Quem não deve não teme

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Publicada em 28/06/2012 às 11:26:00

Os infratores aboletados nos automóveis não perdem por esperar. A comissão jurídica e técnica da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) de Aracaju começa a analisar hoje as propostas das empresas que pretendem se responsabilizar pela fiscalização eletrônica das vias da cidade. Os pardais voltarão a funcionar ainda este ano, dando um basta à empáfia criminosa de certos condutores.
A possibilidade de arcar com as consequências da irresponsabilidade tira o sono dos motoristas apressadinhos desde que uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) desobrigou o poder público de informar a localização dos radares instalados nas vias públicas. Haverá quem acuse a norma de oportunista e vislumbre na distribuição dos sensores uma arapuca armada com o objetivo de encher os cofres da prefeitura. A verdade, no entanto, é que o ímpeto criminoso dos mal educados custa muito ao conjunto da sociedade, que não tem nenhuma obrigação de pagar pela pressa desembestada de uns poucos. Quem não deve não teme.
É preciso lembrar, contudo, que para humanizar o trânsito das grandes cidades ainda será preciso realizar muito. Se os argumentos que sinalizam para a existência de uma indústria de multas perdem a força quando confrontados com a letra impassível da lei, é preciso reconhecer, por outro lado, que não basta conter a ânsia dos motoristas. Além de sinalizar as vias públicas e atuar com mais firmeza na fiscalização dos excessos, é preciso promover alternativas mais inteligentes de mobilidade.
Educar os motoristas e fazê-los respeitar as regras de trânsito e os limites de velocidade - inclusive por meio da aplicação de multas, quando preciso - é necessário, mas insuficiente para dar conta dos desafios impostos pelo crescimento da nossa capital. Não é à toa que os temas relacionados ao convívio conflituoso entre cidadão e a cidade vêm cobrando a atenção da opinião pública nos últimos anos. É preciso colocar o pé no freio, imediatamente.