hegemônicas ocidentais de destruir o legado da União Soviética ao modo da destruição da Iugoslávia. Se não fosse a reação do governo federal russo, o país teria afundado na guerra civil de secessão. A tese é sólida e, para prová-la, basta olhar para a Ucrânia.
Em 2014, depois de 93 dias de turba na Praça de Maidan e cercanias do centro de Kiev, o então Presidente Victor Yanukovitch, que mantinha uma política externa de estreita cooperação com a Federação Russa, se viu forçado a renunciar. Hordas de fascistas, neonazistas banderistas e supremacistas invadiram à força o parlamento e sedes do governo. Feriram e mataram dezenas de pessoas. Furiosos franco atiradores se postaram em telhados para atirar a esmo em pessoas na praça, com o objetivo de inculpar as forças governamentais. Foi um massacre.
Por detrás dessa tragédia havia um plano dos EUA de tirar a fórceps a Ucrânia daquilo que via como esfera de influência da Rússia. Os movimentos fascistas, condescendentemente chamados de "sociedade civil", foram financiados pela embaixada norte-americana, que lhes distribuiu recursos a rodo de thinktanks de Washington, como o Endowment for Democracy e outros. O articulador dessa operação era ninguém mais, ninguém menos que o Vice-Presidente dos EUA, Joe Biden. Na ponta, trabalhava a adida política da embaixada, uma senhora de dupla nacionalidade que, deposto Yanukovitch e empossado seu sucessor Petro Poroshenko, passou a servir como ministra da economia da Ucrânia, para garantir os interesses de empresas norte-americanas no país e atrelá-lo à União Europeia, através de um pífio acordo de associação de migalhas.
Quando vejo a violenta invasão do Capitólio, não consigo deixar de lembrar de Maidan. As mesmas forças atuaram nos mesmos cenários. Por ironia do destino, Biden que as arregimentou para derrubar violentamente o governo de Yanukovitch, agora, é por elas assediado. Está experimentando o próprio veneno, servido a si pelos mesmos fascistas que atuaram a seu mando na Ucrânia.  
Mas, curiosamente, nem Biden e nem a mídia do mainstream conseguem enxergar essa analogia. Para eles, enquanto o ataque fascista de Maidan foi um legítimo movimento espontâneo de "forças democráticas, o assalto ao Capitólio foi obra de terroristas.
* Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça

Quando vejo a violenta invasão do Capitólio, não consigo deixar de lembrar de Maidan. As mesmas forças atuaram nos mesmos cenários
 

* Eugênio Aragão

Recentemente, o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, deu uma entrevista em que apontou para o desejo das forças hegemônicas ocidentais de destruir o legado da União Soviética ao modo da destruição da Iugoslávia. Se não fosse a reação do governo federal russo, o país teria afundado na guerra civil de secessão. A tese é sólida e, para prová-la, basta olhar para a Ucrânia.
Em 2014, depois de 93 dias de turba na Praça de Maidan e cercanias do centro de Kiev, o então Presidente Victor Yanukovitch, que mantinha uma política externa de estreita cooperação com a Federação Russa, se viu forçado a renunciar. Hordas de fascistas, neonazistas banderistas e supremacistas invadiram à força o parlamento e sedes do governo. Feriram e mataram dezenas de pessoas. Furiosos franco atiradores se postaram em telhados para atirar a esmo em pessoas na praça, com o objetivo de inculpar as forças governamentais. Foi um massacre.
Por detrás dessa tragédia havia um plano dos EUA de tirar a fórceps a Ucrânia daquilo que via como esfera de influência da Rússia. Os movimentos fascistas, condescendentemente chamados de "sociedade civil", foram financiados pela embaixada norte-americana, que lhes distribuiu recursos a rodo de thinktanks de Washington, como o Endowment for Democracy e outros. O articulador dessa operação era ninguém mais, ninguém menos que o Vice-Presidente dos EUA, Joe Biden. Na ponta, trabalhava a adida política da embaixada, uma senhora de dupla nacionalidade que, deposto Yanukovitch e empossado seu sucessor Petro Poroshenko, passou a servir como ministra da economia da Ucrânia, para garantir os interesses de empresas norte-americanas no país e atrelá-lo à União Europeia, através de um pífio acordo de associação de migalhas.
Quando vejo a violenta invasão do Capitólio, não consigo deixar de lembrar de Maidan. As mesmas forças atuaram nos mesmos cenários. Por ironia do destino, Biden que as arregimentou para derrubar violentamente o governo de Yanukovitch, agora, é por elas assediado. Está experimentando o próprio veneno, servido a si pelos mesmos fascistas que atuaram a seu mando na Ucrânia.  
Mas, curiosamente, nem Biden e nem a mídia do mainstream conseguem enxergar essa analogia. Para eles, enquanto o ataque fascista de Maidan foi um legítimo movimento espontâneo de "forças democráticas, o assalto ao Capitólio foi obra de terroristas.

* Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça

 


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