Nova Rede Cabaú

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 23/09/2013 às 16:22:00

Se já fazia campanha aberta para o Governo do Estado desde que se elegeu senador, em 2010, Eduardo Amorim (PSC), a partir do lançamento da sua candidatura pelo diretório nacional do partido, escancarou. Ele, seus aliados e suas emissoras de rádio fazem campanha explicita 24 horas por dia sem qualquer preocupação com a legislação eleitoral. É como se estivessem acima da lei, coisa que não se via há muito tempo na política sergipana.

A oito meses das convenções partidárias que definem candidaturas que abrem a campanha, o senador resolveu antecipar o processo para agora, inclusive com reforço político nas emissoras de rádio da família. Se a campanha era feita apenas durante o programa de Gilmar Carvalho, das 6 às 9 horas da manhã, agora há vários espaços à disposição para entrevistas com aliados e o próprio senador. A partir da rádio Ilha de Aracaju, criou novos programas supostamente jornalísticos das 4 às 6 horas da madrugada, das 12 às 14 horas e das 17 às 19 horas, sempre repetidos por emissoras do interior e até rádios comunitárias que deveriam tratar de temas de interesse da comunidade.

Na semana passada, em entrevista a Rita Oliveira, o vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado (PSDB), potencial aliado dos Amorim caso o prefeito João Alves Filho (DEM) não venha a ser candidato a governador, não escondeu a chateação com a antecipação da campanha eleitoral no Estado. "Falam que o PTB e/ou o PTdoB voltaram para os Amorim, mas na verdade nada mudou na política sergipana. É só para atiçar a campanha", reclama Machado. O seu partido, por exemplo, perdeu a filiação do advogado Antonio Monteiro Neto, filho de Adierson Monteiro, que explora o transporte coletivo de Aracaju há 30 anos, para uma das legendas de aluguel do senador Eduardo.

Na próxima sexta-feira, 27, uma semana antes do encerramento do prazo das filiações partidárias para quem pretende disputar as eleições de 2014, o senador e o seu irmão Edvan, que herdou as emissoras de rádio do ex-sogro João Alves Filho, pretendem realizar uma grande festa suprapartidária para mostrar o poderio financeiro que planejam para as eleições de 2014. Pretendem apresentar filiações dos donos do dinheiro de Sergipe, a exemplo do ex-governador Albano Franco e do seu filho Ricardo, e empresários de destaque no comércio sergipano.

É uma pantomima que serve para passar a impressão ao eleitorado de que tudo já está pronto para que o senador Eduardo chegue ao governo do Estado, antes da realização do teste das urnas. Os Amorim acham que a mensagem de que já são os 'donos de Sergipe' é suficiente para que a população, da mesma forma os tradicionais negociantes da política, embarque em seu barco, sujeito à deriva como qualquer outro, principalmente quando conduzidos à base de mentiras e interesses escusos.
O senador Eduardo e o seu irmão patrocinam uma campanha de desrespeito às leis, às autoridades e aos poderes constituídos. É uma afronta nunca vista na política sergipana, nem mesmo na época da ditadura quando a chamada 'Rede Cabaú de Notícias', capitaneada pela TV Sergipe, pensava que era dona das leis e do povo sergipano.

Xarope
Semana passada, num dos cafezinhos de shopping, um velho companheiro do ex-governador Albano Franco não escondia o constrangimento com a possibilidade de ele virar liderado do senador Eduardo e do seu irmão. "Até os médicos alertam que juntos, cana, leite e laranja não combinam". Seria um alerta?

Política
Depois de um período voltado exclusivamente para a reorganização da máquina administrativa do Estado, o governador em exercício Jackson Barreto (PMDB) vai dividir seu tempo nos próximos 15 dias para a oxigenação política do grupo. Com o senador Valadares (PSB) e dirigentes petistas vai tratar da ampliação do quadro de filiados dos partidos aliados, já que em 5 de outubro acaba o prazo de registro para quem pretende disputar as eleições de 2014.

Robustez
Jackson Barreto garante não ter maiores preocupações com a movimentação dos irmãos Amorim em torno de controlar novos partidos e filiados. "Eles querem passar a sensação de que já ganharam a eleição, que só acontece daqui a 13 meses. É um desrespeito. Nós iniciaremos nossa campanha no período legal. A pressa é deles", garante Jackson, que ressalta a força e unidade dos partidos aliados. "Com toda essa guerra que eles fazem, se as eleições fossem hoje nós teríamos mais tempo de TV e, principalmente, o que mostrar", destaca.

