Coutto Orchestra no Circuito Sesc de Música

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Publicada em 24/05/2013 às 11:00:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Em parceria com o Circuito Sesc de Música, nesta próxima sexta-feira (24), às 18 horas, o Projeto RioMar Cultural apresenta o Coutto Orchestra. Formada em 2010, a micro-big-band faz a fusão da cultura DJ com as melodias e fanfarras que apelam para a alegria primitiva das massas mundo afora. Uma via de mão dupla. Das viagens, a banda traz para casa cantos e ritmos como o tango, a cumbia, o balkan, as valsas, as marchas, o house e o jazz manouche. Em retribuição, apresenta aos gringos o maracatu de brejão, a taieira, a marujada e o forró, tudo temperado num caldeirão --- que os músicos apelidaram de Eletrofanfarra.

No palco, quatro instrumentistas linkam aparatos tecnológicos à sanfona, percussões, sopros, vozes e cordas para reproduzir melodias cativantes e batidas fortes. Canções sem palavras, associadas a projeções e luzes, provocam uma sensação festiva e imagética em uma atmosfera urbana e enraizada na cultura das ruas.
Com um pouco de sorte, a apresentação no Riomar Cultural será pontuada pela canções ainda inéditas do primeiro disco oficial da Coutto. Se o clima do novo registro for semelhante ao de Aratu Milonga, EP lançado pela banda ano passado, o público não tem chance de voltar aborrecido pra casa.

Aratu Milonga - A pulsação cardíaca de algumas músicas preenche o oco de nosso peito como um assalto. Os mais sensatos fecham a boca. Os esnobes rasgam a roupa, arrebatados. Eu adivinho o fim do mundo e batuco o teclado.
Há na urgência marcial das composições reunidas no EP Aratu Milonga, debute da Coutto Orchestra de Cabeça, uma ênfase parida pela necessidade. A reiteração de algumas poucas frases fundamentais revela a essência de um enredo intimista, que dispensa palavras e projeta contornos difusos, sombras de símbolos originais, para nos falar de histórias passadas no baldio de não se sabe onde. A informação sujeita à intuição. A silhueta no lugar da imagem.

Sob o manto bélico de uma marcha ou no colorido de uma fanfarra (o tom e a forma pouco importam), as composições assinadas por Alisson Coutto (aka Alemão) seguem à risca o aparente propósito de comunicar sensações por meio de quase nada. Apesar do aparato tecnológico e do instrumental numeroso (projeções, controladores, teclas, percussão, vozes, cordas e metais), tudo é muito simples e direto. Melodias curtas, com pequenas variações, repetidas à exaustão, provocam os nervos até que neguinho não aguenta mais e se derrama feito o coração do poeta - um balde despejado.