Fisco faz mobilização com blitz educativa

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Publicada em 09/10/2013 às 03:18:00

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Em greve há mais de 40 dias, os auditores fiscais da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) realizaram na manhã de ontem uma operação pente fino com o objetivo de chamar a atenção do Governo do Estado para as reivindicações que são pleiteadas desde o último mês de junho. Conforme informado pelo Sindicato do Fisco de Sergipe (Sindifisco), a categoria pede a incorporação da gratificação de produtividade de função ao vencimento, uma nova Lei Orgânica da Administração Tributária (LOAT) que mexe na carreira de auditor, e reposição salarial inflacionária. Em decorrência da operação realizada em todos os veículos que passavam pelos postos da Sefaz, grandiosos congestionamentos se formaram em ambos os sentidos.

Para o presidente do sindicato, Abílio Castanheira, essa ação que também foi educativa, serviu para repassar para a sociedade os problemas estruturais e técnicos enfrentados diariamente pelos servidores. Desde o início das mobilizações nenhum avanço foi registrado pela categoria que implora pelo apoio da sociedade sergipana. "Não estamos aqui com o objetivo de atrapalhar a vida dos motoristas e passageiros, e sim para mostrar o quanto não somos valorizados pelo Estado e o quanto o nosso serviço fica prejudicado pela falta de estrutura adequada", declarou. Durante a ação que teve início por volta das 7h, os manifestantes entregaram panfletos e fiscalizaram os automóveis.

Além das reivindicações consideradas emergenciais, os auditores também alegam uma possível falta de manutenção nos postos fiscais; existência de equipamentos defasados; problema na iluminação dos pátios; efetivo policial reduzido em mais de 60%; e nenhuma balança funcionando no estado, que sirva para as mercadorias dos caminhões.

Intrigado por ter enfrentado um congestionamento por mais de duas horas, o caminhoneiro Josevaldo Azevedo dos Santos reprovou parcialmente a atitude dos manifestantes. Segundo ele, a ideia em protestar contra o governo realizando uma fiscalização totalmente minuciosa mostra o quanto os servidores estão interessados em conquistar benefícios e atender as demandas diárias com o máximo de qualidade profissional e estrutural.
"Apesar dessa fiscalização bastante detalhada, quem se prejudicou foi o próprio sergipano que atrasou todo o serviço. De fato, pelo menos eles não interditaram as vias com a queima de pneus e que nem sempre é analisada pelos gestores públicos como uma ação consistente e legal. Foi chato enfrentar essa fila toda, espero que eles possam se entender com a administração pública e voltar a trabalhar como era antes dessa greve, parando apenas os suspeitos de irregularidade".
Há pouco mais de um mês, o governador em exercício Jackson Barreto se encontrou com o então secretário da Sefaz, José de Oliveira Júnior, para debater o pleito do Sindifisco, mas de acordo com a direção do próprio sindicato, nenhum avanço foi registrado até a tarde de ontem.

Sefaz - Em nota emitida ao Jornal do Dia, a Assessoria de Comunicação do órgão público informou que a direção permanece disposta a dialogar com a categoria com o propósito de firmar acordo coletivo e evitar novas paralisações. Ainda conforme informado pela Secretaria da Fazenda, algumas reivindicações pleiteadas, nesse momento, não poderão ser atendida devido ao Estado de Sergipe respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Para o dia de hoje, a perspectiva é que uma nova reunião entre o secretário e os sindicalistas seja realizada na sede da Sefaz.