João é candidato

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Colagem do artista Fernando Cajueiro
Colagem do artista Fernando Cajueiro

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Publicada em 05/05/2013 às 19:07:00

Por mais que afirme que é candidato apenas a ser o melhor prefeito que Aracaju já teve, João Alves Filho (DEM) não consegue mais esconder que vai mesmo ser candidato a governador do Estado, pela sétima vez, nas eleições de 2014. Desde que assumiu a PMA, o prefeito passou a adotar medidas midiáticas com interesses sempre bem maiores do que os que caberiam a um prefeito, mesmo sendo Aracaju a capital e o município mais importante do Estado.

João Alves foi governador por três vezes, sempre pelo voto direto, e perdeu outras três - em 1998 para Albano Franco e em 2006 e 2010 para Marcelo Déda. Agora não tem mais tempo para esperar. Aos 70 anos e com uma recuperação de imagem impressionante, o prefeito só pensa em retomar as rédeas do Estado. Até na composição da chapa para prefeito, ano passado, se preocupou em apresentar um vice totalmente identificado com as suas propostas e que faria de tudo para se transformar em prefeito titular.

As ações de João Alves como prefeito são todas voltadas para o eleitorado. Até mesmo o pífio reajuste salarial de 5% para todas as categorias de servidores públicos foi pensando nas eleições estaduais. O aumento irrisório deste ano pode ser atribuído as "dificuldades econômicas" deixadas pelo prefeito anterior, como repetem os secretários Nilson Lima (Finanças) e Carlos Batalha (Comunicação). No ano que vem, as finanças continuarão no mesmo patamar atual - ou até pior, se for seguido o receituário adotado por João como governador - mas o prefeito certamente terá condições de conceder um aumento maior principalmente para as categorias com maior peso eleitoral e que atuem além das fronteiras do município de Aracaju.

O programa Prefeitura nos Bairros, executado mensalmente por João Alves nas áreas mais carentes da cidade, não deixa dúvidas em relação as suas intenções eleitorais. Ele leva algumas máquinas da Emurb, garis da Emsurb, cabeleireiros, mágicos, capoeiristas e pagodeiros e faz a festa durante todo o dia, enquanto troca abraços e sorrisos com moradores, satisfeitos com a presença da figura do prefeito - seu antecessor, Edvaldo Nogueira, não gostava de frequentar os bairros e sequer acompanhava de perto as maiores obras executadas em sua gestão.

Só encaminhou o projeto reajustando a tarifa do transporte coletivo depois de a justiça proibir que o novo valor fosse proposto pela Câmara de Vereadores, por pressão dos empresários de transportes, sempre grandes financiadores de suas campanhas, mas o setor é também um grande gargalo. O serviço é extremamente crítico e necessita de ações emergenciais para não ficar ainda pior. E não é apenas pela falta de corredores exclusivos para ônibus, como alegam os empresários, que o sistema é tão caótico. Aqui a tarifa é mais cara do que na maioria das cidades do mesmo porte e o serviço é muito pior.

Agora o problema da balaustrada da 13 de Julho se transformou num grande portal eleitoral. A classe média e a burguesia de Aracaju querem a execução da obra a qualquer custo, temendo que as estruturas de seus luxuosos prédios na Beira Mar sejam afetadas pela infiltração das águas do rio Sergipe. Além disso, acham horrorosos os manguezais que se espelham ao longo de toda a margem do rio e hoje, já há até quem reclame de uma suposta invasão de cupins, que seriam oriundos das plantas mortas dos manguezais, que estariam afetando os vistosos armários das madames.

A decisão da Adema em exigir estudos técnicos mais aprofundados antes de autorizar a execução da obra não deve impedir que o prefeito João Alves inicie o aterro de 40 metros rio adentro, porque ele já fez isso em áreas bem maiores e sem ter a opinião pública a seu favor. E agora está respaldado numa decisão judicial que determinou a interdição de uma pista da Beira Mar e a execução de obras emergenciais.

Obras emergenciais seriam o aterro de 40 metros do rio, ao longo de quase 1 quilômetro, para a construção, além do quebra-mar, de um agradável calçadão, com ampla área verde, equipamentos de lazer e dezenas de vagas de estacionamento?  Candidatíssimo, João quer transformar aquela área da 13 de Julho num novo cartão postal que possa ser exibido como marco de sua rápida passagem pela Prefeitura de Aracaju. Independente dos problemas ambientais que possam surgir mais à frente.

