O Carnaval bate à porta

Geral


  • Geral prepara a fantasia

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Contra todas as pre-
visões, a segunda 
onda das 'lives' ainda não rebentou na praia Serigy. No máximo, pelas bandas da Atalaia, tem-se a impressão de uma marolinha. Ninguém lembra mais da pandemia. Na internet da tribo, o único movimento dá conta da alegria que transborda dos copos em carne e osso, por assim dizer. Enquanto uma minoria de tímidos treme de medo ao ver os brindes dos amigos no Instagram, prestes a bater a cabeça contra as paredes do claustro, geral cai na farra.
Quem pode, pode. Os bem aquinhoados viajam, um amor em cada porto, ansiosos por novas paisagens. O populacho rebola nos bares e inferninhos da própria cidade. Quase todos ostentam máscaras, cada uma mais bonita que a outra, alegando o devido respeito por todos os protocolos de segurança. Um gaiato já comparou os protestos de responsabilidade coletiva com a promessa manjada de botar "só a cabecinha".
Cada cabeça, uma sentença. Curioso é notar a turma que aponta o dedo para o negacionismo oportunista do presidente Jair Bolsonaro adotando comportamento parecido com o descaso do próprio capeta. Todo mudo lamenta o passeio do coronavírus em território brazuca, claro! A imagem de 200 mil covas tem sim algum apelo. Na prática, contudo, o progressista mais radical age como quem repete: Não posso fazer nada!
Pode sim. Pode aquietar o facho, baixar o fogo, coçar o saco em casa. Mas o confinamento durou tempo demais. Com o alvará de soltura concedido pelo poder público, estão todos livres para tomar parte no contágio como achar melhor. Aos beijos. Aos prantos de bêbado. Feito um cachorro vadio finalmente liberto da coleira. Entre os mais afoitos, vale até combinar riscos e curtir um revival dos anos 80, copular sem camisinha.
O Carnaval bate à porta. Ano passado, no auge da desgraça global, lamentava-se a possível repercussão da pandemia no reinado de Momo. Hoje, atenta aos males da apropriação cultural, a juventude engajada, aqui e alhures, prepara a fantasia.

Rian Santos

Contra todas as pre- visões, a segunda  onda das 'lives' ainda não rebentou na praia Serigy. No máximo, pelas bandas da Atalaia, tem-se a impressão de uma marolinha. Ninguém lembra mais da pandemia. Na internet da tribo, o único movimento dá conta da alegria que transborda dos copos em carne e osso, por assim dizer. Enquanto uma minoria de tímidos treme de medo ao ver os brindes dos amigos no Instagram, prestes a bater a cabeça contra as paredes do claustro, geral cai na farra.
Quem pode, pode. Os bem aquinhoados viajam, um amor em cada porto, ansiosos por novas paisagens. O populacho rebola nos bares e inferninhos da própria cidade. Quase todos ostentam máscaras, cada uma mais bonita que a outra, alegando o devido respeito por todos os protocolos de segurança. Um gaiato já comparou os protestos de responsabilidade coletiva com a promessa manjada de botar "só a cabecinha".
Cada cabeça, uma sentença. Curioso é notar a turma que aponta o dedo para o negacionismo oportunista do presidente Jair Bolsonaro adotando comportamento parecido com o descaso do próprio capeta. Todo mudo lamenta o passeio do coronavírus em território brazuca, claro! A imagem de 200 mil covas tem sim algum apelo. Na prática, contudo, o progressista mais radical age como quem repete: Não posso fazer nada!
Pode sim. Pode aquietar o facho, baixar o fogo, coçar o saco em casa. Mas o confinamento durou tempo demais. Com o alvará de soltura concedido pelo poder público, estão todos livres para tomar parte no contágio como achar melhor. Aos beijos. Aos prantos de bêbado. Feito um cachorro vadio finalmente liberto da coleira. Entre os mais afoitos, vale até combinar riscos e curtir um revival dos anos 80, copular sem camisinha.
O Carnaval bate à porta. Ano passado, no auge da desgraça global, lamentava-se a possível repercussão da pandemia no reinado de Momo. Hoje, atenta aos males da apropriação cultural, a juventude engajada, aqui e alhures, prepara a fantasia.

 


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