Cine Vitória e um exercício de imaginação

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Publicada em 10/05/2013 às 11:23:00

* Marcolino Mota

Imagine que qualquer cidadão possa dialogar com qualquer vereador, deputado ou senador. Imagine que possa, com eles, co-criar leis e participar levantando ideias orientadas pelo bem comum. Os governos já não falam apenas com governos. Os ativistas tampouco dialogam somente com ativistas. Nessa nova democracia, há outros mecanismos de diálogo: todos podem falar com todos. E, como se não bastasse, os documentos e conteúdos são totalmente transparentes.

Esse retalho de utopia pode ser experimentado nos dias de hoje por conta da Lei de Acesso à Informação. Esta chega deitada nas prerrogativas levantadas pela ONU, de que a liberdade de informação é a pedra de toque de todas as liberdades.
Entretanto, alguns governos ainda se comportam de forma analógica, quadrada, compartimentada.

Reduzem a coisa pública ao umbigo, confiando a amigos os mandos e desmandos sobre equipamentos e espaços públicos. Porém, por causa da danada da internet, o juízo dessa gente anda esquentando.
Em Alagoas, cineastas e aspirantes se debatem por míseros recursos. A ausência de política pública para o setor engessa e aprisiona os sonhos dos meninos. Porém, descobriram que um rapaz conseguiu levantar uns 200 mil dinheiros só porque é chegado da Secretaria de Cultura. Bom, estou falando de Alagoas e por lá as coisas não costumam ficar por isso mesmo. Criaram o Movimento Quebre o Balcão e decidiram protestar em frente às locações do filme daquele rapaz amigo do rei.
Por essas bandas, apenas um Quixote vem balançando o estandarte da cidadania. Por meio de e-mails e postagens nas redes sociais, o jovem cineasta sergipano Fábio Rogério rompe o silêncio da brodagem e avança numa perspectiva republicana e transformadora. Questionar a legitimidade da cessão do usufruto do infante Cine Vitória pela SECULT em prol da Casa Curta-SE é um exercício democrático, afinal, um equipamento público deve - a priori - ser gerido pelo Poder Público. Pior, segundo o Portal da Transparência do Governo Federal é "vedada qualquer cobrança de ingressos" no Cine Vitoria.

Aí danô-se. A Secretaria de Cultura do Estado retruca em seu perfil no feicebuque dizendo que "...a restrição sobre a cobrança de ingressos no Cine Vitória/Sala Avenida Brasil está relacionada ao projeto Memória em Rede, que prevê a exibição de filmes sobre a história do Brasil.  Fala ainda que esse projeto é uma contrapartida  da Casa Curta-SE em troca da cessão compartilhada do espaço e que "para as demais exibições, poderá ser feita cobrança de ingressos, ressalte-se, a preços abaixo da média do mercado."
Mas, afinal, qual mecanismo legal assegura a participação - única e exclusiva - da Casa Curta-SE como parceira na gestão do Cine Vitória? Essa pergunta ainda continua sem resposta.

* Marcolino Mota é produtor audiovisual.