Sem problemas
Apesar da disposição da senadora Maria do Carmo Alves (DEM) em disputar a reeleição, ela não seria um problema para a tentativa de o marido João disputar pela sétima vez o comando do Estado. Abriria mão em favor de uma aliança forte que pudesse facilitar o caminho eleitoral. Há dois problemas: o vice-governador Jackson Barreto (PMDB) deverá ser o candidato da coligação governista, com o apoio do governador Marcelo Déda (PT) e do senador Antonio Carlos Valadares (PSB), e o senador Eduardo Amorim (PSC) não abre mão da sua candidatura a governador pela oposição, referendado pelos 11 pequenos partidos controlados pelo seu irmão Edvan.

Saúde
Depois de uma semana em que manteve uma série de atividades públicas, o governador Marcelo Déda retoma o tratamento médico em São Paulo nesta terça-feira. Exatamente no dia em que a Assembleia Legislativa deverá votar em plenário os projetos do Proinveste. Desde outubro do ano passado ele tenta obter a autorização para esses financiamentos e a derrota, em dezembro, fez com que ele abrisse ampla negociação com a oposição, redefinindo obras, até um entendimento viável.

Gesto político
Na semana passada, uma importante decisão política da Assembleia Legislativa passou quase sem ser notada. A pedido do deputado estadual Francisco Gualberto (PT), os deputados integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da AL arquivaram uma Moção de Repúdio ao senador Antônio Carlos Valadares (PSB) que estava prestes a ser votada durante a reunião. A Moção havia sido apresentada por Zeca da Silva (PSC) em protesto contra as declarações de Valadares acusando Maria Mendonça e Adelson Barreto pelo agravamento da doença do governador Marcelo Déda. Com vários argumentos convincentes, Gualberto conseguiu sensibilizar os colegas e livrar Valadares do constrangimento. Mesmo com o chororô de Maria Mendonça.

Homenagem
O ex-vereador Marcélio Bomfim recebe nesta segunda-feira, às 17 horas, a medalha do Mérito Parlamentar, conferida pela Assembleia Legislativa de Sergipe, atendendo proposta do deputado Garibalde Mendonça (PMDB). Ex-preso político durante a ditadura militar, Marcélio resolveu transformar a solenidade em homenagem a todos os perseguidos e presos políticos, tanto em 1964, quando da deflagração do golpe, quanto em 1976, durante a Operação Cajueiro.

Acalmando

Na semana passada o secretário Sílvio Santos, Casa Civil, principal articulador político do governador Marcelo Déda, precisou reunir os deputados da bancada governista para tentar retomar a sua autoridade durante as negociações. Ele vem sendo minado com boatos de sua provável candidatura a deputado estadual em 2014. Isso estaria criando desconforto na relação com os atuais deputados. Sílvio mostrou que suas ações são em nome do governo e não motivadas por questões eleitorais.

Dificuldade
O governo Déda sempre teve muitas dificuldades na articulação política. Deputados e líderes políticos não se sentem contemplados quando são atendidos por um secretário, já que o governador sempre fez questão de negociar diretamente com eles. Neste momento em que enfrenta uma limitação de agenda devido ao tratamento médico, a confiabilidade dos secretários do núcleo de governança é fundamental. Sílvio Santos foi o escalado por ele para as negociações políticas enquanto Pedro Lopes, de Governo, cuida da parte institucional.

Em Brasília
Jorge Alberto, que já comandou a Administração e a Casa Civil nos dois governos Déda, deverá ser acomodado na chefia do escritório político em Brasília. O cargo está vago desde que Pedro Lopes foi nomeado secretário de Governo.

Sem povo
Na última quinta-feira, 02, a Câmara de Vereadores ficou sem quorum por decisão da bancada governista para votar o reajuste da tarifa de ônibus, em virtude de protestos de manifestantes do Movimento Não Pago. A votação foi adiada para esta terça-feira, quando haverá nova manifestação contra o reajuste. A atual direção da Câmara vem convocando sistematicamente a tropa de choque da PM para evitar o acesso dos movimentos sociais às votações da casa.

Sem recurso

Com a decisão do prefeito João Alves em encaminhar o projeto propondo reajuste nas tarifas para R$ 2,43, a presidência da Câmara desistiu do recurso contra liminar judicial contrária ao projeto dos próprios vereadores que subiu a tarifa para R$ 2,45. Outro problema para João Alves: depois de aprovado o projeto pelos vereadores, ele terá que sancionar a lei para que o novo reajuste entre em vigor.