Quilombolas de Brejo Grande comemoram alta produção de arroz

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Publicada em 30/07/2013 às 02:45:00

Os quilombolas que vivem na região de Resina, no município de Brejo Grande, tiveram suas vidas transformadas depois de dezembro de 2010, quando passaram a ser oficialmente os donos das terras onde, por diversas gerações, já viviam suas famílias. A decisão corrige um erro histórico, já que a área dessas populações tradicionais era, até então, ocupada de maneira irregular por um grupo de fazendeiros, que exploravam as terras e as famílias quilombolas.

Quase três anos depois, as lembranças de ameaças, humilhações, destruição das plantações e violência sofridas pela população local ficaram para trás. Hoje, os quilombolas e agricultores da região comemoram a mais alta produção de arroz já registrada na região: 450 toneladas, o equivalente a 7 mil e quinhentos sacos do grão.

Para a deputada estadual Ana Lúcia (PT), que acompanhou e encampou a luta das comunidades de Brejo Grande pelo acesso à terra, "a alta produção comprovou que as terras passaram a ter uso e valor não apenas de mercado, mas modificaram profundamente vida das famílias que nelas vivem e sempre viveram, gerando renda e lhes resgatando a dignidade".

O líder quilombola José Francisco Procidônio dos Santos, conhecido como Chicão, conta que as 29 famílias que vivem na região plantaram em nove das onze lagoas existentes no município. A quantidade de arroz produzido foi tão grande, que possibilitou os rizicultores consumir parte do que foi colhido, vender a maior parcela e ainda produzir sementes com o excedente, já pensando nas próximas safras.

Cada alqueire produzido, equivalente a 240 quilos de arroz, foi vendido a cerca de R$ 150, valor superior à safra anterior, que chegou a uma média de R$ 110. O aumento comprova que a qualidade do arroz da última safra foi superior ao da anterior e é resultado de diversos fatores como a qualidade das sementes utilizadas e o investimento em assessoria técnica, fornecido pela Secretaria de Estado da Agricultura e com o apoio da deputada Ana Lúcia (PT).

O lucro da venda possibilitou aos quilombolas outros investimentos, como o plantio de novas culturas, a exemplo da mandioca, do amendoim, do milho, do coco e do feijão e até mesmo a aquisição de animais. "Com o lucro desta safra alguns compraram porcos, outros cabras, outros investiram em bezerros. O mais importante é que agora nós temos condições de arcar com os custos da criação destes animais", conta o agricultor Pedro Procidônio.

A produção diversificada foi um passo importante para os quilombolas, pois antes de terem acesso à terra, eles dependiam apenas da pesca, atividade sazonal, e do seguro-defeso, pago uma vez por ano no período em que a pesca não é permitida. "Antigamente, ou a gente tinha a pesca, de ano em ano, ou não tinha mais nada. Com o Rio São Francisco morrendo, tinha ficado ainda mais difícil pescar e viver", contou Pedro, ao recordar as dificuldades passadas pela sua comunidade antes de ter acesso à terra.