Conjuntura
O senador Valadares garante que a decisão do PSB em entregar os cargos que ocupa no governo da presidente Dilma Rousseff (PT) não altera em nada a situação do partido em Sergipe. Vai continuar ocupando os cargos federais que indicou e pretende manter a aliança com PT e PMDB nas eleições do próximo ano. Valadares também descarta a possibilidade de vir a disputar o governo do Estado. "Nosso compromisso é em apoiar a candidatura de Jackson Barreto", diz.

Sem problemas
O deputado federal Valadares Filho, que preside o diretório estadual do PSB, não vê qualquer problema ou contradição na possibilidade de continuar aliado do PT e do PMDB em Sergipe mesmo com a possibilidade de o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vir a disputar a eleição para presidente da República. "Nós montaremos o seu palanque no Estado, mas continuaremos na campanha de Jackson", assegura.

Problemas
Aliados, no entanto, vêm problemas com a candidatura de Eduardo Campos. "E se João Alves e Amorim decidirem apoiar a candidatura de Eduardo, como fica em Sergipe o senador Valadares?", questiona um dirigente do PSD. Valadares Filho insiste que o compromisso é com Jackson e o governador Marcelo Déda.

Mais Médicos
O deputado federal Rogério Carvalho (PT), relator da comissão especial da MP do programa Mais Médicos, acredita que seu relatório será aprovado ainda esta semana na comissão e em tempo hábil pelo Congresso para que a MP não perca a validade. "É o mais avançado programa já feito no País", entusiasma-se o deputado, que segue cotado para substituir Alexandre Padilha no Ministério da Saúde.

Na Caixa
Antes mesmo da licitação da folha de pagamento da Prefeitura de Aracaju, o prefeito João Alves Filho já está transferindo os ativos da PMA para a Caixa Econômica Federal. Vai mesmo deixar o Banese sem nenhuma receita da prefeitura.

Inimigo
Na semana passada, o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) voltou a criticar a venda da conta da Prefeitura de Aracaju, incluindo a folha de pagamento dos servidores, que até então continua no Banco do Estado de Sergipe (Banese). Segundo ele, o prefeito João Alves trabalha unicamente com a intenção de enfraquecer o banco neste momento para que no futuro a sua privatização seja viável. "João é um inimigo do Banese. E já demonstrou isso várias vezes", sustenta Gualberto.

Número
De acordo com o edital de venda da conta, o Município de Aracaju possui hoje 13.679 servidores, sendo que desse total, 1.232 são cargos comissionados. No entanto, registra-se que de maio a junho deste ano, João Alves inchou a folha de cargos comissionados em 113%. Já o Estado possui atualmente cerca de 60 mil servidores, entre ativos e inativos, e o número de comissionados chega apenas a cerca de 3 mil. "É menos que 5% da folha de pagamento", diz Gualberto.

Folha alta
Para ele, o prefeito João e o secretário de Fazenda Nilson Lima precisam dos R$ 40 milhões da venda da conta para suprir o pagamento da folha elevada. "Só que eles estão percebendo o desgaste junto à população. Estão promovendo algo que o sergipano não aceita. O Banese não é um equipamento de governo. É um instrumento de Estado. E João Alves pensa em fragilizá-lo para ser privatizado no futuro", analisa o petista.

Histórico
Pelo menos em dois momentos anteriores, segundo Gualberto, João já havia tentado enfraquecer o banco. No final do seu segundo governo (1994), quando passou o Estado para Albano Franco e o Banese praticamente sofreu uma intervenção do Banco Central; e no final do seu terceiro governo (2006), quando passou para Marcelo Déda um banco sucateado. "Naquela ocasião, Déda precisou de um ano e meio para recuperar o banco. Dos 10 itens exigidos pelo BC para o bom funcionamento da instituição financeira, seis estavam comprometidos", revela.

Catavento
Neste episódio, o deputado estranha o comportamento do secretário Nilson Lima. "É um catavento. Ele sopra para o outro se refrescar. Tenho certeza de que Nilson Lima tem plena consciência do que está fazendo, mas precisa servir ao seu senhor", diz. "E as justificativas de todos no governo de João para vender a conta do Banese chegam a ser hilárias".

Deso
No mesmo pronunciamento, Francisco Gualberto fez um alerta para o fato de que João Alves irá criar problemas com a Deso em breve, assim que vencer o contrato firmado entre Município e Companhia de Saneamento para fornecimento de água na capital. "João vai querer extorquir a Deso e o Estado. Anotem o que eu estou dizendo", frisou o deputado, sem dar maiores detalhes.