Clube do Jazz celebra seis anos de atividade

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Interpretações pessoais para temas consagrados do jazz e da bossa nova
Interpretações pessoais para temas consagrados do jazz e da bossa nova

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Publicada em 31/07/2013 às 02:50:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

"A música instrumental feita em Sergipe ganhou força de uns anos pra cá, coincidindo mais ou menos com o tempo de existência do Programa Clube do Jazz na nossa rádio pública, graças à abnegação de um professor universitário que ama jazz e se dedica com fervor ao programa e à divulgação do que acontece no cenário da música instrumental do mundo, do Brasil e de Sergipe".

A observação do baterista Rafael Jr não poderia ser mais precisa. O programa comandado pelo professor Ernesto Seidl na rádio Aperipê FM (104, 9) comemora seis anos no próximo sábado, quando o quarteto Clube do Jazz (Ferraro Trio + o saxofone de Alejandro Habib) recebe diversos convidados para celebrar a boa música feita por aí afora.

Para que se tenha ideia do carinho dedicado pela música sergipana ao programa da Aperipê, um time de primeira já confirmou presença na celebração. As cantoras Soayan Silveira, Vanessa Góes e Monara vão soltar a voz junto ao quarteto. Isso, pra não mencionar a participação de José Gentil, (trompete), Moisés Santos (trombone) e Davysson Lima (sax) - nada mais, nada menos do que a "metaleira" da Mangabeira Jazz.

Para Rafael Jr, o bom momento vivido pela música instrumental aqui na terrinha não brotou do nada. "Tivemos no passado big bands de ponta, como a Radio Orquestra de Pinduca (Luiz D´Anunciação, um vulto pouco conhecido e falado da nossa música, mas de uma importância absurda), os grupos de Medeiros, Hilton Lopes, etc. Mas com os grupos de baile e a invenção dos instrumentos eletrônicos, essa forma de fazer música ficou meio esquecida, com pouquíssimas exceções aqui e ali".

Segundo Rafael Jr, foi a chegada de um novo personagem no cenário que espantou a pasmaceira. "Nos anos 80, um argentino chamado Alejandro Habib chegou e reacendeu a chama. Depois de mais de 20 anos trabalhando na noite e tocando com playback em hotéis, restaurantes e eventos, ele esbarrou com jovens músicos a fim de se desenvolverem nessa linguagem, e hoje o Ferraro Trio serve de base pra esse desenvolvimento artístico e instrumental, a partir de reinterpretações próprias de temas consagrados do jazz e da bossa nova, latin jazz e samba jazz, que são hibridismos muito interessantes e que renovaram a linguagem do jazz lá pela década de 60".

O baterista do Ferraro Trio lembra que, hoje, a cena é rica e diversa, formada por muitos outros nomes, com trabalhos dedicados a diferentes vertentes da música instrumental.
"Posso citar o guitarrista Igor Gnomo, o grupo Mangabeira Jazz com uma metaleira de alto nível, as cantoras Soayan e Vanessa Góes com o Quarteto Gramophone, o pessoal do Jazz na Calçada e, numa outra vertente mais contemporânea os meninos da Casa Forte e o Coutto Orchestra, sem contar a tradição do chôro que tá fervilhando por aqui com gente nova tipo Odir Caius e o Grupo Brasileiríssimo. Tenho acompanhado com atenção e tenho orgulho de fazer parte dessa geração. Ainda falta um festival local mais solidificado (o Mangaba Instrumental teve duas edições e parou) e ações mais concretas do poder público para fomentar esse tipo de música que não tá muito presente no rádio, com exceção de programas especializados como o "Clube do Jazz" e o "Almoço com Jazz" da Aperipê FM".

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Sábado, 03 de agosto, a partir das 22 horas