Um pouco mais de alma

Rian Santos


  • Todo dia ele faz tudo sempre igual...

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Prazos, agendas, com
promissos inadiá
veis... Todo marmanjo em dia com as responsabilidades da vida adulta deveria roubar duas horas do expediente para conferir um desenho animado. O patrão não há de fazer caso, capaz de nem notar.
'Soul', animação dirigida a quatro mãos por Pete Docter e Kemp Powers, distribuída pela plataforma de streaming da Disney, com o selo de qualidade Pixar, realiza convite parecido. A história, em si, tem uma pitada de humor negro: Um músico frustrado gasta toda a sua energia ministrando aulas de gratificação discutível - em termos financeiros e também do ponto de vista da realização profissional. Aqui e ali, um aluno revela pendor genuíno para os mistérios da melodia. Mas exceção não faz regra. A maioria é um desastre.
 A rotina do tal professor de música, um pianista cativo dos caminhos sinuosos abertos por compositores da estirpe de um Thelonious Monk, é a mais tacanha. Um belo dia, no entanto, ele consegue a oportunidade de participar de uma gig com certa diva do jazz. Justo quando a sorte lhe bate à porta, contudo, de modo até patético, o negão parte desta para melhor.
Este é só o resumo da ópera. De minha parte, não pretendo cansar o leitor com elucubrações de ordem moral e estética. Estas já foram redigidas às pencas, crescem feito mato nos descampados do mundo virtual. Aqui, fica o convite para abandonar os fardos amealhados de modo voluntário, em nome de ideais de sucesso e produtividade irreais, francamente irrazoáveis. Apesar das filosofias arquitetadas em segredo que nenhum Kant escreveu, nem todos quantos chutam uma bola, mesmo os mais talentosos, terão a chance de brilhar como Garrincha, Maradona e Pelé.
Take it easy! De pouco adianta perseguir as miragens celebradas em vitrines, anúncios, outdoors, intervalos comerciais. A vida é curta, passa num piscar de olhos. A felicidade tem a brevidade leve de um sopro.

Rian Santos

Prazos, agendas, com promissos inadiá veis... Todo marmanjo em dia com as responsabilidades da vida adulta deveria roubar duas horas do expediente para conferir um desenho animado. O patrão não há de fazer caso, capaz de nem notar.
'Soul', animação dirigida a quatro mãos por Pete Docter e Kemp Powers, distribuída pela plataforma de streaming da Disney, com o selo de qualidade Pixar, realiza convite parecido. A história, em si, tem uma pitada de humor negro: Um músico frustrado gasta toda a sua energia ministrando aulas de gratificação discutível - em termos financeiros e também do ponto de vista da realização profissional. Aqui e ali, um aluno revela pendor genuíno para os mistérios da melodia. Mas exceção não faz regra. A maioria é um desastre.
 A rotina do tal professor de música, um pianista cativo dos caminhos sinuosos abertos por compositores da estirpe de um Thelonious Monk, é a mais tacanha. Um belo dia, no entanto, ele consegue a oportunidade de participar de uma gig com certa diva do jazz. Justo quando a sorte lhe bate à porta, contudo, de modo até patético, o negão parte desta para melhor.
Este é só o resumo da ópera. De minha parte, não pretendo cansar o leitor com elucubrações de ordem moral e estética. Estas já foram redigidas às pencas, crescem feito mato nos descampados do mundo virtual. Aqui, fica o convite para abandonar os fardos amealhados de modo voluntário, em nome de ideais de sucesso e produtividade irreais, francamente irrazoáveis. Apesar das filosofias arquitetadas em segredo que nenhum Kant escreveu, nem todos quantos chutam uma bola, mesmo os mais talentosos, terão a chance de brilhar como Garrincha, Maradona e Pelé.
Take it easy! De pouco adianta perseguir as miragens celebradas em vitrines, anúncios, outdoors, intervalos comerciais. A vida é curta, passa num piscar de olhos. A felicidade tem a brevidade leve de um sopro.

 


COMPARTILHAR NAS REDES SOCIAIS