Formação de médicos em Cuba prioriza atenção básica

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 24/08/2013 às 02:13:00

Renata Giraldi
Agência Brasil

Brasília - A controvérsia causada pela contratação de 4 mil médicos de Cuba para trabalhar na atenção primária à saúde nas regiões mais carentes do país envolve várias questões, uma delas é a formação desses profissionais.

Em Cuba, há 25 faculdades de medicina, todas públicas, e uma Escola Latino-Americana de Medicina, na qual estudam estrangeiros de 113 países, inclusive do Brasil. A duração do curso de medicina em Cuba, a exemplo do Brasil, é seis anos em período integral, depois o estudante deve fazer especialização, que dura de três a quatro anos. Pelas regras do Ministério da Educação de Cuba, apenas os alunos que obtêm notas consideradas altas, em uma espécie de vestibular e ao longo do ensino secundário, são aceitos nas faculdades de medicina.

Na faculdade, o estudante tem duas chances para ser aprovado em uma disciplina. Se for reprovado, é automaticamente desligado do curso. Na primeira etapa do curso, há aulas de ciências biomédicas, ciências sociais, morfofisiologia e interdisciplinaridade.

Nas etapas seguintes do curso, os estudantes têm aulas de anatomia patológica, genética médica, microbiologia, parasitologia, semiologia, informática e outras disciplinas. Segundo os médicos cubanos, não existe diferença salarial entre os profissionais, exceto pela formação - os que têm mestrado e doutorado podem ganhar mais.

O médico brasileiro Felipe Valentin, de 30 anos, que estudou em Cuba entre 2001 e 2007, disse que os estudantes passam o sexto ano do curso em período de internato, estagiando nas principais áreas de um hospital geral. A formação dos profissionais é voltada para a chamada saúde da família: os médicos são clínicos gerais, mas têm conhecimento em pediatria, pequenas cirurgias e até ginecologia e obstetrícia.
"Essa é a grande diferença [entre os cursos de medicina do Brasil e de Cuba]. Eles focam e priorizam muito a atenção primária e já no primeiro mês de aula, os estudantes têm a cadeira chamada Medicina Geral Integral, que é sobre Saúde da Família", disse.