Palavras ao vento

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Publicada em 24/06/2012 às 14:13:00

A Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Rio+20 terminou nesta sexta-feira com a adoção de um documento no qual cerca de 190 países impulsionam os objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a economia verde no contexto da luta contra a pobreza. Para que produza algum efeito prático, no entanto, é preciso que as palavras deitadas no papel não sejam esquecidas ao vento.
Ao encerrar a reunião de cúpula da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, a presidente Dilma Rousseff ressaltou o trabalho coletivo das delegações na construção do documento O Futuro Que Queremos. Dilma afirmou que, aos resultados concretos da Rio+20, soma-se um "legado intangível", que é a mobilização de uma nova geração no Brasil e no mundo, em torno dos desafios da sustentabilidade.  Um exagero flagrante.
Infelizmente, o maior perigo que ronda a Rio+20 é também a aposta mais certa. É lamentável, mas eventos dessa natureza costumam redundar em coisa nenhuma. Os líderes mundiais responsáveis pelo modelo econômico que tem causado a gradual degradação do planeta aproveitam a oportunidade de ficar em paz com o contribuinte e varrem a poeira pra baixo do tapete, mais uma vez. Alguém já se perguntou de que serviu a realização da Eco 92? E a redação do protocolo de Kyoto? E as metas do milênio? Tudo conversa pra boi dormir.
Colocando tudo em preto no branco, a Rio+20 foi responsável pela redação de um documento tímido, composto de pontos mínimos, que não responde ao desafio mundial de colocar sob um mesmo contexto o crescimento econômico, a preservação do meio ambiente e a inclusão social. A única esperança que resta é que as futuras gerações vislumbrem por trás de tanto blá, blá, blá a necessidade de uma postura consumista que não resulte, necessariamente, na degradação do meio ambiente e adote pequenas atitudes no dia a dia que, a longa prazo, podem sim fazer a diferença. O resto é conversa fiada.