Estância: 165 anos de elevação à categoria de cidade

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 03/05/2013 às 11:38:00

Lembrar a emancipação política de uma cidade é um momento festivo, sem dúvida, mas acima de tudo precisa ser um momento de reflexão. Precisamos olhar a trajetória de nossa cidade e olhar para o nosso futuro. Qual o futuro da Cidade da Estância? Da forma como caminhamos teremos algum futuro?

* J. Cruz

No próximo dia 04 de maio a Cidade da Estância completa 165 anos (04.05.1848) de elevação a categoria de cidade, ou seja, foi emancipada politicamente resultado de um reconhecimento pelas autoridades da época por ser uma povoação que demonstrava desenvolvimento econômico, cultural e social em terras de Sergipe d'El Rei. Mas para que Estância adquirisse o status de cidade houve um longo caminho a ser percorrido que começou no período da Colônia quando em 16 de setembro de 1621, o capitão-mor João Mendes concedeu uma sesmaria de três léguas quadradas de terras às margens do Rio Piaui a Pedro Homem da Costa e Pedro Alves para plantar, criar gado e morar com seus empregados (Cf. França, Vera Lúcia e Graça, Rogério Freire. Vamos conhecer Estância).

Durante muito tempo, Estância foi subordinada à Vila de Santa Luzia do Rio Real, atualmente Santa Luzia do Itanhy. Só em abril de 1757, a coroa portuguesa autorizou que realizassem na povoação de Estância vereações, audiências, arrematações e outros atos judiciais na alternativa dos juízes ordinários, acontecendo assim, a separação jurídica da Vila de Santa Luzia, então em franca decadência. Depois de 74 anos, a povoação de Estância só fazia se desenvolver, pois, além da velha Capital, São Cristovão e Laranjeiras, alcançaria notoriedade nos campos cultural, econômico e político da Província de Sergipe d'El Rei.
Para uma época em que a economia era basicamente direcionada na exportação de açúcar, Estância possuía bons portos marítimo-fluviais que a colocavam em comunicação direta com os centros mais desenvolvidos do país, Bahia e Pernambuco. Diante desse contexto em 25 de outubro de 1831, a sede da Vila de Santa Luzia é transferida para Estância, acontecendo assim um marco importante para a população da época que já aspirava esse título. Em 5 de março de 1835, é criada a sua Comarca, e finalmente pela Lei  Provincial 209  de 04 de Maio de 1848,  Estância é elevada a categoria de cidade ainda no império.

Lembrar a emancipação política de uma cidade é um momento festivo, sem dúvida, mas acima de tudo precisa ser um momento de reflexão. Precisamos olhar a trajetória de nossa cidade e olhar para o nosso futuro. Qual o futuro da Cidade da Estância? Da forma como caminhamos teremos algum futuro? Após o ato da emancipação, no auge do ciclo do açúcar, Estância com seu terminal marítimo, sua beleza arquitetônica, fabricando bastante açúcar, um sistema de ensino bastante avançado para época, todos esses requisitos impressionou o imperador do Brasil, Dom Pedro II, e a Sua Majestade a denominou de Cidade Jardim. Nossa Estância já foi uma das cidades mais pujantes e belas de Sergipe. Hoje, como estanciano, tenho a nítida impressão de que estamos ficando para trás em relação a outras cidades da região. Mas por quê?
Falta-nos uma grande arrancada. Algum projeto que planeje a cidade do hoje e do amanhã. Que sejam criados caminhos e alternativas. Ou seja, mais do que nunca precisamos de planejamento urbano incluindo o litoral. Não podemos construir uma cidade com base em ações pontuais e apenas reativas. Precisamos de novas idéias e mais inventividade, que os gestores e representantes políticos realmente sejam comprometidos com o novo. Precisamos de ousadia em nossa cidade. Estância precisa ser pensada, planejada, sonhada e reinventada. Em fim, seriamente transformada, pois, o que vem acontecendo atualmente é uma incógnita que deixa-nos uma sensação de que está faltando algo mais complexo que demonstre progresso e desenvolvimento.

Problemas antigos ainda existem e agravam-se a cada dia. Um exemplo claro disto é a poluição do nosso querido Rio Piauitinga, existe bastante água poluída escorrendo pelas ruas, pois, falta um sistema de esgoto eficaz, ainda possuímos um trânsito caótico, sem espaços para estacionar veículos, um serviço de distribuição de água ineficaz e ruas com acessibilidade prejudicada para as pessoas com mobilidade reduzida. Sem falar do problema da informalidade, saúde, segurança pública, geração de empregos, dentre outros. Precisamos de uma agenda estratégica para a nossa cidade. E acima de tudo precisamos de ação, principalmente de nossos representantes no Congresso Nacional trazendo mais benefícios para serem aplicados em infra-estrutura urbana.

Neste momento de comemorações e de uma demonstração de patriotismo aparente, desejo para a nossa Cidade Jardim, também chamada de Berço da Cultura um desenvolvimento que atinja toda a população. Mas também desejo que a nossa população participe mais de nossa vida política cotidiana e que nossas lideranças políticas e administrativas sejam honestas e comprometidas com o social, pois, a busca do melhor para a nossa cidade deve ser uma constante para que o progresso aterrisse no Jardim de Sergipe.

* J. Cruz é graduado e pós-graduado em história, teólogo e pesquisador.