Disputa entre emergentes

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Grafiteiros deixam nas paredes seus recados de preservação do Rio Sergipe
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Publicada em 12/08/2013 às 23:19:00

Em crise com a longevidade no poder e ainda atordoados com o julgamento do mensalão, dirigentes do PT sergipano vão enfrentar, a partir desta segunda-feira, um novo confronto interno. Os deputados federais Rogério Carvalho e Márcio Macêdo, da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária dentro do partido, deverão disputar no voto a presidência do diretório estadual. É a primeira vez que dois nomes da mesma tendência se enfrentarão pelo comando da legenda.
Em 2009, o secretário Sílvio Santos disputou no voto a presidência do PT sergipano, mas contra adversários de outras correntes, o sindicalista Severino Bispo (Movimento PT) e o atual vereador Iran Barbosa (Articulação de Esquerda). Agora o confronto se dará entre a mesma corrente e mais a deputada Ana Lúcia - ou Iran - que também registrará chapa pelo grupo mais à esquerda.

A princípio, a CNB apresentou o nome de Sílvio como uma forma de equilibrar a disputa entre Rogério e Márcio, lideranças emergentes do PT e que tentam ocupar os espaços do governador Marcelo Déda e do ex-senador José Eduardo Dutra. Só que Rogério, atual presidente estadual, se sentiu preterido das negociações para a montagem da chapa e partiu para o ataque. Há 15 dias, Sílvio Santos retirou o seu nome pensando que isso forçaria um entendimento entre os dois.

Protegido de Zé Eduardo, Márcio chegou a conversar com Rogério, mas sempre exigindo os cargos chaves, a começar pela presidência. Não houve entendimento. O primeiro, então, passou a fazer filiações em massa para tentar ganhar, no voto, a presidência na eleição direta que será realizada em novembro. Se não tem apoio na cúpula estadual, Rogério teve o aval do presidente nacional do PT, Rui Falcão, e das principais lideranças do partido para enfrentar a disputa. Em nível estadual, conta com o apoio dos deputados estaduais Francisco Gualberto e João Daniel, dos vereadores de Aracaju Emmanuel Nascimento e Dr. Emerson, além da maioria dos presidentes dos diretórios estaduais, prefeitos e ex-prefeitos do partido. E, como Márcio, também fez uma ampla campanha de novas filiações.

Ontem, Sílvio disse que quando lançou o seu nome atendeu apelo de Déda para tentar buscar um acordo. Como isso não foi possível saiu da disputa. Ele prevê que o governador, que só deve voltar para São Paulo para retomar o seu tratamento contra câncer na segunda-feira, tentará ainda um entendimento entre os dois, mas entre os apoiadores de Márcio falam que Déda e Zé Eduardo farão parte da sua chapa, o que poderia representar um grande apelo eleitoral entre os filiados do PT, principalmente pelas condições de saúde enfrentadas neste momento pelo governador.

No início da década de 1990, quando os chamados "independentes" surpreenderam Déda e Zé Eduardo e tomaram o comando do PT, o partido enfrentou um verdadeiro racha. Apesar da forte liderança do então deputado estadual Ismael Silva na capital, a direção apontava para um lado e os militantes mais importantes iam para outra. A própria campanha eleitoral de Ismael para a prefeitura de Aracaju, em 1996, mostrou isso. No segundo turno, quando Ismael aceitou alianças com todos os derrotados, inclusive a atual senadora Maria do Carmo Alves (DEM), Déda e Zé Eduardo partiram para o ataque e ajudaram na vitória de João Augusto Gama (PMDB), que em 2000 desistiu da reeleição e foi fundamental na vitória de Déda logo no primeiro turno. Ismael acabou sendo forçado a deixar o PT e encerrou sua carreira política de forma melancólica.

A disputa de Rogério e Márcio vem desde a época em que Déda era prefeito de Aracaju e se agravou nas eleições de 2010, quando o segundo foi escalado para substituir Zé Eduardo como candidato a deputado federal. Na época, Márcio tinha o controle do diretório estadual e conseguiu a façanha de receber para a sua campanha uma doação de R$ 2 milhões feita para o diretório nacional do PT. Rogério tinha as suas próprias fontes de financiamento e foi o mais votado do Estado, mas Iran Barbosa fez protestos veementes contra o dinheiro usado na campanha de Márcio. No ano passado Rogério foi impedido de disputar a Prefeitura de Aracaju em nome da manutenção da aliança com o PSB.

