Justiça ouve testemunhas sobre o "Crime do Cemitério"

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Publicada em 30/08/2013 às 02:41:00

Aconteceu ontem de manhã, no Fórum Gumercindo Bessa, bairro Capucho (zona oeste de Aracaju), a primeira audiência de instrução do processo que apura o "Crime do Cemitério", caso que envolve os assassinatos da dona de casa Claudeci Oliveira Santos e do irmão dela, o ex-presidiário Milton César Oliveira, mortos a tiros respectivamente nos dias 3 e 4 de novembro de 2012, em um intervalo de quase 20 horas. A primeira vítima foi Claudeci, que levou seis tiros na porta da própria casa, no, Cj. Jardim Centenário (zona oeste). No dia seguinte, foi a vez de Milton, que assistia ao sepultamento do corpo da irmã no Cemitério São João Batista, no Cj. Castelo Branco (zona oeste).

Júlio César dos Santos Leandro, 26 anos, Pedro Vigner dos Santos, 28, e Marcos Túlio Oliveira de Araújo, 22, são arrolados no processo e respondem por crimes de duplo homicídio qualificado, porte Ilegal de arma, receptação e sequestro. Na audiência de ontem, com a presença dos réus, a juíza Olga Silva Barreto, da 5ª Vara Criminal de Aracaju, interrogou as testemunhas indicadas pelo Ministério Público e parte das testemunhas apontadas pela defesa dos réus. O processo corre em segredo de justiça, mas o promotor da 5ª Vara, Deijaniro Jonas Filho, revelou que os três réus foram reconhecidos por parte das testemunhas como autores das duas mortes.
"Algumas pessoas chegaram a ser reconhecidas como estando na cena do crime, outras testemunhas tomaram conhecimento dos fatos por via de relatos de terceiros, mas uma conclusão determinante acerca da participação de todos ou de alguns, nós só teremos com o fim da instrução do processo. Aí faremos uma analise de todas as provas encaminhadas ao processo e iremos analisá-las com profundidade. Temos também provas periciais, testemunhais e a apreensão de uma arma de fogo, mas avaliamos como prematuro fazer juízo de valor, por não dispormos todo o acervo de provas. No entanto, algumas testemunhas já apontam dentre os acusados, pelo menos dois que participaram do crime", afirmou Deijaniro, falando à Rádio Liberdade AM.

Os depoimentos das testemunhas devem ser concluídos na segunda audiência de instrução, marcada para o dia 25 de novembro. Depois, o próximo passo será o interrogatório dos acusados, seguido das alegações finais da defesa e do MP. Os réus poderão ser julgados no Primeiro Tribunal do Júri da Comarca de Aracaju, a depender do resultado da instrução. O motivo alegado pela polícia para os dois homicídios seriam ameaças dos acusados contra o filho de Claudeci, o qual era usuário de drogas. Além das mortes, é apurado também o sequestro de um taxista que foi obrigado a levar os acusados ao cemitério. Uma quarta pessoa, o travesti Deyvisson Rodrigues Ramos, conhecido como "Talita", responde ao processo em liberdade, acusado de ter colaborado com o segundo crime. (Gabriel Damásio)