Cinemark de meus pecados

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Acerto de contas
Acerto de contas

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Publicada em 14/08/2013 às 03:17:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Quem perdeu a exibição de Elena, o premiado filme de Petra Costa que estreou ontem numa das minguadas sessões do Cine Cult (Ah, Cinemark de meus pecados!), não precisa entregar os pontos. Ainda não é hora de correr atrás de um link no Torrent. Amanhã, a trincheira aberta pelo produtor cultural Roberto Nunes no coração duro dos gigantes do mercado exibidor brasileiro volta à carga com o documentário, um filme único, construído a partir de uma perspectiva completamente subjetiva, impregnado de poesia. Pode ser a última oportunidade no horizonte do cinéfilo local. Quem avisa amigo é.

Petra Costa é diretora e atriz. Antes de Elena, Petra dirigiu e produziu o curta Olhos de Ressaca, um retrato poético sobre o amor e o envelhecer contado sob a perspectiva de seus avós que anuncia o talento da realizadora e dá sopa no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=jC4uRtqwVnM).

Em 2009, Olhos de Ressaca foi selecionado e exibido em diversos festivais, no Brasil e no exterior, recebendo importantes prêmios em nove, entre os quais os de melhor curta-metragem no Festival do Rio e no Festival Internacional de Documentário de Londres (LIDF), melhor documentário de curta-metragem no Festival Internacional Cine Las Americas (Estados Unidos), e prêmio especial do júri no Festival de Gramado.

Com Elena, seu primeiro longa-metragem, Petra repete a experiência de usar como matéria prima uma história extremamente pessoal, dessa vez sobre amor e perda, e transpostá-la para a tela de forma delicada e poética. Em 2012, Elena foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Semana dos Realizadores (Rio de Janeiro), no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA) e no Festival de Brasília do Cinema Nacional, onde conquistou os prêmios de direção, montagem, direção de arte e melhor filme pelo júri popular, sempre na categoria documentário.

Em bom português, a moça lavou a jega. Não era pra menos. O acerto de contas que parece ter orientado a realização do documentário resgata uma história das mais fortes. Elena, personagem que batiza o documentário, viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade dos anos de ditadura militar e deixa Petra, a irmã de 7 anos.

Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas: filmes caseiros, recortes de jornal, diários e cartas. A todo momento Petra espera encontrar Elena caminhando pelas ruas com uma blusa de seda. Pega o trem que Elena pegou, bate na porta de seus amigos, percorre seus caminhos e acaba descobrindo Elena em um lugar inesperado. Aos poucos, os traços das duas irmãs se confundem, já não se sabe quem é uma, quem é a outra. A mãe pressente. Petra decifra. Agora que finalmente encontrou Elena, Petra precisa deixá-la partir.