Anne Bancroft

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
ANNE BANCROFT COM DUSTIN HOFFMAN EM SEU FILME MAIS FAMOSO, \"A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM
ANNE BANCROFT COM DUSTIN HOFFMAN EM SEU FILME MAIS FAMOSO, \"A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 01/10/2013 às 01:03:00

Foi em 17 de setembro de 1931, na região do Bronx (Nova York), que veio ao mundo Ana Maria Italiano, um nome que não deixa dúvida quanto à origem. Filha de imigrantes italianos, desde pequena precisou trabalhar para ajudar no sustento da família. Foi babá de crianças e cachorros, camareira e vendedora de flores. Porém fazia tudo isso sem deixar de estudar e de atuar nos espetáculos da escola. Mal saída da adolescência, ela foi estudar na American Academy of Dramatic Arts e, em pouco tempo fazia pontas na TV, sob o pseudônimo Anne Marno. Para ganhar mais dinheiro, dava aulas de inglês para estrangeiros. Uma de suas alunas, a cantora peruana Yma Sumac, a incentivou a ir para Hollywood. Lá, conseguiu um teste na Fox, um contrato e o definitivo nome artístico. Seu primeiro filme foi em 1952, "O Rio das Almas Perdidas", estrelado por Marilyn Monroe.

Naquele estúdio, Anne Bancroft ficou relegada durante muitos anos a papéis secundários, boa parte incompatível com o seu notável talento. Aborrecida, por volta de 1957, decidiu investir na carreira teatral. "Vou voltar para Nova York, onde ter um busto grande não é mais importante do que saber interpretar", declarou. Dessa forma tornou-se uma atriz respeitável. E, após interpretar no palco, "O Milagre de Anne Sullivan", foi convidada por Arthur Penn para repeti-lo no cinema. Como a obstinada professora da cega Helen Keller, levou o Oscar de melhor atriz de 1952, derrotando dois monstros sagrados: Bette Davis e Katherine Hepburn. Verdadeira consagração.

Daí em diante, não parou mais de fazer cinema. Seletiva e corajosa, ousou interpretar a quarentona Mrs. Robinson, que seduz o jovem imberbe e ainda virgem, Dustin Hoffman, mesmo sendo apenas seis anos mais velha que o ator. Arrebentou!... Literalmente, no filme "A Primeira Noite de Um Homem". Jovens adolescentes donzelos do mundo ocidental, depois de verem o longa, passaram a sonhar com a possibilidade de perderem sua virgindade com uma "coroa" igual a Anne Bancroft... Seu desempenho foi uma incrível e surpreendente sensualidade, o mais lembrado de sua brilhante carreira.

Marcantes também foram suas atuações em filmes singulares como "Momento de Decisão", "Agnes de Deus" e "Nunca de vi, sempre te amei". Em uma única ocasião, ela experimentou a direção, fazendo a comédia dramática "O Gorducho", de 1980. Mas não quis prosseguir nessa "praia". Justifica: "Basta um diretor em casa". Ela referia-se ao comediante e cineasta Mel Brooks. seu marido desde 1964. Sob sua direção fez apenas "A Última Loucura de Mel Brooks", em 1976, e ao seu lado atuou na comédia "Sou ou Não Sou?", de Alan Johnson, em 1983. Foi um dos 65 filmes em que trabalhou durante 52 anos. Em todos, vivendo personagens bem diversos, Anne Bancroft soube dar verdade e credibilidade.

Quem se acostumou a ver Anne Bancroft nas telas dos cinemas, tem a impressão de que ela veio de um berço esplêndido, aristocrático. Isso porque, mesmo fazendo personagens de classe social mais baixa, ela sempre transmitiu um charme e uma elegância indescritíveis. Mas sem jamais perder a ternura, como diria Che Guevara. Só que essa americana notável, que faleceu em 6 de junho de 2005, em Nova York, nasceu pobre, pobre , pobre de marré de Si...  

 (Resumo do capítulo 29 do meu livro inédito "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")