Uma década passada a limpo

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Depois do rock, na hora certa
Depois do rock, na hora certa

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Publicada em 25/09/2013 às 03:15:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

A experiência de meia dúzia transformou a Aracaju dos anos 80 num território mítico, uma cidade coberta de preto, governada por anarquistas, punks e headbangers. Pode até ser que os retratos de família nas paredes úmidas dos subúrbios contem outra história, mas a realidade mais expressiva emerge em relatos de quatro acordes. E o primeiro disco da Crove Horrorshow passa tudo a limpo.

Depois do Rock (2013) possui um valor documental que não pode ser desprezado. No entanto, é a maturidade e, sobretudo, a energia das composições assinadas pelo guitarrista Luiz Eduardo que confere ao lançamento o caráter obrigatório com que o disco foi acolhido entre os entendidos. Em suas letras, o olhar de um observador arguto, atento ao ordinário de tocaia nas esquinas.

A sonoridade da década perdida permeia as doze faixas do registro. Entretanto, embora datado, o pós-punk da Crove não se presta apenas à nostalgia de roqueiros velhos, ocupados com as cismas embaraçadas nos cabelos brancos. O seu discurso é humano (atemporal, portanto). Ainda em atividade, após diversas formações, a banda não parece disposta a resgatar o espólio a que teria direito tão cedo. Agora é daqui pra frente.

A competência esbanjada por Marcos Odara (bateria) e Fábio Snoozer (baixo), duas figuras que dispensam apresentações, recomenda o show de lançamento que a Casa Rua da Cultura abriga próximo fim de semana. O imprimatur carimbado por Silvio Campos, o maior herói daquela geração, que participa da faixa Sem Grana (minha preferida, ao lado de Na Sala fechada), contudo, encerra a conversa. Depois do Rock chegou na hora certa.

Crove Horroshow lança Depois do Rock:
04 de outubro, às 22 horas, na Casa Rua da Cultura