Hoje, os dois pensam exatamente da mesma forma e um acha que será esmagado pelo outro caso não tenha o comando do partido. O governador seria o único que poderia interferir em busca do entendimento entre os dois deputados, já que Zé Eduardo atua como mentor de Márcio. Mas nesse momento Déda não tem condições de saúde para enfrentar horas de discussões como tradicionalmente ocorre no PT. É um rompimento sem volta.

Sem acordo
Rogério Carvalho não acredita mais em qualquer entendimento com Márcio. Ele disse que também não se sente mais autorizado a abdicar de apresentar chapa, porque não teria como explicar isso ao grupo que o acolheu depois de ter sido preterido por líderes da CNB. "Quem quer se legitimar como liderança não pode atropelar a confiança dos aliados. Política é acordo e entendimento", ressalta o deputado.

Ausente
O senador Eduardo Amorim (PSC) se recusou a participar da cerimônia na última sexta-feira em que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e o governador em exercício, Jackson Barreto, assinaram o contrato para o início do Canal de Xingó, maior obra de infraestrutura a ser realizada no Estado. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB), responsável pela reunião da Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado em Aracaju, onde ocorreu a cerimônia, disse que fez o convite a Amorim tanto formalmente como pessoalmente. Ele alegou que tinha compromissos inadiáveis no município de Itabaiana.

Disputa
O senador Amorim trava uma disputa com Valadares por conta do comando estadual da Codevasf. Ele tentou, por diversas vezes, trazer o presidente nacional da companhia, Elmo Vaz, para se reunir com parceleiros da companhia no Baixo São Francisco. Vaz não atende a suas convocações e sempre encaminha o superintendente estadual, Paulo Viana, indicado por Valadares.

Aniversário
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), presença mais esperada na reunião da CDR em Aracaju pela sua condição de presidenciável, não compareceu. Valadares informou que ele avisou com antecedência que não viria, porque no dia estava aniversariando e haveria diversas comemorações em Recife.

Sem voos
Queixa generalizada dos secretários de Turismo do Nordeste que participaram da reunião da CDR: a falta de voos entre os estados nordestinos. A ponto de o secretário de Turismo de Pernambuco, presidente da CTI Nordeste, Alberto Feitosa, ter entregue ao senador Valadares, em nome de todos os secretários de Turismo, uma carta solicitando a interferência da CDR, junto à ANAC, para solucionar graves problemas enfrentados na aviação comercial brasileira, como a prática de preços elevados das passagens, a falta de regularização do setor quando da introdução ou subtração de voos e a falta de medidas eficazes para a correção de discrepâncias existentes no setor.

Diálogo
O governador em exercício Jackson Barreto continua tentando consolidar a maioria governista na Assembleia Legislativa, mas independente disso pretende manter um relacionamento de alto nível com a presidente Angélica Guimarães (PSC) e com os demais deputados. Na última quinta-feira, Jackson foi ao gabinete da presidente para uma conversa institucional e fez a entrega de projetos de lei de interesse do Estado. Cabe a presidente marcar a pauta de tramitação e votação dos projetos.

Reforma
Jackson aguarda o melhor momento para uma conversa com o governador Marcelo Déda, licenciado para tratamento de saúde, sobre a reforma do Estado. Com a queda nos repasses do FPE, o governador em exercício considera necessária uma redução dos custos da máquina administrativa, mas acha que só pode adotar essas medidas com o aval do governador titular. Havia a expectativa de que os dois conversassem neste final de semana, já que Déda veio passar o Dia dos Pais em Aracaju.

Bastidores
Um dos mais antigos políticos em atividade no Estado, o senador Valadares diz que o momento de calmaria na política deve prevalecer até o início da campanha eleitoral, ano que vem. "Os times se armando e nesse momento as conversas estão nos bastidores", ensina.

Equilíbrio
Valadares diz que está impressionado com a eficiência e equilíbrio que vêm sendo demonstrados pelo governador em exercício Jackson Barreto, num momento tenso da política sergipana. Acha que ele está muito focado na administração do Estado.

Reeleição
A senadora Maria do Carmo Alves (DEM) iniciou a campanha pela reeleição. Pode ser um sinal de que o seu marido, João Alves Filho, cumpra integralmente o mandato de prefeito de Aracaju. O senador Amorim, inclusive, já havia oferecido a João tanto a vaga do candidato a senador quanto a de vice-governador. No DEM só há resistência num acordo com o PSC por parte do deputado federal Mendonça Prado, que promete ficar em palanque contrário ao de Amorim.