De quem é o trono?

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Peixe, elemento marcante na pintura de Leonardo Alencar
Peixe, elemento marcante na pintura de Leonardo Alencar

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Publicada em 20/10/2013 às 16:56:00

Constitucionalmente, caso queira mesmo disputar as eleições de 2014, Jackson Barreto (PMDB) terá que se afastar da condição de governador em exercício em 31 de março. A não ser que, como previamente traçado no acordo que definiu a chapa majoritária de 2010, o governador Marcelo Déda (PT) se desincompatibilize do cargo na mesma data e Jackson se transforme em governador titular. Neste caso, estaria disputando a reeleição, mesmo sem ter cumprido um mandato integral ao contrário de Déda entre 2007 e 2010.

No acordo de 2010 ninguém previu, no entanto, que Déda, aos 53 anos, viesse a enfrentar um grave problema de saúde que o mantém afastado do cargo por um longo período. Há a expectativa de que ele consiga recuperar plenamente suas condições físicas a ponto de disputar a vaga de senador em 2014, como planejado. Nesse caso teria de fato que renunciar em 31 de março, como fez com garbo em 2006 ao deixar o comando da Prefeitura de Aracaju e conquistar o governo de Sergipe rompendo, finalmente, o ciclo conservador no Estado.

Depois da paralisia inicial provocada pelas licenças temporárias de Déda, Jackson superou os ranços da máquina administrativa e o Estado voltou a funcionar plenamente, mesmo com os feudos existentes em determinadas secretarias, onde os titulares se consideram mais importantes do que o próprio chefe do executivo. Mas falta a segurança política para as mudanças estruturais necessárias, inclusive para reenquadrar o Estado na Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe limites entre receitas e gastos com pessoal.

A partir do momento em que Déda pediu licença sem prazo determinado para cuidar da saúde, o governador em exercício pensou em fazer algumas mudanças mais substanciais na equipe, mas esbarrou no corporativismo petista que considera o governo como uma conquista partidária e não em decorrência da ampla aliança seguida principalmente por Jackson e o senador Antonio Carlos Valadares (PSB). Fez apenas mudanças previstas previamente por Déda, como a troca de Jorge Alberto por Sílvio Santos na Casa Civil. Jeferson Passos já havia sido nomeado por Déda para a Secretaria do Planejamento e foi deslocado para a Fazenda em função do afastamento, também por problemas de saúde, de João Andrade. José Sobral, único quadro do PMDB que se manteve na equipe do governador titular, ganhou força com Jackson, mas o partido continua representado no governo como se fosse um nanico.

Enquanto setores do PT consideram o governo um feudo partidário, outros como o liderado pelo deputado federal Rogério Carvalho acham que é hora de o comando do partido chamar o governador em exercício e os demais aliados para um amplo acordo para que Jackson possa vir a formar a sua própria equipe e preparar, de fato, caminho para uma eleição vitoriosa em 2014. "É preciso que Jackson tenha uma maior participação no governo, montar a sua equipe até para que, mais à frente, possa vir a ser responsabilizado por erros e acertos da administração", entende o petista, que é contestado por outros setores, principalmente os mais ligados ao governador titular, como o também deputado federal Márcio Macedo.

Após a conversa que teve com Jackson, em São Paulo, há 40 dias, Déda cumpriu o prometido e parou de dar palpites em público sobre a condução da administração. Faz poucas inserções no tuiter, sua rede social favorita, mas segue a dúvida sobre a sua saúde. Terá condições de reassumir o governo? Jackson poderá mesmo fazer as mudanças necessárias para enxugar a máquina e adequá-la a LRF? Déda poderá, independente da possibilidade de vir a disputar a candidatura ao senado, cumprir o acordo de 2010 e renunciar em 31 de março?
São dúvidas cada vez mais persistentes até pela proximidade da eleição. Os petistas adversários de Jackson Barreto devem ficar atentos: se não houver nenhuma sinalização de Déda até a data final do prazo de desincompatibilização, caso queira mesmo disputar o governo, JB não poderá mais continuar na interinidade e, persistindo a doença do governador titular, a função será exercida pela presidente da Assembleia Legislativa, deputada Angélica Guimarães (PSC). Pivô das maiores discórdias da política sergipana das duas últimas décadas.

