Grito dos Excluídos aconteceu de forma pacífica

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Publicada em 10/09/2013 às 02:45:00

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Com o apoio da Igreja Católica, as centrais sindicais reuniram centenas de pessoas, em Aracaju, e 'invadiram' a avenida Barão de Maruim para realizar a 19ª edição do 'Grito dos Excluídos'. Tendo como tema: 'Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular', diferente do que era previsto por alguns gestores públicos, os manifestantes realizaram uma marcha pacífica e sem nenhuma ocorrência de vandalismo ou desordem pública. Em posse de placas que ilustravam a imagem de alguns vereadores aracajuanos, representantes do Movimento 'Não Pago' mais uma vez se uniram para cobrar a qualificação do transporte público, redução da tarifa, e instauração da CPI do Transporte.

Chamando os vereadores de 'traidores' e 'vagabundos', os usuários dos ônibus coletivos voltaram a insultar os parlamentares municipais que no último mês de junho já tinham se queixado das palavras 'agressivas' adotadas por alguns integrantes do movimento. Para o estudante Maurício Lima, a união dos manifestantes permanece com o apoio de populares e a resistência deve permanecer até o momento em que os vereadores, ou a justiça sergipana, decidam reduzir a tarifa que hoje custa R$ 2,35. "Eles disseram que esse aumento era pra melhorar o sistema público. Desde o reajuste nós continuamos nas ruas realizando protestos justamente porque não percebemos progresso nenhum, muito pelo contrário, só fez despencar a qualidade", disse.

Conforme previsto pela direção do Movimento dos Sem Terra em Sergipe (MST), dezenas de caravanas oriundas do interior chegaram a capital com o propósito de participar do ato público. Exigindo reforma agrária, educação e saúde para as famílias de todos os assentamentos, a perspectiva por parte dos Sem Terra é que a marcha possa resultar em benefícios já nos próximos dias. "Em todo o país nós mobilizamos o maior número de companheiros para que a nossa voz ecoasse no ouvido de cada gestor público, em especial no da presidente Dilma Rousseff. Cansamos de promessas não concretizadas", afirmou Manoel Lúcio. A marcha do MST contou com o apoio de vereadores do interior sergipano e do deputado estadual João Daniel (PT).

Também participando da mobilização que anualmente é organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), padres e sacerdotes foram à avenida para pleitear ampliação das políticas públicas dedicadas aos jovens brasileiros. De acordo com o jornalista Rosalvo Nogueira, porta voz da Arquidiocese de Aracaju, ao longo dos últimos anos a igreja tem se preocupado com os jovens e participar de atos do Grito dos Excluídos é mais uma forma de exigir benefícios. "O papa, em recém estadia aqui no Brasil, defendeu o quanto nós devemos ter mais atenção para a juventude. Buscar uma melhor educação, além de alertá-los sobre o risco das drogas. É isso que estamos fazendo aqui, buscando progresso e futuro promissor para todos".

Além do Movimento Não Pago e da Igreja Católica, a mobilização também recebeu o apoio de integrantes da Força Sindical, servidores da Universidade Federal de Sergipe (UFS), estudantes de escolas públicas, Sindicato dos Trabalhadores da Educação em Sergipe (Sintese), e de integrantes do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU). Segundo Plínio Pugliesi, diretor da CUT, mais uma vez o objetivo da manifestação foi alcançada. Mostrando-se satisfeito com o apoio da população, ele disse que em virtude das manifestações que foram realizadas em todos os estados nos últimos três meses, um grande número de pessoas que foi acompanhar o desfile cívico decidiu esperar a passagem dos manifestantes e se unir para reivindicar uma atuação mais popular dos gestores públicos.