O PRESENTE QUE RÔMULO RECEBEU

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Publicada em 09/07/2013 às 12:00:00

Estava Rômulo Rodrigues, paradigma de militante purificado pelo idealismo, em tempo de comemorar os seus 70 anos. Hesitou em fazer a festa reunindo a família e os amigos. Isso porque, um amigo que ele tanto gostaria que estivesse presente, não poderia comparecer, e a alegria não seria a mesma com aquela ausência.

Mas, pensou: ¨Afinal só se faz 70 anos uma vez, e em Caicó me ensinaram a fazer das lágrimas um sinal de esperança¨. Na quarta-feira, dia do jogo Brasil e Uruguai, ele distribuía os últimos convites e estava com pressa, queria assistir o jogo. Foi a Atalaia bater à porta da amiga Tanit Bezerra, mais amiga ainda por ter sido amiga do seu filho Rafael, que se foi muito cedo. Tanit veio recebê-lo ao pé do elevador, e aí soou o telefone.

Rômulo atendeu, o número era de São Paulo, e logo reconheceu a voz. Era de Marcelo Déda, que pedia desculpas por não vir abraçá-lo em Aracaju, para juntos festejarem a vida. Déda falou por mais de vinte minutos, relembrou episódios vividos quando ele era quase menino e Rômulo já bem maduro, falou de vida, do futuro de Sergipe, falou de esperanças. Rômulo ouviu. Despediram-se. Tanit, junto, acompanhava muda. Romulo voltou-se para ela e disse: ¨Recebi agora o grande presente pelos meus 70 anos.¨