Na contra mão do bom senso

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Publicada em 04/05/2013 às 11:25:00

Não foi à toa que diversos setores da sociedade manifestaram receio diante das medidas anunciadas pelo governador Marcelo Déda há cerca de um mês, quando o chefe do executivo estadual assinou projeto de lei concedendo a isenção total do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e taxas de licenciamento das motocicletas até 125 cilindradas. Somente nos quatro primeiros meses de 2013, o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) realizou mais de 2.700 atendimentos a vítimas de acidentes envolvendo veículos de duas rodas.

Dados da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) mostram que quase metade dos acidentes de trânsito registrados em 2012 nas ruas de Aracaju envolveram veículos de duas rodas. Entre janeiro e junho de 2012, foram registrados 169 vítimas de acidentes com motocicletas e similares. No mesmo período do ano passado foram 92 vítimas fatais.

Na maioria dos casos, os acidentes com moto causam fraturas em membros inferiores e superiores. Os ossos mais prejudicados são o fêmur, a tíbia e o rádio. Os acidentes causam sequelas definitivas em 30% dos incidentes. Paraplegias, tetraplegias, deformidades ósseas e amputações não são raras. Mesmo quando as consequências são menores, acidentes envolvendo motos costumam provocar restrição de movimentos e dores.

Os problemas de mobilidade urbana observados nos grandes centros urbanos, ou mesmo em cidades de porte médio, vêm se acumulando durante décadas a fio, até adquirirem as feições dramáticas que nos causam tantos problemas. Vitimado pela ingerência dos entes públicos, ao cidadão não restou alternativa, além de buscar subterfúgios capazes de amenizar os transtornos no seu dia a dia. O resultado não podia ser outro. A insuficiência das ciclovias, a precariedade do transporte coletivo de passageiros, a lentidão no tráfego de veículos, tudo parece aconselhar a aquisição de uma motocicleta. O apreço pela própria vida, não.