Não trincou e nem rachou

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 25/07/2013 às 15:45:00

Os abutres de hoje não desejam, é bem verdade, a morte das pessoas, mas da aliança política que comanda o processo de mudanças no pertencimento do Estado e que desagrada, por demais, aos seus patrões que vêem cada vez mais distante o sucesso de seu projeto de pegar para si as chaves do cofre do tesouro

* Rômulo Rodrigues

Semana passada uma tuitada do Governador Marcelo Deda lá de São Paulo deixou o mundo político de Sergipe em imensa polvorosa e serviu de banquete para os que torcem por tragédias diárias para fazerem os alardes de suas sobrevivências.
Os imortalizados Chico Anísio e Arnold Rodrigues, nos tempos cruéis de ditadura e censura braba, usavam de paródias musicais para driblarem os inimigos da democracia e ridicularizá-los. Umas delas tem o seguinte verso: "O urubu está com raiva do boi e já sei qual a razão; o urubu está querendo comer, mas o boi não quer morrer, não tem adivinhação".
Os abutres de hoje não desejam, é bem verdade, a morte das pessoas, mas da aliança política que comanda o processo de mudanças no pertencimento do Estado e que desagrada, por demais, aos seus patrões que vêem cada vez mais distante o sucesso de seu projeto de pegar para si as chaves do cofre do tesouro.
Aos simplesmente moralistas que têm como bandeira mais tremulante a transparência e mais escondida a do falso cordato, vai a provocação: O governador deu uma grande lição de transparência ao expor pùblicamente que não gostou nem do nome nem do método de escolha feito por seu leal companheiro de governo.
Agora vem o grande questionamento. O governador em exercício deu algum motivo para provocar uma rachadura que espatifasse a aliança governista? Não e pronto.
Uma metáfora que pode ser usada é a comparação com um fato acontecido na seleção brasileira que foi campeã da Copa das Confederações. O titular absoluto da posição de centroavante era Fred que estava jogando no sacrifício com fissura numa costela, sentindo dores e não marcando gols e por isso foi substituído pelo reserva Jô, que fez dois gols em duas entradas de 11 minutos, em momentos importantes das partidas. Agora, imaginem se passou pela cabeça de Jô, ao ver o gol adversário escancarado à sua frente, não enfiar a bola nas redes adversárias por medo de melindrar o companheiro de seleção. Claro que não, meteu a bola pra dentro nas duas oportunidades e a consequência foi a conquista do título.
Foi assim no futebol e é assim na boa política, para o bem de todos nós.
Mas,depois da ameaça da tempestade que não aconteceu, vem a ressaca em forma de versões, que às vezes são bem maiores que os fatos em si.
Como o terreno da política, como em muitos outros das relações humanas, é muito fértil para a proliferação do fuxico, logo apareceram as vivandeiras para boatarem que amigos muito próximos do Governador teriam pressionado-o para que mostrasse seu descontentamento pelas redes sociais e aí cometeram dois grandes equívocos; 1) se são amigos tão chegados jamais o aconselhariam a fazer algo que lhe causasse mal estar e ao seu governo; 2) se o fizeram sem ponderar as conseqüências, nem são amigos e não são próximos.
Uma conclusão razoável a ser tirada é de que, se todos sabem que Marcelo Deda é um jaquista de carteirinha e Jackson Barreto é um dedista idem, quem sabe foi a distância e a saudade mútua a acusa e o efeito do pequeno abalo.
O certo mesmo é que o governador em exercício, pesos pesados do secretariado e também da aliança que dá sustentação ao governo Déda, brindaram o povo de Simão Dias e Poço Verde com inaugurações importantes de quadras esportivas, entregas de computadores, reformas de escolas, visitas de importantes unidades industriais que estão gerando e vão gerar muitos empregos e promover o desenvolvimento da região.
Quem passou por lá antes da caravana governamental percebeu que o povo sabia que em 22 de junho de 2013, nos seus municípios estavam sendo renovadas esperanças e inaugurados sorrisos.

* Rômulo Rodrigues é militante Político