HELENO SILVA, SOCORRISTA NA ESTRADA

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Publicada em 09/07/2013 às 12:01:00

Vinha, a caminho de Aracaju, na noite de quinta-feira o prefeito de Canindé do São Francisco Heleno Silva. Com ele, o motorista Gilson, e Raimundo, secretário de Articulação Política. Entre outras coisas, falavam durante o percurso, sobre os perigos e os acidentes nas estradas. Já próximo a Nossa Senhora das Dores, o motorista reduz a velocidade, e todos vêm, clareado pelos faróis, um corpo estendido perpendicularmente sobre o asfalto. Era um homem com um capacete. Perto, estava uma moto, mas em pé, sobre o suporte.

Não era o cenário de um acidente. Passou pela cabeça de Heleno a lembrança de uma conversa que tivera no domingo anterior, com um amigo relatando casos de assaltos nas estradas, alguns, praticados por pessoas que se fingiam de mortas. Heleno pediu que Gilson estacionasse o carro ao lado da estrada, um pouco adiante do corpo. Desceu, a ai já paravam também dois outros carros. Depois de fazer uma observação sobre o corpo, e notando que ele estava absolutamente imóvel e com as mãos estendidas, Heleno aproximou-se. Junto ao homem logo sentiu o cheiro forte que dele exalava. Era o indisfarçável odor da cachaça. O homem estava bêbado. Heleno tentou erguê-lo, fez-lhe algumas perguntas, e o homem com a voz característica dos embriagados foi narrando a sua pequena e particular odisseia. Morava no povoado Volta, em Dores, fora a Nossa Senhora da Gloria e, mais uma vez sem ouvir os conselhos da mulher e dos filhos, tomou todas. No retorno, depois de muitas peripécias, resolveu parar a moto e não sabia como desabou ali, logo no meio da estrada. Não se lembrava de nada. Com a ajuda das pessoas que chegaram, de Gilson e Raimundo, Heleno levou o homem para o seu carro, mas ai alguém lembrou: "E a moto?"
Heleno resolveu a questão: ¨Deixe comigo, eu levo¨. A moto era uma cinquentinha, quase sucata, demorou a pegar, e o farol não acendia. Formou-se então o cortejo para a devolução do bêbado à sua família. O carro do prefeito na frente, os dois outros atrás, e a moto no meio, com Heleno tentando enxergar a estrada.

Foram todos levar o homem até a casa dele no povoado Volta. Quando chegaram, a família fez festa, logo reconhecendo o Pastor Heleno. O homem, já menos bêbado, não parava de abraçar Heleno e ficava a repetir: ¨O senhor salvou minha vida pastor Heleno Silva?. Heleno livrou-se dele, o hálito era muito forte, e ficou adiante, conversando com a esposa e os filhos todos querendo saber detalhes do ocorrido. O homem junto aos outros o que o ajudaram comentou: ¨Pastor Heleno me socorreu, me salvou, agora, como todo político, tá fazendo sua média com a minha família. E eu vou ficar sendo um bêbado famoso¨.