Frase de Rita Lee vai gerar novo processo de PMs

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 06/08/2013 às 14:54:00

A cantora Rita Lee Jones de Carvalho pode responder nos próximos dias a um segundo processo movido pelos 35 policiais militares sergipanos que, na semana passada, conseguiram do Supremo Tribunal Federal (STF) uma condenação definitiva relativa ao primeiro processo. Os PMs, que foram xingados por ela durante um show no festival Verão Sergipe, na Barra dos Coqueiros (Grande Aracaju), em 29 de janeiro de 2012, ganharam o direito a receber cerca de R$ 255 mil em indenizações a serem pagas pela cantora.

Desta vez, o motivo do novo processo está em uma frase postada por Rita em sua conta pessoal no Twitter, no qual critica a decisão de terceira instância e acusa os policiais de abuso de autoridade. "A truculência que houve no meu show foi igual à das recentes manifestações. Me posicionei ao lado do público. Pra safado nenhum tostão furado", diz a frase, postada na noite de sexta-feira e retirada do ar na manhã de ontem. Outras duas frases contrárias à PM sergipana permaneciam publicadas até o fechamento desta edição: "Quando a ditadura é um fato a resistência é um dever. Apenas minha silenciosa manifestação anti vcs-sabem-quem (sic)".

Ontem, a Associação dos Militares de Sergipe (Amese) anunciou que já foi procurada por alguns dos militares e instigada a mover o segundo processo contra Lee, alegando que foram ofendidos pela manifestação dela. "Se ela não temesse por nada, ela não teria apagado a 'twittada', mas nós já tínhamos imprimido uma prova, e não adianta apagar porque fica registrado. Ela tinha que ter serenidade em relação à decisão. Nós tivemos isso quando perdemos no 7º Juizado Cível, e recorremos. Em momento nenhum, nós achincalhamos ou denegrimos a imagem de alguém. E ela, irresignada com a derrota que sofreu, ela foi pro twitter e escreveu isso. Em consequência disso, nós vamos ingressar com uma nova ação, porque, até mesmo, ela desrespeitou uma decisão do Supremo", argumentou o advogado da associação, Márlio Damasceno.
A artista ainda criou o termo #FreeRitaLeevre, que agrupa mensagens sobre o tema e foi a deixa para que muitos fãs da cantora se manifestassem em apoio a ela e contra os policiais. Alguns deles criaram no site "Avaaz.org", de petições eletrônicas, um abaixo assinado que deve ser entregue ao STF para revogar a decisão de indenização aos PMs. O argumento é de que os militares agiram com truculência ao revistar espectadores que fumavam maconha em frente ao palco. "Consideramos injusta a atitude dos policiais que se sentiram ofendidos por palavras não contra o individuo, mas contra a instituição que os representa. (...) Desejamos a revogação da decisão do STF e o fim do oportunismo e da violência por parte da polícia", diz o texto da petição, a qual tinha 537 assinaturas até a noite de ontem. (Gabriel Damásio)