Senador mentiu para o Conselho de Ética

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Publicada em 26/06/2012 às 15:52:00

Luciana Lima
Agência Brasil

Brasília - O relatório apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), no qual pede a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), diz que o parlamentar mentiu ao Conselho de Ética sobre a sua relação com o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "É simplesmente inacreditável que o representado, considerados todos esses prolegômenos, venha sustentar que ignorava tudo sobre os "afazeres ocultos" de Cachoeira; que tenha respondido candidamente ao Senador Mário Couto que não sabia que Cachoeira era contraventor", disse. "Cachoeira é o verdadeiro anjo da guarda de um senador da República", destacou o relator.
Costa relembra que Demóstenes, durante seu depoimento, disse que não sabia que Cachoeira, investigado pela Polícia Federal, era contraventor. Costa relata ainda que "as atuações na área de construção civil, construção pesada, prestação de serviços urbanos e licenciamento ambiental já estão sendo escrutinadas pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Cachoeira". Segundo o relator, em todos os casos, duas certezas: a) um parlamentar a valer-se do seu inegável prestígio para viabilizar interesses econômicos do "contraventor"; b) uma teia de ligações, consórcios, parcerias, sociedades e associações empresariais em que se pode averiguar a conhecida técnica de commingling [mescla] para obstaculização de qualquer investigação sobre o paper trail".
Costa também apontou o envolvimento de Demóstenes com os negócios de Carlinhos Cachoeira na exploração de jogos de azar e ainda atuado na proteção de Cachoeira. Outro ponto levantado pelo relatório é o de obtenção de vantagens por parte do senador que atuava em nomeações impostas por Cachoeira na administração pública e no Senado.
"Aspecto relevante do relacionamento entre Cachoeira e o representado é o empenho de Demóstenes em conseguir postos na administração pública em favor de pessoas do círculo de Cachoeira", apontou o relator. "O mais importante para avaliarmos, contudo, creio eu, seriam as nomeações aqui no Senado Federal".