A repercussão da morte de Getúlio Vargas em Estância

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Fotografia produzida por José Teixeira de Souza, testemunha ocular que com sua máquina fotográfica registrou o episódio em 24/08/1954.
Fotografia produzida por José Teixeira de Souza, testemunha ocular que com sua máquina fotográfica registrou o episódio em 24/08/1954.

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Publicada em 24/08/2013 às 02:07:00

* J. Cruz

A notícia da morte de Getulio Vargas em Estância resultou que muitas pessoas indignadas saíram às ruas para uma manifestação que foi liderada pela prefeita Núbia Macedo e a vereadora, Francisca Santos Assunção, ambas filiadas ao PTB.

Há mais de cinqüenta anos que o presidente Getúlio Vargas se suicidou e os brasileiros ficaram chocados com a tragédia. O historiador Boris Fausto em sua obra "História do Brasil" descreve o episódio da seguinte forma: "Quando o cerco se apertou ainda mais, Getúlio Vargas respondeu com um último e trágico ato. Na manhã de 24 de agosto, suicidou-se em seus aposentos no Palácio do Catete, desfechando um tiro no coração. O suicídio de Getúlio exprimia desespero pessoal, mas tinha também um profundo significado político. O ato em si continha uma carga dramática capaz de eletrizar a grande massa" (FAUSTO, 2000, p. 417). Naquela manhã de 24 de agosto de 1954 (uma terça-feira), à medida que a notícia chegava aos ouvidos dos brasileiros pelas rádios, a dor do povo surgiu como manifestação de indignação e revolta contra os adversários do presidente morto, tomando as ruas de norte a sul do Brasil. A população protestava contra os inimigos do "pai dos pobres".

Em Estância também não ficou fora desse contexto de indignação e revolta. Sendo uma cidade em que sua população era composta basicamente de operários que tinham sido beneficiados com as leis trabalhistas (CLT), muitos saíram às ruas também para mostrar sua indignação. Naquela época Estância tinha como prefeita Núbia Nabuco Macedo que foi eleita em 1950 pelo Partido Trabalhista Brasileiro - PTB. O fundador e dirigente em Sergipe do PTB era Francisco de Araújo Macedo (Nozinho), esposo da prefeita e deputado federal. Pelo visto o casal era getulista e com isso fortaleceu a formação de uma base sólida trabalhista em Estância onde o ambiente das fábricas de tecidos assegurava um público atento aos discursos e ações do PTB de Getúlio Vargas.

Com a propagação da notícia da morte de Getulio Vargas em Estância, em que alguns acreditavam que ele tinha sido assassinado pelos seus inimigos políticos, muitos saíram as ruas para uma manifestação que foi liderada pela prefeita Núbia Macedo e a vereadora, Francisca Santos Assunção, que também era filiada ao PTB. Conforme fotografia (*) foi colocado o retrato de Getúlio em uma peça parecida com uma "charola ou andor" e percorreram várias ruas da cidade com uma grande multidão que segundo relatos de testemunhas da época, o cortejo imitava uma grande procissão de festa de padroeiro. A fotografia que foi distribuída na homenagem religiosa contém uma mensagem no verso da Prefeitura Municipal da Estância e do Diretório do PTB.

Segundo relatos de pessoas que presenciaram o episódio, dizem que houve certo temor de acontecer quebra-quebra na cidade, principalmente nas três fábricas em funcionamento na época (Bonfim, Piauintinga e Santa Cruz). Com medo de que acontecesse uma baderna generalizada, os proprietários colocaram segurança em volta das indústrias e solicitaram reforço policial. Mesmo com o deputado Francisco de Araújo Macedo em um carro de som rua acima, rua abaixo, bradando de que foram os industriários que assinaram Getúlio, mas não foi registrado atos de violência ou depredação de fábricas em Estância, porém, houve muita indignação, comoção com a tragédia.   

Como é do conhecimento da maioria, Getúlio Vargas foi um grande estadista, amado pelo povo, mesmo sendo um ditador, trouxe o crescimento econômico, a justiça social e a igualdade de direitos. Criou as estatais fortes como a Petrobrás, a Vale do Rio Doce e a Cia. Siderúrgica Nacional. Também criou uma legislação federal que beneficiou os trabalhadores com o salário mínimo e a jornada semanal de trabalho.

As mulheres foram beneficiadas com o direito de votar e, ainda instituiu o voto secreto. Mas assim mesmo possuía uma legião de opositores. Por isso que houve quebra-quebra e incêndios em sedes de jornais contrários a Getúlio.

Finalmente o suicídio de Getúlio Vargas foi uma tragédia que abalou a Nação brasileira e o povo estanciano não ficou a margem da história. Fizeram a sua parte: indignados protestaram!   
* J. Cruz é raduado e Pós-graduado em Historia e pesquisador