Política

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Publicada em 02/07/2012 às 09:53:00

O tempo
O deputado federal Rogério Carvalho deu um show de discernimento ao evitar dificuldades em público para abrir mão da condição de pré-candidato a prefeito de Aracaju, mesmo tendo sido o escolhido nas prévias internas do PT. Ganhou a presidência estadual do PT, é o responsável direto pela indicação da deputada estadual Conceição Vieira como candidata a vice-prefeita na chapa de Valadares Filho (PSB), e volta a ter influência na administração do governador Marcelo Déda.
Quadro
Rogério Carvalho percebeu que dentro do PT ele é o substituto natural de Marcelo Déda, é um quadro em permanente ascensão e que, como presidente do PT, ainda será responsável direto pelo futuro do partido em Sergipe. Além disso, o seu gesto facilitou a manutenção da unidade do bloco original de Déda, criado pelo atual vice-governador Jackson Barreto (PMDB), em 1994, para disputar o governo do Estado, objetivo alcançado somente em 2006.

O candidato
Apesar de exercer o segundo mandato de deputado federal, Valadares Filho não parece demonstrar preparo e maturidade suficientes para disputar a prefeitura de Aracaju, principalmente quando devem participar da disputa raposas como o ex-governador João Alves Filho (DEM) e o deputado federal Almeida Lima (PPS). A princípio, terá que ser guiado totalmente pelo pai, um dos mais veteranos políticos em atividade no Estado e que soube migrar da direita para a esquerda mantendo uma liderança incontestável entre os partidos populares e uma atuação exemplar no Senado Federal.

O preferido
Valadares Filho era o nome preferido da maioria dos dirigentes dos 10 partidos aliados - PSB, PT, PSD, PRB, PMDB, PCdoB, PSDC, PTdoB, PDT e PHS. O prefeito Edvaldo Nogueira, do PCdoB, era o seu mais importantes cabo eleitoral e será um dos coordenadores da campanha. Edvaldo faz uma boa administração, que é bem avaliado pela maioria da população. O tempo do candidato governista na TV deve chegar a 14 minutos, quase a metade de todo o tempo da propaganda eleitoral.

Exemplos
Se o filho de Valadares não possui experiência administrativa pessoal para apresentar, tem gestões bem avaliadas dos partidos de sua coligação, desde o domínio do atual vice-governador Jackson Barreto a partir de 1985 quando foram restabelecidas as eleições diretas nas capitais, como exemplo. Passando também por Déda e Edvaldo.

Pesquisas
O candidato do governo vai começar a campanha numa situação desconfortável em relação aos números das pesquisas. Até agora João Alves tem uma grande folga, mas ele já exibiu números mais robustos em eleições passadas e acabou com resultados negativos. Durante o Forró Caju o ex-governador foi muito saudado pela população. Da mesma forma que Valadares Filho, que em muitas noites dividiu o palanque principal com o prefeito Edvaldo.

Vereadores
A coligação de Valadares Filho decidiu apresentar quatro chapas para vereador, o que dá quase 150 candidatos. Os partidos foram divididos nas coligações PSB/PSD/PRB, PT/PMDB/PHS/PSDC, PTdoB/PDT e PCdoB, que fez a opção de sair sozinho com 36 candidatos a vereador.

Um exagero
Além dos 150 candidatos a vereador do bloco governista, o grupo Amorim possui cerca de 250 interessados, além dos candidatos da coligação de João Alves, os de Almeida Lima, do PV, puxada pelo ator e empresário Antonio Leite, e da coligação de esquerda (PSTU/PSOL/PCB). Serão mais de 500 candidatos disputando 24 vagas, também pleiteadas pelos atuais 19 vereadores.

Em família
O advogado Henri Clay Andrade atendeu apelos familiares e desistiu de disputar a prefeitura pela esquerda. Vera Lúcia (PSTU) é quem comandará a coligação com PSOL e PCB. Verá estava se preparando para liderar a chapa de vereadores do bloco.

Conformado
O deputado Venâncio Fonseca (PP) parecia conformado, ontem de manhã, com o desgaste que sofreu desde a apresentação do seu nome como candidato a prefeito pelos Amorim. Todos iriam apoiar João, sem nem mesmo a indicação do candidato a vice-prefeito, que ficaria com o ex-deputado José Carlos Machado (PSDB). Confirmada a aliança, João Alves acaba fortalecido com o tempo desses partidos e ainda impôs o candidato a vice de sua preferência. Um recuo e tanto para quem faz política com tanta arrogância quanto os Amorim.

Isolado
Almeida Lima (PPS) ficou isolado na disputa. Ontem de manhã já discutiam a possibilidade de um recuo em sua candidatura.