Entre cômico e trágico

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Publicada em 03/05/2013 às 11:38:00

Matéria divulgada pela assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) informa que o prefeito João Alves Filho segue preocupado com os desafios de mobilidade a serem enfrentados pela sua gestão à frente da capital sergipana. O prefeito faz muito bem. O problema é mesmo capaz de tirar o sono de qualquer cristão. A informação seria um verdadeiro alento, não fosse a contradição aparente entre as manifestações públicas de João Alves Filho e as canetadas desferidas entre as quatro paredes do gabinete.

O embate entre os usuários do transporte público de Aracaju e os empresários reunidos no Setransp é emblemático. Depois de desrespeitar a Lei Orgânica do Município com o intuito de se esquivar às responsabilidades relacionadas ao reajuste da tarifa pleiteado pelas empresas prestadoras do serviço, o prefeito finalmente se curvou a uma determinação judicial e enviou uma proposta para a Câmara de Vereadores. Embora tenha afirmado no início de sua gestão que não via um possível reajuste com bons olhos, o texto do executivo fixa a nova tarifa em R$ 2,43.

Os 30 profissionais convocados pelo prefeito não perderam tempo. Jogaram conversa fora numa discussão que versou a respeito da construção de novas vias, corredores exclusivos de ônibus, implantação do BRT, troca de toda a estrutura física dos terminais. A intenção seria a de promover a mobilidade em Aracaju, oferecendo um sistema de transporte público mais eficiente e com mais qualidade. No entanto, a única medida efetivamente adotada pela Prefeitura, a majoração da tarifa proposta pelo prefeito João Alves Filho, não oferece nem uma coisa nem outra.

O usuário do sistema de transporte público de Aracaju, maior vítima dos problemas de mobilidade verificados na capital, não sabe se ri ou chora com tanta promessa. Entre o cômico e o trágico da situação, uma única certeza: Não demora, o valor empregado no deslocamento diário para o trabalho vai levar o resto das moedas suadas que pesavam em seu bolso.