Produtividade da mão de obra fica maior

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Publicada em 28/06/2012 às 11:38:00

Mesmo aquém do desejado, a produtividade do trabalhador da construção civil registrou um aumento de 5,8% no período entre 2003 e 2009. O ritmo de expansão, no entanto, já está diminuindo. Considerando apenas o intervalo entre 2006 e 2009, a alta acumulada da produtividade foi de 4,4%. A desaceleração acontece porque as construtoras estão pagando mais por profissionais menos qualificados.
Esses dados constam em estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O diagnóstico foi divulgado no 84º Encontro Nacional da Indústria da Construção, que acontece até amanhã em Belo Horizonte.
A análise mostra que, apesar da produtividade do trabalhador ter se expandido 5,8% entre 2003 e 2009, a de capital (que considera o retorno dos investimentos em máquinas e equipamentos) ficou negativa em 3,5%. Segundo a economista da FGV, Ana Castelo, uma das responsáveis pelo levantamento, o efeito do investimento no aumento da produtividade é gradual e um pouco mais demorado. Com isso, a produtividade total do setor totalizou 1,2% no período.
Entre 2003 e 2009, de acordo com a pesquisa da FGV, o salário dos trabalhadores do setor subiu à taxa média de 4,5% ao ano e, portanto, ficou abaixo da taxa de crescimento da produtividade da mão de obra. Esse cenário é considerado preocupante.
A maior escassez de mão de obra no período recente tem pressionado os salários e os ganhos de produtividade do trabalhador não foram suficientes para cobrir esse custo adicional, informou o estudo. Em 2009, o salário médio do trabalhador teve um aumento de 7,6%, enquanto a produtividade apresentou alta de 4,2%.
Para o economista da CBIC, Luis Fernando Melo Mendes, esses dados apontam que a produtividade na construção civil continua crescendo, o que para muitos era visto como uma dúvida, porém, o aumento da produtividade não compensa a alta dos salários que tem sido puxada pelo crescimento econômico. Na avaliação dele, sem investimentos em qualificação, a tendência é de que a produtividade da mão de obra continue se desacelerando.
Para conseguir o desejado salto na produtividade, as principais iniciativas se referem ao treinamento de pessoal e às condições favoráveis de investimento em máquinas, equipamentos e processos produtivos - o que depende de medidas que envolvem as entidades setoriais e os governos, destaca o documento.
De 2003 a 2009, conforme o estudo, a taxa média de crescimento das empresas formais de construção (com cinco ou mais pessoas ocupadas) foi de 11,2% ao ano, o que é mais do que o dobro da taxa do setor (5,1% ao ano). O pessoal ocupado nas empresas formais registrou expansão de 8,6% no período analisado.
O levantamento aponta que em 2003 apenas 19,5% dos trabalhadores da construção possuíam vínculo formal de emprego, com registro em carteira. Em 2009, esse indicador chegou a 30,1%. Com isso, o contingente de trabalhadores saltou da faixa de 1 milhão para 2 milhões. Em 2009, existiam quase 63 mil empresas formais ativas. (Fonte: Valor Econômico)