Indigestos, a maioria dos indies

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21 anos sambando na cara de certos indies
21 anos sambando na cara de certos indies

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Publicada em 23/08/2013 às 02:18:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Quem tiver os ouvidos delicados pode virar a página. A Pelvs completou vinte e um anos de distorção garageira agora em agosto e resolveu comemorar o feito disponibilizando toda a discografia da banda para download. Além dos quatro discos de estúdio (estúdio caseiro, é bom que se frise), o pacote de aniversário inclui ainda diversas faixas inéditas e algumas demos. Uma excelente oportunidade de passar a cartilha na qual rezam as autoproclamadas bandas "independentes" de hoje em dia a limpo.

O jornalista André Barcinski conversou com Rafael Genu, remanescente da formação original da Pelvs, curioso com a motivação por trás de tanta generosidade. Segundo o músico, o resgate obedece ao senso de oportunidade da banda.  
"Todas as tiragens dos nossos discos foram pequenas e esgotaram-se com o tempo. Em paralelo, tínhamos esse projeto antigo da Caixa, de reunir todo o material que gravamos ao longo da carreira e ficou de fora dos quatro álbuns. Aos poucos, fomos digitalizando as demos, garimpando registros de shows Brasil afora e gravando covers, coisas novas, para não ficar apenas o registro inicial da banda, e sim as transformações que ela sofreu em mais de 20 anos.  O momento agora foi perfeito, pois a Pelvs estava inativa há algum tempo. Eu mesmo passei dois anos morando no exterior e outros integrantes da banda também saíram do Rio ou estiveram envolvidos com outros projetos pessoais e profissionais. Quando voltei da França, no ano passado, decidimos finalmente fazer um site próprio e disponibilizar a única coisa que a Pelvs realmente tem a oferecer ao público: sua obra. Tudo foi feito em parceria com o nosso selo, midsummermadness".

Falou e disse. Eu poderia fazer o mesmo e conversar com o chapa Clínio Jr (guitarrista que parece ter nascido com a bunda virada pra lua e integrou uma das melhores formações da Snooze, antes de entrar no time dos cariocas, há um bom par de anos) ou desperdiçar meu latim, tentando trazer à superfície da palavra as sensações difusas, guardadas nas canções em questão (apesar da parede de guitarras, do exagero de efeitos barulhentos, o som da banda é frequentemente descrito como sublime), mas o primeiro registro da Pelvs é auto explicativo. Comparado ao que os caras fizeram em Peter Greenaway's surf (1993), resultam indigestos a maioria dos indies.
Para ir além: http://pelvsmusic.bandcamp.com/