Mais Médicos
O deputado federal Rogério Carvalho será uma das estrelas na cerimônia de promulgação da lei do Programa Mais Médicos, que deve ser realizada na terça-feira. A partir daí será o Ministério da Saúde, e não os conselhos regionais, que vai liberar os registros dos médicos estrangeiros contratados para o programa. Rogério foi o relator da medida provisória aprovada pelo Congresso Nacional, cujo relatório foi muito elogiado. Ele estabeleceu brechas para as previstas negociações com a oposição e a corporação. Com isso, as mudanças adotadas não afetaram o programa previsto pelo governo.

Novo voto
O senador Eduardo Amorim (PSC), que havia votado contra o relatório de Rogério Carvalho na comissão especial, teve que rever seu voto, diante de protestos enfrentados pelo interior do Estado. No senado votou a favor, alegando que as 'mudanças' modificaram o programa. Essas 'mudanças' foram introduzidas por Rogério apenas para facilitar as negociações.

Cotado
Rogério Carvalho admite que é um dos citados pelo ministro Alexandre Padilha para substituí-lo no Ministério da Saúde, a partir de dezembro, quando ele deixa o cargo para disputar o governo de São Paulo. "A nomeação de um ministro depende da conjuntura política, da força dos Estados e, principalmente, da vontade da presidente Dilma Rousseff. Mas só ser citado para o cargo já é uma honra", entende.

Indenizações
Já começou a doer no bolso do radialista Gilmar Carvalho. Ele já foi condenado nas áreas civil e criminal a pagar indenizações ao governador em exercício, Jackson Barreto, por injúria, calúnia e difamação. Na semana passada ele teve que depositar previamente R$ 5 mil em favor da GACC - entidade indicada por JB - no processo criminal. Na área civil, já foi condenado em R$ 80 mil, mas há recursos. Jackson não aceitou a proposta de retratação do radialista. Gilmar ainda pode recorrer a outras instâncias.

Televisão
Jackson Barreto está empenhado em convencer os empresários e irmãos Albano e Walter Franco, donos das repetidoras da Globo e da Record no Estado,  a ampliar os alcances das TVs Sergipe e Atalaia para que elas consigam chegar na maioria dos municípios do Estado. Ainda hoje as parabólicas predominam no interior, transmitindo programas das redes nacionais. O objetivo do governador em exercício é reduzir o poder do dinheiro nos grotões do Estado nas campanhas eleitorais e isso só seria possível com a transmissão do horário eleitoral da campanha sergipana.

Informação
O governador em exercício está cada vez mais impressionado com o poder de informação da população. "Hoje pelo menos 80% da população de todas as classes sociais são bem informadas sobre tudo o que ocorre no país, no estado, e em sua cidade. Os 20% restantes, a maioria da classe pobre, ainda são vulneráveis a informações manipuladas pelos donos dos veículos de comunicação", lamenta.

Eleições
O Processo de Eleição Direta do PT está se afunilando e deve aumentar a disputa principalmente entre os deputados federais Rogério Carvalho e Márcio Macêdo, que integram a corrente majoritária, Construindo Um Novo Brasil. A deputada estadual Ana Lúcia também está na disputa do comando estadual. O PED será realizado no dia 10 de novembro e antes disso vai ocorrer um debate em Aracaju. O diretório municipal da capital é disputado pelo atual presidente Usiel Rios, ligado a Márcio, o deputado estadual Francisco Gualberto, do grupo de Rogério, e o vereador Iran Barbosa, apoiado por Ana.

Municípios
Ontem Rogério Carvalho ironizou o fato de Márcio dizer que tem o apoio de 43 diretórios municipais. "Nem contando com Rio Real (BA), a sua terra natal, daria essa soma. Eu, comprovadamente, tenho o apoio de 34 municípios e a deputada Ana Lúcia diz contar com 16. Como se sabe, Sergipe tem 75 municípios".

Banese
O Banco do Estado de Sergipe (Banese) informa que não liga para os seus clientes solicitando dados pessoais, como senha, CPF, endereço, ou informações dessa natureza. Portanto, não forneçam seus cartões a pessoas que tentem se passar por funcionários do Banese. O Banese não adota esse procedimento. Em caso de suspeita, recomendamos entrar em contato com a Polícia, através do telefone 190, e ligar também para o ALÔ BANESE (0800-284-3218).

Serviços
Serviços de energia e telefonia na Atalaia são um caos. O Oi/Velox é um caso de polícia e as quedas de corrente seguidas de desligamentos abruptos de energia geram pavor. E provocam muitos prejuízos, mesmo com as seguidas reclamações às agências reguladoras.