Discursos vazios

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 14/06/2013 às 16:12:00

Difícil encontrar algum nexo na relação de causa e efeito estabelecida pelo vereador Agamenon Sobral (PP) na tarde de ontem, quando ocupou a tribuna da Câmara Municipal de Aracaju para responsabilizar a greve dos professores pela morte de uma jovem na cidade de São Cristóvão.  Não sublinhasse a crise de representatividade que anula o legislativo da capital sergipana, completamente curvado à vontade da Prefeitura Municipal de Aracaju, o pronunciamento do parlamentar se limitaria a evocar o adágio segundo o qual em boca fechada não entra a mosca. O vereador perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado.
Não é a primeira vez que um integrante da atual legislatura na Câmara de Vereadores envergonha a Casa. Há alguns meses, durante os debates que precederam o reajuste da tarifa de ônibus em Aracaju, o vereador Jailton Santana (PSC), outro que não parece atribuir muito valor ao silêncio, recorreu a um artifício dos mais rasos e tentou desqualificar os militantes do Movimento Não Pago com base no perjúrio.
Segundo Jailton Santana - um dos 15 vereadores que aprovaram o aumento da tarifa para R$ 2,45 - os militantes que protestavam contra o aumento concedido pelo prefeito João Alves Filho não passavam de "um grupo de riquinhos da 13 de julho, pessoas da elite que não querem pagar o transporte coletivo".
Ainda há exceções, mas a política de alianças consagrada nos últimos embates eleitorais vem revelando sua face mais perversa na maioria das casas legislativas do país. Em Aracaju não é diferente. O prefeito João Alves Filho não precisa se preocupar com o resquício de oposição que enfrenta na Câmara de Aracaju. Os debates podem até ficar acirrados, mas na hora da votação, quando o bicho pega de verdade, a maioria sólida de que dispõe entre os vereadores, conquistada sabe-se lá a que preço, está sempre disposta a varrer suas atribuições constitucionais para longe do plenário para satisfazer a vontade do chefe. Lamentável.